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O lado hilário da viagem


A viagem, a partir de Londres, ficou mais corrida e as cidades seguintes seriam apenas de dormitório, exceto Amsterdam, na Holanda, para nossa chegada ao ponto de retorno. A partir daí meus parceiros Roberto/Andréia e Álvaro/Kelly, não estavam presentes, retornaram ao Brasil após a primeira semana de viagem.


Foi a chance de formar novas parcerias e conviver com gente disposta a se abrir e conhecer novidades, como o casal Cristina/Carlos Ivan, Fábio/Elaine, Abenildo e esposa e, que juntos com Fátima/Antonio, Fernanda/Luciano e outros que a nós se juntavam a cada descida do ônibus, faziam que o cansaço fosse esquecido e as gargalhadas chegassem a cada uma aventura de um dos nossos em tentar se comunicar na língua dos nossos anfitriões.


Uma das moças solteiras de nosso grupo se meteu a reclamar com o recepcionista do hotel, em Bruxelas, que sua cama era ruim e que teria dores na coluna no dia seguinte se dormisse naquele treco. Tudo bem, eu também reclamaria, porém, tem sempre um porém, imagine você se eu tivesse que fazer os largos gestos da guria para explicar como ela se sentia?


Levava a mão ao rosto, para mostrar que queria dormir, levava a mão as costas para dizer que teria dores na coluna, levava a mão a cabeça em desespero por não ser atendida. Dureza total até chegar o Rodrigo, um gaúcho poliglota, que saltou a moça do sono intranqüilo. 


Please, eu quero dormir, você me entende? Eu terei dores se não “to sleep” tá me entendendo? Foi patético, mas nada que não pudesse ser resolvido, assim o o gelo na Pepsi de Fátima, que gostaria de mais uma pedras de ice no seu copo e o garçom não entendia.


- Por favor, eu quero mais uma pedra de ice? Repetia e como o cara não vinha o Luciano, outro gaúcho, foi lá e resolveu o problema pegando o gelo com as mãos e colocando no copo da paulista.


Se eu dei mancada? Claro, perguntem a qualquer um do ônibus, mesmo aqueles fluentes na língua dos caras, se não passou por um momento de risos ou constrangedor? Tudo faz parte do programa e faz parte do roteiro dos bons viajantes.


Mas eu dizia que a partir de Londres a viagem seria corrida e com pouco tempo para descanso. Bingo!  Brugges, uma bela cidade belga, foi ponto de “parada ténica” como diria Beatriz no seu portunhol, nos mostrou belas paisagens e a primeira prova de como os europeus reagiram a Segunda Guerra e iniciaram a reconstrução de suas cidades.


Bruxelas tem a mais bela praça do mundo, segundo o escritor Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis”. Vi e comprovei que realmente é maravilhosa a tal praça e que deveria ser vista pela manha, sob o sol ou uma intensa claridade, e não à noite, com frio e neblina atrapalhando nossos flash das máquinas fotográficas.


Foi em Bruxelas que vi os primeiros mendigos da Europa e os primeiros casos de “golpe” dos garçons sobre os incautos brasileiros. 
Fabio e Carlos Ivan, acompanhados de suas esposas, foram jantar na praça após o banho e um breve descanso no hotel e foram contemplados com uma bela conta triplicada e quando tentaram um diálogo os moços de lá usaram a língua flamenca e escapuliram sorrateiramente com a grana cobrada a maior no cartão de crédito.


O Luciano não quis ficar para conhecer as cervejas belgas, cujo teor alcoólico chega a 9,5%, ciceroneado pelo recepcionista do bar, o brasileiro Gustavo, nascido em Varginha, Minas Gerais, e também foi premiado com um troco em moedas de pesos mexicanos, que, pensando bem, não valem definitivamente nada em relação ao troco pretendido por ele.


Voltar a Bélgica? Não. Foi um passeio corrido mas em tempo de apreciar o que se há de melhor no país. Valeu a pena.

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