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ENCONTRO CASUAL COM UM BOLEIRO


Não sou empresário de futebol, mas os anos vividos como repórter e a imagem que deixei entre os companheiros e seguidores, me fizeram ser uma referencia para pais, tios, amigos ou até mesmo mães de jovens atletas que sonham ganhar espaço nas bases dos clubes de Campos e região.

No domingo, logo após a caminhada pelo Jardim São Benedito, um rapaz corria enquanto eu caminhava calmamente ouvindo minhas músicas favoritas, mas o olhar dele, quando cruzava comigo, era de expectativa e de quem precisa conversar ou desabafar.

Lá pela terceira volta o rapaz me parou e perguntou:

- O senhor é o Adilson Dutra?
- Sim, sou eu, o que se passa? Respondi.

- Cara, o senhor é importante demais prá mim e para minha família, tá ligado?

Eu não estava ligado, não sabia o motivo de tanta importância prá família do jovem corredor e nem mesmo entendia o porque de tanta alegria no abraço que me deu após confirmar que eu era eu mesmo, olha o Nelson da Capitinga fazendo escola!

- O senhor me levou ao Americano, tempos atrás, me abriu as portas para treinar no Goytacaz e depois me indicou ao empresário, lá de Minas, para me levar para o interior mineiro. Tá ligado?

Aí eu percebi que o jovem corredor era um jogador de futebol e estava me agradecendo a primeira oportunidade para um treino e perguntei:

- Onde você está jogando agora?

- Passei pelo Tupi, em Juiz de Fora, fui para o América Mineiro, de lá prá Coreia, e hoje estou na Ucrânia, não naqueles times de ponta, mas dá para ganhar um bom dinheiro e mandar algum trocado para a família lá na Baixada Campista.

Aos poucos, durante a caminhada (ele parou de correr) me contava sua aventura e mesmo com aquele papo de boleiro, misturado com funkeiro ou coisa parecida, gostei da prosa do rapaz, que um dia saiu de Campos a procura de seu destino e encontrou.

- Que tal o senhor ir até lá em Odessa (a cidade onde está) para uma visita, garanto que vai gostar de lá, mas não pode ir na época do frio, que é intenso, senão fica congelado e não dá prá tomar a cervejinha que tanto gosta.

Fiquei feliz com o nosso encontro, que durou exatos quarenta minutos, e me agradou o convite para o almoço em sua casa, em um final de semana antes dele retornar a Europa, para que sua mãe possa me agradecer, se é que eu fiz alguma coisa, pela abertura do caminho para sua carreira.

Arlindo, conhecido como Júnior Carioca, é um daqueles que deram sorte e aproveitaram bem a chance surgida. Indiquei muitos garotos a vários treinadores e abri portas para outros, porém, tem sempre um porém, a noite, a bebida e até as drogas, impediram que fizessem pelo menos o caminho do Júnior Carioca, que pode não estar na mídia e em grande centro, mas envia, mensalmente, uma boa quantidade de Euros para sua mãe, aqui na Baixada Campista.

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