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TODAS AS COPAS DE MINHA VIDA - FINAL


Em 1994 a Copa do Mundo e o futebol chegavam aos Estados Unidos da América, onde a bola oval sempre predominou. O planeta bola esperava que os americanos se rendessem a pelota redonda e a Fifa e autoridade americanas, se juntaram para fazer a maior festa do futebol de todos os tempos.

A transmissão da televisão foi fantástica, o bacana aqui já curtia uma televisão de 29 polegadas, morava nas imediações da Pelinca, de onde saiam as caravanas comemorando as vitórias do time de Parreira. Era o auge do satélite no Brasil e já tínhamos, além da parabólica, a GLOBOSAT e seu sistema de transmissão a cabo.

Minha sala ficava lotada de amigos, mas festa mesmo só por parte dos visitantes, este comentarista estava a serviço e não curtia muito aquele futebol feio do time liderado pelo Dunga.

A turma da Pereira Nunes preparou a festa da final, contra a Itália, com esmero e dedicação. Dei a minha contribuição e apostei com a Gisele, minha filha: “Se o Brasil vencer eu tiro a barba de trinta e quatro anos”. Vocês já sabem o que aconteceu, o Vicente, meu barbeiro favorito, raspou a cara deste escriba e Gisele se espantou quando viu aquele rosto vermelho e suado. “Volta com a barba, pai. Você ficou muito feio”, gritou a menina que foi para o canto chorar.

Voltamos para a Europa em 1998 e para a França, onde há 64 anos os italianos conquistavam o mundo através do futebol. Por aqui já havia pressão em cima dos funcionários do Banerj, os novos donos tentaram nos impedir de ver os jogos e o que vimos, ao vivo e a cores, foram os jogos do final de semana.

Foi também o ano de outra frustração na tentativa de ir a uma Copa do Mundo. Trabalhava na Rádio Cultura e havia pretensão da emissora em ir a França, mas por problemas no Banerj, férias negadas, vi os companheiros Sérgio Tinoco e Peçanha Filho serem escolhidos e viajarem com destino a Paris para ver de perto a vitória da França e mais um vice-campeonato do Brasil.

O fiasco de 1998 já estava apagado da memória dos brasileiros, mas no fundo o medo tomava conta do país do futebol. Felipão foi convocado para liderar aquele time que iria ao Japão e Coréia, na Ásia, em 2002, na primeira copa disputada naquele continente e a primeira com organização de dois países.

Não curti muito esta Copa de 2002, estava vivendo um momento tenso no trabalho, onde a demissão poderia vir a qualquer momento e uma pressão altíssima (19x14), que me levou a uma isquemia, em outubro daquele ano, já se fazia notar. Futebol era quase proibido, mas felizmente o Brasil venceu e Ronaldo finalmente brilhou ao lado de Rivaldo. Brasil campeão e festa na Pelinca, mas aqui no prédio, para onde mudei em 1999, a turma do Marco Aurélio comandou as comemorações.

Chegamos a última Copa do Mundo pré 2010, e esta foi jogada novamente na Alemanha, desta vez sem Hitler e seus fascistas. O ano era 2006 e os favoritos, além dos brasileiros, eram os anfitriões. Ninguém acreditava uma final sem Brasil ou Alemanha ou até mesmo, para pelo menos 40% dos entrevistados, uma final entre estes dois países.

Era a minha primeira Copa do Mundo como aposentado e pude ver todos os jogos com imagens de cinema, em uma televisão grande e moderna e só não pude comemorar o título do Brasil, que ficou pelo meio do caminho com seus célebres e cerebrais craques, mas que pelos motivos que todos vocês sabem, esqueceram da bola e optaram pela balada.

No campo dos sonhos a Itália venceu a França, na final onde a inusitada cabeçada de Zidane, em Materazzi, ofuscou um pouco o brilho do título italiano.

Copa do Mundo de Futebol uma festa que celebramos de quatro em quatro anos e mais uma vez a minha visita a um país da copa, durante a competição, fica adiada, o coração safenado impede maiores emoções e a distancia até a África do Sul é um desafio difícil de ser batido. Um abraço e felicidades, amigos do futebol.

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