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FOTOS QUE MOSTRAM A MODA DOS ANOS 70

Hoje, pela manhã, resolvi dar uma olhada no meu mundo e vi como tempo passou depressa. Abri o baú de fotografias e, admirei com ternura, todos os bons momentos vividos em cada ano de minha vida. As fotos dos anos 50, no jardim, nos gramados da prefeitura ou nas escadarias da igreja, revelam um garoto travesso e já apaixonado por futebol, a bola aparece sempre ao lado ou nos pés do “moleque arteiro“, como dizia minha Vó Maria.

Algumas chamam atenção pela elegância, algo que me traz um pouco de saudade. Rapazola, frequentador dos bailes do Aero Clube, do Grêmio, da Cabana XV, e dos clubes de toda a nossa região, gostava de uma boa camisa, uma calça bem cortada e sempre confeccionada com exclusividade, não em grifes modernas ou de bacanas, mas na nossa Miracema, onde pessoas de bom gosto costuravam com amor.

Marina mostrava uma foto tirada em São Paulo, no final dos anos 70. Uma bela camisa fazia contraste com o cenário, o restaurante do famoso Giovane Bruno, um ítalo-brasileiro amigo de José Maria de Aquino, e que naquela época comentava o campeonato italiano pela TV Bandeirantes. Eu estava elegantemente vestido com uma camisa moderna e uma calça, bem anos 70, e um pulôver pendurado no pescoço.

Deve ter custado uma fortuna? Perguntou Kátia, esposa do Zé Maria. Nada, a camisa foi confeccionada pela minha amiga Penha Damasceno, irmã do Nenenzinho, lá na Rua da Laje, que por sinal a minha costureira favorita e que jamais recusou um pedido meu. A calça foi cortada e costurada pelo Dante Barbi, pai do José Barbi, médico conceituado e um grande amigo deste que vos fala.

O pulôver era lançamento da Butique Marlene, da Marlene Tostes, ainda na Rua Direita, onde chegavam as grandes novidades da moda mundial e concorria com a Butique Lolinha, na esquina do jardim, onde a sociedade se encontrava em vésperas de grandes eventos.

Nunca fui um jovem de vestir grife, a grana não dava, e Miracema ainda tateava no setor. Ir ao Rio era uma aventura e comprar nas grandes lojas um martírio, e por gostar de ler e ter sempre jornais e revistas em mãos, levava o que gostava para Penha Damasceno e minhas camisas sempre faziam sucesso absoluto onde quer que eu chegasse.

As fotos foram rodando de mão em mão e a cada uma digitalizada, isto mesmo, estou montando o meu arquivo de fotos para não ter novamente o desgosto de ver um pouco de minha vida se perdendo, e a cada foto manuseada uma lembrança vinha em minha mente. As fotos dos festivais e as roupas super bem transadas trazidas pelo Fernando Miguel, me lembro de um conjunto branco que vesti na apresentação de um dos eventos por ele promovido, que arrancou elogios da então “Global” Elke Maravilha.

Aos poucos as lojas, como a Camisaria Gerson, do meu saudoso amigo Gerson Coimbra, com o dedo do seu filho Gilson, também se transformava em butique masculina e o talento de vendedor do proprietário fez com que a loja tivesse sempre boas novidades do ramo.

E as fotos do futebol? Hoje os uniformes são confeccionados com material ultraleve e próprios para um atleta de ponta, mas cá prá nós, não dá para vestir um calção destes de hoje sem comparar com os vestidos por nós, jogadores da Associação Atlética Miracema, nos anos 70.

Os de agora são feios e grandes e aqueles desenhados pelo Gilson, que também idealizou a camisa da AAM, tinham estilo e quando o time entrava em campo já saia vencendo no quesito elegância.

Eita! Tempo bom. Tempo em que a moda não era imposta e que os jovens escolhiam o que vestir e os nossos profissionais substituíam com maestria as grandes marcas. Tudo bem, você vai lembrar a calça Lee, a Lewis, a Calhambeque... Para aí, esta última não, era tão terrível como a botinha do Roberto Carlos, que um dia vesti para imitar aquela que estava longe do meu poder de compra, as botinhas dos Beatles.

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