sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EU NÃO VOU A MIRACEMA

Eu pensei em, mais uma vez, fazer o meu carnaval em Miracema. Apenas pensei.Depois de uma reflexão, colocando a mente prá funcionar, buscando um melhor ângulo de ver o que passou nos últimos anos, cheguei a conclusão de que ir para Miracema seria contraproducente. O melhor mesmo seria fazer como a grande maioria dos meus conterrâneos, buscar uma praia, como Guarapari por exemplo, e ficar na encolha por dez dias.

Tentando achar uma justificativa, já que assim exigia meu bom amigo Ermê Sollon, fui refazendo o caminho percorrido em 2009, narrando o que fiz nos quatro dias de folia por lá e o que tentei fazer, e não consegui, durante a minha estadia na Santa Terrinha.

Não há mais desfile de mascarados pelas ruas, o calor e falta de criatividade da turma fizeram este tipo de divertimento fosse quase banido das ruas da cidade, ainda há algum apaixonado ou uma criança, motivada pelos pais, que ainda enfrentam o sol forte e os gritos de “mascarado pé de pato, comedor de carrapato”. Legal, mas insuficiente para que eu volte.

Meu velho e bom amigo Calil Saluan Netto, presidente da Escola de Samba Unidos no Samba e na Cor, me dá a dica: “Vou botar a escola na rua e quero o seu apoio”. Fiquei comovido com o pedido e quase fui me inscrever para sair pela Rua Direita com as cores azul e branco da minha escola favorita. Mas, cá prá nós, bem baixinho, que ninguém nos ouça, meu tempo passou e da escola também, não dá mais prá segurar a onda e o que vi, no ano passado,não dá para acreditar que uma melhora acontecerá. Perdão, Calil, mas não vou, mesmo sabendo que a sua escola retornará após longos anos de ausência.

Em 2009 o Valdo César, irmão do Célio Silva, me informava: “Vamos botar na rua um carro só com marchinhas antigas e músicas autenticas de carnaval”. Bacana, fiquei esperando pelo carro, que passava de três em três horas, sem um pingo de emoção, e deixava um rastro muito pequeno em relação aos carros particulares, que passavam pela Rua Direita tocando funk e axé, em alto volume, e a galera fazia huuu e gritava histericamente. Não deu prá curtir legal, meu caro César, nem mesmo sentado à uma mesa da Kiskina, saboreando uma BOA, dá para suportar, aliás nem é bom lembrar, a kizumba por ali é de deixar qualquer fora de órbita.

Minhas irmãs, Eliane e Celeste, me diziam maravilhas sobre os blocos de embalo, aqueles dos bairros e de alguns abnegados pela folia, que sempre vem a Rua Direita animar a galera. Fomos prá rua para buscar uma novidade e uma coisa diferente para fazer passar o tempo e ganhar a noite, já que o dia fora totalmente perdido.

Começa, atrasado como sempre, o desfile destes blocos. Pobres foliões e foliões pobres demais para garantir uma fantasia decente e menos convencional. O bom de tudo foi o antes e o depois, quando encontrei com o Júlio Barros, meu grande amigo de infância, adolescência, juventude e da bola. O reencontro com o Careca, o Sérgio Roberto Nascimento, que sorria a cada comentário meu sobre o que via naquele desfile sem molho e sem tempero.
É, amigo, parece que é sério. O carnaval acabou e só eu ainda não tive a coragem de reconhecer. Não há mais a alegria de uma marchinha, isto não é privilégio de nossa terrinha, não há mais um samba bem tocada em cada mesa de bar, nem mesmo as escolas do Rio, as poderosas Beija Flor, Mangueira, Portela e tantas outras, também não fazem mais um samba como nos velhos tempos, hoje são executados em ritmo de marcha batida para que os milhares de foliões, que se aglomeram em suas alas, possam passar no tempo permitido pela Liga das Escolas.

Não dá mais prá segurar, vou buscar um novo rumo e sair por aí, como todos os mortais, para descansar no litoral capixaba, onde a certeza é uma só: Verei um punhado de gente tentando enganar os carnavalescos dizendo o mesmo que Valdo César me contou e que o Calil priorizou. Uma abraço e até a exposição, em maio, onde o reencontro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

BOLO DE LINHA OU PONTAPÉ?

Neste mundo globalizado, até as apostas esportivas estão na Internet e espalhadas pelos quatro cantos do planeta, volto um pouco no tempo após receber um recado do meu guru, José Maria de Aquino. Um e-mail interessante, no qual ele conta uma passagem ocorrida em Miracema, na década de 50, quando uma aposta não paga criou um problemão entre seus amigos do futebol.

O Zé fala sobre um bolo, aquele que já chamamos de pontapé, e que desde aquele longínquo tempo já era febre entre os moleques frequentadores das arquibancadas do estádio municipal ou entre aqueles que ouviam, no rádio, as transmissões do campeonato carioca de futebol.

Deixe o Zé Maria contar: “Jogo Vasco x Flamengo. Bolo de linha entre a molecada. Dez nomes em dez pedacinhos de papel. Caio com o Chico, gaúcho ponta esquerda do Vasco. Chance 0,001 de marcar, mas nada havia a fazer. E não é que deu? Vasco 1 a 0, gol de Chico. Procuro o professor para pegar minha grana. Surpresa: a aposta não valeu. A grana não viria para meu bolso. Explicação, dada por ele. "Ao marcar o gol o Chico estava correndo, deslocado pela meia", contou José Maria de Aquino.

Tá bem, meu caro guru, mas você não conheceu o Genuíno, filho do Olegário da Padaria, um baita craque de bola e apaixonado por uma aposta, seja ela um bolo de linha, um pontapé ou até mesmo a do pau a pau, onde você escolhe um adversário e deixa o outro para o parceiro, sem vantagem é claro. O Genuíno era terrível, e, muitas das vezes, sentava na arquibancada, entrava no bolo e no intervalo do jogo, geralmente um amistoso do Miracema FC, descia para o vestiário e se oferecia ao Polaca para entrar na partida.

Claro que o Jair aceitava, afinal era o grande craque da cidade e um artilheiro de qualidade indiscutível. Acontece, meu amigo Zé Maria, que o Genuíno só entrava na partida se fosse na vaga daquele cujo o número saiu com ele no sorteio do pontapé, ou bolo como queira. E no fim sempre vencia, pois o faro de gol do cara era realmente incrível.

Certa vez, na década de 60, o Esportivo jogava contra o Esperança, de Friburgo, e este escriba estava com a 11 titular e no ataque amarelinho tinha, além deste que vos fala, o Thiara (7), Cacá (9), Júlio (8) e Arani (10) e o Genuca tentou dar o mesmo golpe.

Foi ao vestiário, no intervalo, pediu ao Jaci para entrar e disse que o Seu Gérson deu ordem. O Jaci agradeceu e falou que precisava virar o jogo, perdíamos por 2x1, e deu a ele a 18 e falou para ele entrar no lugar do Wagner, na lateral esquerda.

“Entra lá no lugar do Vagner fale com o Gilson para jogar na lateral e faça com que o Arani jogue um pouco mais recuado, de volante. Você, Adilson e Cacá jogarão sempre na frente”, explicou pacientemente o Jaci Lopes, nosso treinador.

Genuíno pensou bastante e depois de dois minutos parado, escutando as instruções do Jaci, decidiu voltar para as arquibancadas e começou a gritar pelo meu nome, me incentivando e mandando todos os companheiros me encherem de bola a todo momento.

Ninguém entendia nada, mas eu dava gargalhadas junto com os moleques do Esportivo ouvindo o frustrado Genuíno gritando meu nome, afinal o papelzinho que ele estava nas mãos tinha o número 11 e o tal número naquela tarde era meu e por isto ele queria o meu lugar no início do segundo tempo.

O Jaci acreditou na turma e viramos novamente a partida e chegamos aos 3x2 com gols de... Não, eu não marquei, entrei sozinho na área e toquei de lado para a chegada do Cacá, para desespero do Genuíno, que teve que ver o Sebastião Amaral levar prá casa o tal bolo de linha.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

QUARENTA ANOS DEPOIS

Na terça-feira fui premiado com um reencontro espetacular. Após a caminhada diária, já pertinho do Arisão, parei na farmácia para um dedo de prosa com o Rogério, que parado na calçada se refrescava sob a brisa que soprava na Rua do Gás. Papo rápido, para não atrapalhar na reta de chegada, e para minha surpresa um tapinha nas costas e uma pergunta:

- Está me reconhecendo?
- Me perdoe, não estou me lembrando.
- Sou Luciano Mercante
Bom, daí prá frente um forte abraço, um punhado de prosa e um baú de histórias foi aberto ali mesmo, em frente a Farma Goyta, ao lado do Arisão.

Luciano foi um dos bons amigos de infância e adolescência, filho do saudoso Humberto Mercante, o Noca, irmão do professor José Márcio Mercante, que por longos anos mostra seu conhecimento sobre matemática e física no Liceu e na Escola Técnica Federal de Campos.

Passeamos sobre o passado e falamos sobre os longos anos em que ficamos separados, eu disse que foram quarenta anos, mas o Nê, como o Luciano era chamado lá na terrinha, diz que são apenas trinta e cinco anos. Apenas trinta e cinco anos, meu caro Luciano? O importante é que voltamos a nos ver e, como ele está aqui pertinho do meu apartamento, é possível que daqui prá frente possamos falar mais sobre as nossas famílias, os nossos momentos em Miracema, as peladas e os grandes desafios que nos eram impostos pelos irmãos mais velhos do cara.

Aos amigos, leitores deste Papo de Bola, peço perdão por jogar minha intimidade prá vocês, porém, tem sempre um porém, todos vocês já tiveram esta alegria, rever um grande amigo após longos anos, e nada melhor do que botar pra fora toda emoção de um reencontro. Valeu.

LEMBRANDO HERIVELTON MARTINS

Ainda vivendo as emoções da série da Globo, Dalva e Herivelto, que narra a história de amor deste casal de artistas, fui buscar no meu baú de músicas as canções de Herivelto Martins, o marido de Dalva de Oliveira e pai de Pery Ribeiro, as letras, que podem justificar este início de ano para muitos clubes brasileiros, e, principalmente, os nossos - Americano e Goytacaz - que parecem viver a mesma história de amor e ódio do casal que criou o fabuloso Trio de Ouro.

Os dirigentes alvianis buscam reforços, mas não encontram nomes disponíveis no mercado ou, creio que esta é a melhor hipótese, não há grana disponível nos cofres para estas aquisições. “Parto a procura de alguém ou a procura de nada, vou indo caminhando sem saber onde chegar, quem sabe na volta te encontre no mesmo lugar”.

E a torcida, que fica a espera de dias melhores, parece cantar com o grande Herivelto: “Não, eu não posso lembrar que te amei, não eu preciso esquecer que sofri. Faça de conta que o tempo passou e que tudo entre nós terminou...” Bem, acho que aí vai um exagero, na fiel torcida alvianil ninguém quer colocar fim ao romance, mas que tem gente fugindo, isto tem.

E o torcedor alvinegro, que ainda vive daqueles momentos felizes do enea e dos timaços que se montavam no Parque Tamandaré. Os dirigentes, cansados do assédio de torcedores, que clamam por um time mais forte, cantam assim: “Seu mal é comentar o passado. Ninguém precisa saber o que houve entre nós dois, o peixe é pro fundo das redes segredo é prá quatro paredes”.

E aquele craque, fenomenal e gordinho, que ainda está por aí esbanjando talento e classe, ao ouvir as histórias do ano que passou diz: “Não fale daquela mulher perto de mim”, mas será que é da mulher que o artilheiro quer esquecer? Tenho dúvida.

Herivelto foi um grande compositor, apaixonado por várias mulheres, tal qual os craques de hoje, que vestem várias camisas e beijam escudos como prova de amor, o artista amou muitas mulheres e deixou marcas no coração de cada uma, como Love, o Vagner, que também amou bastante quando jovem e fez jus ao apelido de Artilheiro do Amor.

E a torcida do Palmeiras, lamentando a sua saída, ofendeu o atacante, que respondeu cantando Herivelto Martins: “Que diferença vai fazer na minha vida, mais uma briga, mais um desgosto, que diferença vai fazer na minha dor...”

Planos, muitos planos. Sonhos, muitos sonhos. E Adriano, o Imperador, não pode brincar o carnaval. A diretoria do Flamengo emitiu nota oficial, exclusiva para os jogadores, dizendo que os dias de folia serão de muito trabalho, afinal o Carioca estará em pleno andamento.

E o camisa dez da Gávea mandou: “Que rei sou eu, sem reinado e sem coroa, sem castelo e sem rainha. Afinal que rei sou eu?” Se fosse aquele outro artilheiro eu até ousaria dizer que seria um Rei Momo, mas o Imperador está mais prá He-Man.

E Edilson, o Capetinha, que resolveu voltar as canchas, animado com tantos ex-jogadores em atividade, também botou o bloco na rua e gritou, já vestindo a camisa tricolor do Bahia: “Vem, vem em busca da Bahia, cidade da tentação, onde o meu feitiço impera. Bahia, Bahia, Bahia!

E por lá ele terá a companhia de Renato Gaúcho, agora treinador do Tricolor de Aço e parceiro de fé do Capetinha. Vai dar samba?

E o presidente do Goytacaz, preocupado com o recado da torcida, que promete abandonar o barco: “Será que ela ainda lembra do compromisso que tem ou será que ela agora deixou de querer bem?”.

Aí está, em forma de canção os protestos bem humorados dos torcedores e craques deste nosso fabuloso esporte bretão. Bom domingo prá todos.

TOQUE DO SILÊNCIO, TEMA DE LARA E OUTRAS SAUDADES

Hoje o meu bom e querido amigo Renato Mercante, me enviou um e-mail com um anexo bem interessante e que me remeteu, como ele mesmo narra, a aurora de nossas vidas. Abri imediatamente, pois no texto o Renato fazia um comentário sobre a intérprete e a orquestra acompanhante, o fabuloso André Rieu. A curiosidade de ver alguém executando o “Toque do Silêncio” era bem maior do que qualquer coisa que me propusesse a fazer naquele momento.

“Como você muito bem sabe, Il Silenzio, (o Toque do Silêncio, como chamamos aqui no Brasil) é universal. Segundo me informei, em quase todas as forças armadas do mundo ele é o mesmo. Ele é tocado todas as noites, às 22 h, e em solenidades fúnebres de militares. As modulações podem variar. Nessa apresentação, ele é tocado por completo. É um toque lúgubre, mas, muito bonito”, disse-me Renato Mercante.

Eu já havia passado por este filmete, algum amigo havia me mandado, mas não abri temendo ser algum vírus ou por não ter curiosidade suficiente para tal. Não sei se foi naquele período em que emoções eram proibidas, mas o certo é que hoje fui surpreendido por uma guria espetacular, que sopra o piston como gente grande.

Isto me fez voltar o tempo e me ver nas ruas de Miracema, com um pedaço de borracha, improvisando um instrumento. Em uma ponta um esguicho de pia, que servia de bocal, e um funil, em outra ponta, tentando ampliar o som que eu fazia com aquele instrumento criado por mim.

As nossas serenatas no jardim, as esperas pelo início dos ensaios da Banda Sete, as reuniões da Banda Marcial do Colégio Miracemense, tudo isto passou pela minha cabeça e pela minha memória. Me vi ao lado do velho amigo Cagiano, que também é Adilson, preparando toques inéditos ou refazendo os já conhecidos, para que os jovens do colégio conhecessem e executassem nos desfiles em todas as cidades para onde a banda era convidada a se exibir.

Em um momento eu ouvi a voz do Mauro Cruz, o filho dos professores Manoel Soutinho e Maria do Carmo, que, sempre ao nosso lado, dava pitacos sobre o que tocar e como andava nossa audiência junto aos alunos e diretores do colégio. Os cornetões não tinham sons maviosos, serviam apenas para contracantos, e quando precisávamos de um voluntário, para testar novos toques, lá estava o Mauro, sempre atendo e disposto a colaborar.

Renato, e o “Tema de Lara”? Não vou me fazer de grande ou de importante, mas creio ter sido um dos primeiros a levar a música para o ritmo de dobrado e levá-la para as ruas como ritmo de marcha/dobrado. O arranjo do Cagiano, para as caixas, tambores e taróis foram perfeitos e a música faz sucesso até hoje nos desfiles cívico-escolares.

Nos carnavais de rua, hoje não são mais os mesmos, eu não podia fazer o que mais gostava, sair às ruas como um mascarado comum e não ser reconhecido. Tinha a praga, no bom sentido é claro, do piston que me acompanhava e me deixava vulnerável neste sentido. A turma do Colégio Nossa Senhora das Graças, liderada pelo Gilson e Zé Maria, saia como um bando de palhaços e, acredite Renato, o único a ser reconhecido era este seu amigo aqui, por que? Claro, pelo instrumento que já estava ligado a este hoje velho contador de causos e histórias.

Tudo é saudade. O Zé Luiz, nosso amigo Categoria, diz que vivo de saudades. Não, eu concordo com a Cintia, que um dia me disse: “Adilson, você não tem saudades do passado, você gosta de falar daquilo que te fez viver intensamente”. Correto, se isto é ter saudades este piston, este Toque do Silêncio, este Tema de Lara e estes belos carnavais de rua, sempre terão um lugar reservado na memória e neste peito rasgado e apaixonado pelas coisas de nossa terra.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A HORA E A VEZ DO NOVO SEXAGENÁRIO

Mais um ano de vida, aliás chego aos sessenta com o corpo de um jovem de quarenta e a cabeça de um menino de quinze aninhos. Sei não, sabe, mas o tempo não passou para este escriba. Estou chegando ao sexagésimo aniversário e passando por uma experiência sem igual. A vida continua sendo tocada, mas a impressão que tenho é que chego aqui com uma baita saúde, o susto de março/09 já foi superado e agora é cuidar para que o velho coração não sinta o impacto dos sessenta anos de batidas, ora forte e descompassada, ora regular como um relógio suíço.

Hoje é dia do meu aniversário e a festa aconteceu logo após a meia noite de ontem, sábado, já que nesta manhã a grande maioria dos amigos já estavam de partida para Niterói e colocando um ponto final nesta temporada na Armação dos Búzios. Bolo, bola, torta gelada, refrigerante, salgadinho e, claro, muita cerveja, e não foi da BOA, por aqui não se vê com freqüência aquela latinha azul tão degustada durante o resto do ano, mas valeu a pena, só faltou o cachorro quente para alegrar a festa.

O diferencial foi a música, que tocava no som espalhado por toda casa à beira mar. Por exigência deste aniversariante o que se ouviu foi o puro samba de Martinho da Vila e Alcione, a bela música italiana, que não poderia faltar neste dia especial, exibida em DVD de Luciano Bruno. Frank Sinatra e a turma da Jovem Guarda deram o toque de nostalgia no evento e no arremate a já saudosa orquestra de Ray Conniff para encerrar a noitada do aniversariante, pois o som continuou à beira da piscina, mas aí a história é outra, pois quem comandou as manetes do som foi o Leandro, cujo gosto musical é duvidoso e totalmente diferenciado do pai.

Valeu o dia, valeu a festa e os abraços dos amigos presentes, só família deixo bem claro. Eu gostaria de estar com todos aqueles que me cercam e me trazem alegria durante o ano, mas muitos estão em programação conflitante com a minha para este início de 2010. Alguns estão em Guarapari, outros entre Atafona e Grussaí e muitos se dividiram por aí entre o litoral brasileiro e até mesmo o litoral dos Estados Unidos. Mas valeu mesmo o dia, foi muito carinho para comigo e muita alegria para os familiares do Adalberto, meus filhos e nora. Uma festa completa organizada pela Marina, minha companheira desde o início da década de 70.

Obrigado.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O ÚLTIMO DIA DE 2009

Hoje é o último dia do ano e por aqui, neste paraíso chamado Búzios, a comunicação continua precária e mesmo estando em um dos balneários mais famosos do mundo a modernidade foi deixada de lado em favor da tranqüilidade e da fuga da rotina nossa de cada dia.

Quem contratou? Quem dispensou? O que pensa o Flamengo? E o Americano, irá recomeçar os trabalhos visando o Estadual? Será que o Goytacaz irá resolver os problemas financeiros? E o Macaé Esporte trará alguns reforços de peso?

Não há respostas para tudo isto, ou melhor, não sei as respostas para tudo isto. Estou, como disse no texto de ontem, desplugado do mundo e fazendo um retiro para recarregar as baterias para mais um ano de pitacos e comentários sobre estes assuntos aqui no Blog do Penacho, no nosso Papo de Bola em O Diário, NF Esportes e Dois Estados.

Hoje é o último dia do ano. Dia de festejar e de curtir mais um ano de vida, o último da primeira década 00 em que tivemos a chegada do terceiro milênio, onde os místicos acreditavam que jamais chegaríamos. Hoje o Leandro chegou, trazendo consigo o trabalho do Justiça Desportiva, e para isto um canal aberto pela Internet através da Banda Larga de uma operadora de telefonia celular.

Agora já estou sabendo de alguma coisa, claro que também dei uma olhada no Lance, de ontem, mas as novidades são as mesmas da última segunda-feira, quando li um jornal atualizado pela última vez.

Vocês agora me desculpe, mas estou de saída. Vou a piscina dar uma molhada no corpo e após um mergulho refrescante uma caminhada até a praia de Geribá, aliás aqui estamos para esquecer tudo aquilo de ruim do ano, mas não posso me esquecer dos amigos que estão ligados no nosso papo do dia a dia.

O ano passou correndo, muito depressa e parecia que tudo conspirava a favor da chopada noturna, que iria esperar os fogos na orla Bardot e, quem sabe, com um pouco de sorte poderíamos ver o que estava preparado para Rio das Ostras e Região dos Lagos. Nossa casa, no alto de Búzios, tem uma visão espetacular de toda a orla marítima da região.

Nada melhor do que família reunida em torno de um evento especial. Há alguns anos que não tenho a companhia dos filhos nesta passagem de ano, mas cá prá nós, está faltando algo neste dia de confraternização: Faltam o Zé Luiz e o Eraldo, claro que ambos com suas turmas, com quem dividi durante quase dez anos, em Guarapari, litoral capixaba, as emoções de uma passagem de ano. Um abraço especial para esta dupla de amigos diferenciados.

O que fazer no dia seguinte, o primeiro dia do ano? Dormir até a hora do almoço ou acordar cedo para curtir o sol que poderá ser dos melhores, afinal a chuva que caiu durante todo à noite de 31 de dezembro não deverá se estabelecer durante a sexta-feira, primeiro dia da nova década.

UM PARAÍSO CHAMADO BÚZIOS

Há algum tempo atrás não era possível narrar aqui, neste Papo de Bola, um final de ano tão atípico como o que estou vivendo agora, em Armação dos Búzios, onde a paz e a beleza das praias me fazem esquecer de tudo e viver a vida, como os personagens da novela global, me desligando completamente do mundo da bola e dos simples mortais.

A visão de onde estou no momento é deslumbrante. O silencio é quebrado pelo barulho dos pássaros e os latidos dos cães, sempre vigilantes e prontos para defenderem as mansões de seus proprietários. São sete da manhã e a turma que me acompanha, ou que estou acompanhando, tanto faz a colocação da frase, ainda dorme embora tenha prometido acordar cedinho para chegar a praia de Geribá antes do movimento intenso do balneário.

Cheguei aqui na segunda-feira, 28 de dezembro, bem cedo e tive tempo suficiente para conhecer o ambiente e tomar conhecimento do entorno. As azulzinhas já estavam no freezer e o sol parecia querer ser nosso companheiro nesta semana de passagem de 09 para 10. Soa engraçado isto não? Um final de ano em Búzios com a família e os amigos é algo incomum nestes meus sessenta anos de vida.

Vai um buraco aí? Aberto ou fechado? Qualquer coisa. Jogue as cartas na mesa e vamos papear sobre o que deixamos prá trás nestes dias de desplugamento total. Os computadores não funcionam, alguém aí trouxe uma internet banda larga? Como a resposta foi negativa o jeito foi cair na prosa, como naqueles tempos de interior de Minas, para os meus companheiros de descanso, como também na minha terrinha lá no interior do Estado do Rio. Papo sobre a vida, recordações de nossos torrões e um pouco de volta ao passado, sem televisão ou qualquer outra modernidade.

Flamenguistas e cruzeirenses se encontram e tentam falar do Brasileirão, que acabou recentemente, mas o clima não estava propício para as discussões, no bom sentido é claro, sobre o velho e bonito esporte bretão. O papo de bola não fluía, talvez pela falta de motivação dos adversários mineiros, que no início da temporada era pule de dez para a conquista de mais um campeonato nacional. Na ausência das notícias do mundo da bola o prato principal passou a ser as viagens e as estórias sobre as andanças de cada um de nós.

O Ralph, sempre preocupado com vendas ou compromissos financeiros, nestes dias só tem pensado em sua Viviane, que desta vez está a seu lado por longos e maravilhosos dias de folga.

Continuo olhando o cenário buziano e nada se iguala a beleza deste lugar, pouco conhecido por mim e tão cheio de mistérios e paixões. Não sei se o Manoel Carlos está em um lugar como este aqui, onde narro este pequeno trecho, mas com certeza tem pela frente um vídeo sobre Búzios e suas belas freqüentadoras e de suas praias maravilhosas.

Prá quebrar a rotina fomos, ontem à noite, caminhar pela Rua das Pedras observar o ir e vir dos milionários e daqueles que, durante o ano inteiro, juntaram uma graninha extra para ficar entre celebridade do mundo televisivo ou endinheirados não tão badalados assim.

Certa vez um amigo me disse: Búzios é o lugar onde os ricos se encontram e os pobres os admiram. É a dura realidade. Restaurantes chiques, lojas elegantes e bares da moda são freqüentados pela elite e, no entorno do lugar, nas ruas paralelas ou transversais, os chamados emergentes se reúnem e dividem uma mesa de um boteco ou de um barzinho, sempre comandados por um gringo, onde dividem também a “dolorosa” conta do final de noite.

Notícias do mundo? Nem pensar. Um jornal foi aberto na manhã de ontem, rodou de mão em mão durante boa parte do dia, mas como todos nós, na véspera da viagem, tivemos acesso a internet e a televisão, o jornal já chegou como notícia velha.

Zezé, o cruzeirense, com sua Christiane, rubro-negra feliz, queria saber quais os reforços que seu time apresentaria na segunda-feira, de forma oficial. Gervásio Júnior, ao lado da indefinida Sheila, ainda comemorando o hexa, já sabia da renovação de Adriano e esperava o anúncio da contratação de Vagner Love. Foram as únicas palavras trocadas sobre o futebol e à noite, ouvindo uma MPB em um cantinho qualquer da Rua das Pedras, eu, Gervásio, o pai, Marina e Helena, tentávamos degustar uma comidinha nada comível, porém, tem sempre um porém, a companhia, a música e o lugar deixava este pequeno inconveniente de lado, já que a menina Maria Vitória era o centro de atenção de todos nós.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...