Pular para o conteúdo principal

QUARENTA ANOS DEPOIS

Na terça-feira fui premiado com um reencontro espetacular. Após a caminhada diária, já pertinho do Arisão, parei na farmácia para um dedo de prosa com o Rogério, que parado na calçada se refrescava sob a brisa que soprava na Rua do Gás. Papo rápido, para não atrapalhar na reta de chegada, e para minha surpresa um tapinha nas costas e uma pergunta:

- Está me reconhecendo?
- Me perdoe, não estou me lembrando.
- Sou Luciano Mercante
Bom, daí prá frente um forte abraço, um punhado de prosa e um baú de histórias foi aberto ali mesmo, em frente a Farma Goyta, ao lado do Arisão.

Luciano foi um dos bons amigos de infância e adolescência, filho do saudoso Humberto Mercante, o Noca, irmão do professor José Márcio Mercante, que por longos anos mostra seu conhecimento sobre matemática e física no Liceu e na Escola Técnica Federal de Campos.

Passeamos sobre o passado e falamos sobre os longos anos em que ficamos separados, eu disse que foram quarenta anos, mas o Nê, como o Luciano era chamado lá na terrinha, diz que são apenas trinta e cinco anos. Apenas trinta e cinco anos, meu caro Luciano? O importante é que voltamos a nos ver e, como ele está aqui pertinho do meu apartamento, é possível que daqui prá frente possamos falar mais sobre as nossas famílias, os nossos momentos em Miracema, as peladas e os grandes desafios que nos eram impostos pelos irmãos mais velhos do cara.

Aos amigos, leitores deste Papo de Bola, peço perdão por jogar minha intimidade prá vocês, porém, tem sempre um porém, todos vocês já tiveram esta alegria, rever um grande amigo após longos anos, e nada melhor do que botar pra fora toda emoção de um reencontro. Valeu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...