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MINHAS ANDANÇAS POR AÍ

Quando criança viajava muito para Laje do Muriaé, terra de minha mãe e onde moram primos maravilhosos. A fazenda do Paranhos, administrada pelo tio Tiãzinho, era o destino certo em todas as férias, o passeio à cavalo, os banhos nos açudes, as fugidas à noite para um cinema ou para assistir uma retreta da banda de música, eram feitas em charretes ou no lombo de um animal. De quando em vez este destino era mudado, dava uma chegada a Itaperuna, de carona com o Ernesto Meneguete, para ver os tios Climério e Kebinho, e os primos de lá, é claro.

O tempo passou e a vida seguiu em frente, mas o gosto por passeios em férias, ou mesmo fora destas, continuou, nem mesmo um período de reclusão em um colégio interno, em Pirapetinga, me fez perder a paixão por viagens, quando por ali visitei Recreio, com o amigo Mário, que dizem ser tio de Tiago Lacerda, o astro global, ir a Volta Grande com o Rogério, figura maravilhosa, que com o Gereba faziam a alegria do internato do Seu João Dominguez e dona Wanda.

Cantagalo fez parte da minha rotina do futebol, foram poucos meses, mas o suficiente para gostar e ficar apaixonado por aquela Região do Calcário, onde a Exposição de Cordeiro, a melhor do interior, bombava sempre e a presença por lá era quase que uma obrigação, mesmo com pouco dinheiro no bolso era possível descolar um lugar decente para dormir e uma carona para voltar para a terrinha, tinha sempre um conhecido e, naquele tempo, as amizades eram mais sinceras e não havia o medo que existe hoje em alojar um companheiro em sua casa.

Miracema é privilegiada em sua localização, eu sinto falta dos finais de semana em que dizia assim:
- Arrume as coisas e vamos almoçar em Leopoldina. E lá íamos nós pela estrada em busca de mais um lugar agradável para nosso cardápio de visitas. Dali um pulo até Muriaé, passando por Laranjal e retornando por Raposo, onde podíamos parar, comer e até dormir sossegado o sono dos justos.

Em outra semana, não necessariamente na seguinte, afinal a grana não era tão intensa assim, o destino era a Região Serrana, também naquele de vamos lá e voltamos. Almoço na Rosa Amarela, em Friburgo, passeio pelo Véu de Noiva, no retorno, ou um prolongamento até Teresópolis, onde pernoitávamos e no dia seguinte, logo pela manhã, descíamos a serra parando em Além Paraíba, já em Minas, para um churrasco em um dos restaurantes da cidade.

Viajar sempre foi uma diversão, claro que as estradas eram menos violentas e os carros menos agressivos do que os de hoje, o medo de agora me faz mudar o meio de transporte, optando por ônibus de turismo, como fizemos, eu e Marina, no início da década de 90, viajando pelo Sul do Brasil em passeio fantástico. Passamos dias maravilhosos em Porto Alegre, Gramado,Canela, Bento Gonçalves Garibaldi, Caxias do Sul, Coritiba, cidades desenvolvidas para receber o turista e que oferecem conforto e tranqüilidade, além da beleza naturais e comidas fantásticas.

Um final de semana em Cabo Frio, alguns dias de férias em Guarapari, um passeio a Marataízes, Rio das Ostras, Arraial do Cabo ou até mesmo ao litoral paulista, Caraguatatuba ou Santos, estavam em nossa programação de praias. O verão é prato cheio para quem gosta de sol e mergulho ou uma cerveja a beira mar. Praias do nordeste fizeram parte do nosso roteiro, Fortaleza e Natal foram as primeiras, ai já com a opção de ir em excursão pelo ar, que além de mais rápido é uma forma mais segura de viajar por este continente chamado Brasil.

São Paulo sempre foi uma opção agradável, principalmente quando convidados pelos amigos Kátia e José Maria de Aquino, sempre anfitriões do casal Dutra, com direito a noites incríveis ao lado de gente conhecida, deles é claro, ou de figurões da televisão ou do jornalismo esportivo. Célio Silva e Lidia são outros dois anfitriões espetaculares e me fizeram conhecer outra parte de São Paulo e as maravilhas de Porto Alegre, seus churrascos e suas tradições.

Voar para o continente europeu era o sonho de criança. Conhecer a Itália parecia que jamais seria concretizado. Um belo dia a surpresa: Um texto para a ESPN e uma passagem para o casal Dutra e lá fomos nós para Madrid, Espanha, para uma semana espetacular, com direito a conhecer a noite madrilenha, as belezas de Toledo e ver, de perto e ao vivo, o Santiago Bernabeu, templo do futebol e do Real Madrid, em um jogo clássico contra o rival Atético, claro que no dia seguinte o passeio pelo estádio era obrigatório.
Esta viagem foi o incentivo maior para a realização daquele sonho citado acima, ver o Coliseu, ir ao Santuário de Fátima, conhecer Paris e andar pela Europa como um turista qualquer. A idéia floresceu e quando a gente menos esperava lá estávamos nós, voando TAP até Lisboa, passando por Fátima, Madrid e Toledo, novamente, descendo a Cotè d’Azul entrando em Nice, passeando na pista de Fórmula Um em Monte Carlo, vendo de perto os castelos de Mônaco e, enfim, iniciando um passeio memorável, que se seguiu durante vinte e dois dias de setembro do ano passado.

A torre de Pisa, as estradas maravilhosas que ligam o interior a capital dos italianos, Roma bela e eterna, o encontro com o primo Miguel, em Latina, o Vaticano, a pizza, o vinho, as canções ouvidas nos longínquos anos 60, tudo estava ali, na minha frente. A visita a Florença, terra de grandes artistas, o passeio sonhado por Marina, na gôndola, em Veneza, faziam parte de nosso imaginário, porém, juro, não tínhamos a certeza de que um dia seria realizado, assim como jamais imaginei subir pelos Alpes Suíços, onde a neve e o frio já começavam a dar sinais de suas presenças. Zurique, Lugano, Lucerna e Berna me fizeram tremer e conhecer o tão badalado Hilton Hotel deixou muita gente boa de queixo caído.

Prá fechar nada melhor do que Paris, a Cidade Luz, o Louvre, os jardins de Versalhes, a torre Eiffel, o Park de Princes, o Arco do Triunfo e a certeza de que tudo isto não foi um sonho e sim mais uma destas andanças por aí, que não irão parar tão cedo. Enquanto houver um tempo de folga haverá uma viagem para conhecer um lugar interessante.

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