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Histórias das Copas - 1986

 SEU SONHO – MÉXICO 86

Em 1986, por conta de problemas políticos e de um clima de violência provocado pelos narcotraficantes, a Copa do Mundo foi retirada da Colômbia. Três anos antes da competição, em 1983, a FIFA voltou a indicar o México como sede.

Mas o México também teve que superar seu drama. Oito meses antes do início da Copa, a Cidade do México e outras regiões foram devastadas por um terremoto que matou cerca de 25 mil pessoas. Era o caos. Era dor. E, mesmo assim, emergiu a força de um povo que decidiu não desistir. O México seguiu em frente — e fez da Copa um símbolo de superação.

Do lado de cá, embalados pelo título de 70 e pela esperança renovada, os brasileiros invadiram o país. Filas em agências de viagem, bandeiras nas malas e o samba no coração. Guadalajara e a Cidade do México ganharam um tempero verde e amarelo, com torcedores tomando — no melhor dos sentidos — bares, ruas e estádios.

Foi, até então, a maior presença de brasileiros em uma Copa. E, para mim, teve um gosto ainda mais especial: até a minha querida “Santa Terrinha” mandou sua comitiva, liderada pelo inesquecível compadre João Moreno — padrinho do meu Leandro Dutra — que partiu cedo demais, mas deixou lembranças eternas.

Era o Brasil de arquibancada raiz: corneta, palavrão, cerveja sem medida e uma paixão que transbordava. Como dizia meu amigo de infância, Geneci Pestana, que ali vivia sua sexta Copa: era assim que se empurrava a Seleção rumo ao tetra.

Dentro de campo, foi a Copa dos fenômenos. De um lado, a encantadora Dinamarca, que surgiu como um furacão e conquistou a simpatia dos mexicanos. Do outro, um gênio em estado puro: Diego Armando Maradona.

Entre os favoritos, Argentina, França e Brasil mostraram força desde a primeira fase. O time de Telê Santana fez campanha impecável: três vitórias, nenhum gol sofrido. Passou pela Polônia com autoridade — 4 a 0 — e alimentou o sonho.

Até que veio a França.

O Brasil abriu o placar com Careca. Jogava bem. Dominava. Mas futebol, às vezes, é cruel. Michel Platini empatou. O jogo foi para a prorrogação.

Então veio o momento que até hoje aperta o peito.

Zico, o Galinho de Quintino, entrou em campo e, pouco depois, teve nos pés a chance da classificação. Pênalti. Silêncio. Expectativa. Mas o goleiro Bats defendeu.

Ali, o destino começou a mudar.

Na decisão por pênaltis, a França venceu por 4 a 3. Mesmo com Platini desperdiçando sua cobrança, o goleiro Bats brilhou novamente, defendendo o chute de Sócrates. E o Brasil — que até então encantava — voltava para casa mais cedo.

Foram quatro vitórias, 10 gols marcados, apenas um sofrido. Uma campanha linda… interrompida por detalhes.

Enquanto isso, Maradona escrevia sua obra-prima. Fez gol contra a Itália, protagonizou contra a Inglaterra dois dos lances mais famosos da história — a “Mão de Deus” e o gol mais bonito das Copas — e ainda marcou duas vezes contra a Bélgica.

Na final, conduziu a Argentina ao título.

E assim ficou México 86: a Copa da superação mexicana, da festa brasileira nas arquibancadas… e do gênio argentino que transformou o sonho em eternidade.

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