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Histórias das Copas - 1974

 PRIMEIRA NA ALEMANHA 1974

ALEMANHA 74 – O FIM DO ENCANTO

A turma da “Santa Terrinha” estava pronta para repetir a festa de 70. Mas, assim como o time de Zagallo, que seguia no comando da seleção brasileira, o nosso grupo já não era o mesmo.

Alguns amigos haviam ido embora, outros já estavam formados, trabalhando, cuidando da vida. Aquele bando que transformava vitória em carnaval fora de época começava a se dispersar. Eu, já noivo e com casamento no horizonte, ainda resistia. Fiquei encarregado de preparar os instrumentos — percussão, sopro, o que fosse preciso — para animar os jogos da primeira fase. Achávamos que viria mais uma festa.

Havia expectativa, claro. O Brasil vinha de uma conquista gloriosa no México e, mesmo sem Pelé, ainda tinha um time respeitável: Emerson Leão, Paulo César Carpegiani, Ademir da Guia, Roberto Rivelino, Jairzinho. Ainda éramos vistos como favoritos.

Mas quando a bola rolou… a máscara caiu.

O ano de 1974 também pesava fora de campo. O general Ernesto Geisel assumia a presidência, o “milagre econômico” dava sinais claros de esgotamento, a inflação apertava e o país começava a sentir mudanças no ar. Era outro Brasil — e talvez outra seleção.

Dentro de campo, a festa foi murchando jogo a jogo.

Empates sem graça contra Escócia e Iugoslávia. Nenhum gol, nenhum foguete, nenhuma emoção. Contra o modesto Zaire, um 3 a 0 que mais aliviou do que empolgou. Classificação arrancada mais pela fragilidade do grupo do que por mérito.

Fomos para a segunda fase ainda com alguma esperança. Pegamos a Alemanha Oriental e vencemos por 1 a 0, gol de Rivelino. Mas já não havia entusiasmo. A verdade é que, naquele ponto, muita gente da turma preferia bater uma bola no Ginásio ou no Rink a assistir aos jogos na televisão. O feriado ajudava… e a pelada parecia mais interessante que a seleção.

A única explosão de alegria veio contra a Argentina: 2 a 1. Ali sim, por alguns minutos, a cidade reviveu 70. Foguetes no céu, gritos nas ruas. Mas foi só.

No jogo seguinte, contra a Holanda — o grande fenômeno daquela Copa — ficou claro que algo estava errado. O Brasil entrou com um esquema ultrapassado, sem entender o chamado “futebol total” dos europeus. E ali se encerrou qualquer sonho.

Com um futebol burocrático, distante da magia de 70, o Brasil terminou em quarto lugar, derrotado pela Polônia por 1 a 0.

Enquanto isso, a dona da casa, a Seleção Alemã Ocidental, conquistava seu segundo título mundial ao vencer a Seleção Holandesa por 2 a 1 — frustrando a equipe que encantou o mundo.

E havia também um símbolo dessa mudança: como o Brasil ficara em definitivo com a Taça Jules Rimet em 1970, a FIFA apresentou um novo troféu. Nascia ali a atual Copa do Mundo.

O encanto tinha acabado.

E, pela primeira vez, a gente percebeu que nem toda Copa termina em festa.



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