Tenho uma grande responsabilidade aqui no Dois Estado e no meu blog, narrar um caso verdade, criar causos em cima de fatos reais, e jamais distorcer a verdade, mas ultimamente, após vários elogios recebidos dos leitores, estou com dificuldades para conseguir contar outras histórias, meu repertório está chegando ao fim.
Minhas visitas a Miracema, para ouvir de leitores e amigos alguns casos. que possam ser transformados em crônicas, estão escassas, então tenho fugido da rotina e escrito mais no pessoal, casos de viagens e do repórter esportivo que fui, e busco, sempre, na memória para ver se encontro um novo roteiro para ser desenvolvido.
Falei demais sobre meu amor pelo Jardim de Miracema, principalmente do Rink, onde eu e minha turma vivemos anos e anos de gloriosa convivência, contei sobre o nosso futebol, que foi épico durante todo o meu tempo dentro de campo ou na "latinha" da nossa rádio Princesinha do Norte, falei dos Festivais de Canção, dos bailes da vida, dos grêmios, dos bares e dos petiscos e sorvetes da Rua Direita.
Contei casos de grandes figuras da cidade, falei daqueles anônimos brilhantes e coadjuvantes de uma bela história de Miracema, falei de ricos e pobres, famosos ou simples mortais, políticos, policiais, autoridades e até mesmo dos padres holandeses, tudo isto que escrevi aqui nas colunas fizeram parte de minha vida e de meu mundo miracemense e estão gravados no meu chip de memória e jamais serão detonados porque ninguém tem a chave ou a senha para entrar no computador do meu cérebro.
Tenho muita saudade daquilo que eu considerava bem legal, sentar nos bancos do jardim para fazer uma roda de música ao som de um violão, de andar pela Rua Direita, ao lado de minhas amigas para falar da vida e do futuro, sair da seção das seis, no Cine XV, com meus amigos, para sentar na Sorveteria Miracema, do Abdo Nassar, pegar uma "vaca preta" e esnobar junto as meninas que passavam pela calçada a olhar para ver quem estava por lá, claro que não era para mim que olhavam, nunca fui um garoto disputado por elas, muito pelo contrário 99% delas me viam como um grande amigo ou um confidente leal.
Sobre as peladas do Rink ou do Ginásio não vou ser insistente, já falei demais, sobre os bailes do Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira, o famoso GEAO, do Nossa Senhora das Graças, já contei aqui que foram os melhores momentos da minha geração, não há um sessentão, ou quase setentão, que não se lembre das músicas, dos personagens daquele espaço e dos grandes momentos ali vividos. Ah! Tudo bem, quem não participou destes momentos é porque vivia em outro mundo, bem diferente do nosso e perdeu uma das sete maravilhas de Miracema de todos os tempos.
Falei de meus professores, queridos mestres que jamais serão esquecidos, tenho até mais histórias sobre eles, que em breve estarão se transformando em crônicas, mas para isto preciso de algumas confirmações, algumas conversas com amigos daquele período escolar e aí sim, com as autorizações para conta-las no bolso eu as transformarei em textos legais, pelo menos eu acredito que sejam, e voltar a ser o contador de histórias oficial da cidade.
Enquanto isto não acontece vou enchendo linguiça ou falando de algo que me agrada e deve desagradar uma boa parte dos meus leitores, que devem me perdoar por isto e tolerar este momento de narrativa na primeira pessoas. Combinado?
Canal do Dutra: Uma conversa de bola, viagens e do cotidiano. Aqui posto vídeos, crônicas e converso com vocês.
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Conhecendo Portugal - De Lisboa a Cidade do Porto
| Praça do Comércio - Lisboa |
Claro que quem me acompanha sabe dos meus destinos favoritos, Europa é sempre um convite e não perco uma oportunidade de voltar ao Velho Continente, conheci muitos países e alguns repeti a visita como Espanha, por três vezes, Portugal, França, Itália e Alemanha em duas oportunidades e outros, como Inglaterra e Suíça eu penso em retornar se houver tempo de vida suficiente.
Portugal é um destino certo para quem pretende começar um giro pela Europa, claro que Lisboa, Porto, Fátima, Braga são os principais destinos, mas é preciso olhar com carinho o roteiro e pensar bastante antes de fechar o pacote para terras lusitanas e escolher bem o roteiro e não entrar na onda das operadoras, bom demais ir com elas mas evitando o corre corre e as visitas rápidas a estes lugares fantásticos.
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| Torre de Belém - Lisboa |
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| Monumento ao descobrimento |
Padrão dos Descobrimentos, monumento construído em 1960 no local de onde partiram as caravelas de Pedro Álvares Cabral e de Vasco da Gama nas suas grandes viagens dos descobrimentos, Mosteiro dos Jerônimos, construído no séc. XVI por ordem de D. Manuel I, obrigatória a visita a belíssima igreja de estilo manuelino, Bairro de Alfama, o mais antigo ainda com aspecto medieval, Baixa Pombalina, bairro comercial reconstruído após o grande terremoto de 1755.
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| Santuário de Fátima |
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| Estreitas ruas - Óbidos |
Viram que Lisboa tem muito a nos oferecer e o porque voltei lá em duas viagens e até penso em fazer uma terceira para incluir outros lugares, como Aveiro, Guimarães e descer o Rio Tejo ou o D'Ouro, em barcos de turismo preparados para este passeios. Mas seguindo em frente e deixando Lisboa para trás, chegaremos a
cidade do Porto, mas antes vá em direção a Óbidos.
Em Óbidos é obrigatório andar a pé pelas estreitas ruas e pequenas praças, a fim de conhecer esta belíssima vila, considerada um dos melhores exemplos de cidadela medieval na Europa, de lá viagem segue para Fátima, visita ao Santuário, um dos principais locais de peregrinação do mundo.
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| Universidade de Coimbra |
| Porto - Aqui está o coração de D.Pedro I |
E finalmente, no final do dia, a cidade do Porto. Situado na margem direita do Rio Douro, o Porto é a segunda maior cidade do país e capital regional do norte. A cidade prosperou com o comércio marítimo, devido à sua localização junto à foz do Douro e, mais tarde, tirou vantagem das riquezas geradas pelas descobertas marítimas dos sécs. XV e XVI. No séc. XVIII iniciou-se o comércio de vinhos com a Inglaterra e, desde então, o famoso Vinho do Porto nunca mais deixou de ganhar fama a nível mundial.
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
Causos de Viagem = A primeira vez ninguém esquece
Ontem cheguei do Paraná, visitei Curitiba, subi e desci a serra até Morretes, passei por Antonina e voltei para a capital feliz da vida, cheio de histórias destas duas cidades mais do que centenárias, ambas remontam do século XVII, se minha memoria não me traiu, e ao chegar à casa agradeci a minha Protetora Nossa Senhora, minha mãe, e ao meu Santo Papa João Paulo II, meu protetor nas viagens que faço, por mais um destino e por mais um sonho de infância conquistado. E hoje, logo pela manhã, ao visitar a turma da fila do pão, JR queria saber quantas viagens e se ainda batia aquele medo na hora de embarcar do avião. - Quantos anos viajando, meu caro Dutra? Quis saber o amigo que descobriu meu blog e está "devorando" meus causos de viagem que venho narrando há algumas semanas.
Antes que eu dissesse que meu primeiro, dos cinquenta voos completados neste último passeio, foi para Cuiabá, em dezembro de 1979, e felizmente o voo fazia duas escalas, o que foi legal para eu sentir o clima do sobe e desce e respirar um pouco em Congonhas, saímos do Galeão, e após nova decolagem mais um tempo e outra aterissagem, desta vez em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Ele queria saber se houve algo interessante neste voo para eu contar e no mesmo momento, claro, inesquecível o voo por ser o primeiro e por ter, a meu lado, a partir de São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, a companhia de uma modelo, já internacional, linda e despojada, que começava a trilhar um sucesso tremendo. - Quem? Quis saber o gerente Marcinho, da nossa padaria.
Nem deu para o suspense, Edu, JR, Gastão e até a Olga, vizinha da Olvídio Manhães, não deixaram sequer eu respirar para dizer que a modelo era a Xuxa, ela mesma, linda e maravilhosamente livre, leve e solta em todos os sentidos, que me fizeram pregar os olhos na sua beleza e, fingindo ler o jornal que me ofereceram, esqueci até de virar a página, para gargalhada de Marina no final da viagem.
De lá para cá foram cinquenta voos e um punhado de histórias e gente famosa, como na segunda ida a Cuiabá, dois anos depois, quando tivemos a espetacular Bruna Lombardi no nosso voo da voadora, já fora dos céus brasileiros, Transbrasil, pena que foi até São Paulo e não pude desfrutar da companhia da pequenina e bela atriz brasileira,que naquele ano era sucesso na novela Aritana, na Bandeirantes.
Ah! Tudo bem, não vou contar mais por hoje, segundo JR só falei isto para tentar convence-lo de pegar um avião e realizar seu sonho impossível, não por falta de vontade ou de condições financeiras, simplesmente por medo ou, como ele diz, falta de coragem. porém, tem sempre um porém, JR tentou sair pela tangente:
Se eu tivesse a certeza de que viajaria ao lado da Xuxa ou da Bruna Lombardi eu embarcava hoje mesmo, tomava umas dez doses de cachaça e subiria as escadas de algum avião, até da Panair do Brasil.
Gargalhadas finais porque o pão saiu quentinho, e moreninho, e cada um foi para casa tentar realizar seus sonhos o mais breve possível.
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Causos de viagens - Dois hermanos no Bernabeu
Alguns amigos me cobram por não falar de Miracema nas últimas colunas, e a eles respondo, sem medo de ser feliz, que contei o que sabia e teve até "licença poética" para contar algumas passagens interessantes da cidade, acontece que meu chip de memória está cheio, meus causos estão encerrados e não dá para falar sem repetir assunto ou personagens, como já tem ocorrido já faz algum tempo.
Por isto resolvi mudar o rumo da prosa, falei de viagens, casos verdades e alguns também com a já conhecida "licença poética", e o que é licença poética, segundo os autores de novelas e contos, são versões de casos reais, com um preenchimento por conta do autor mas sem fugir da realidade, como nos meus casos contados por aqui, todos reais, mas as vezes alguns diálogos são colocados para ilustrar as histórias contadas.
Como por exemplo esta, em Madrid, onde vi Zidane, Ronaldo. Roberto Carlos, Beckhan e outros craques galáticos daquele Real Madrid que vi, ao vivo e a cores, no Estádio Santiago Bernabeu, sentado em um lugar privilegiado, a dois metros do campo de jogo, onde o ingresso custou, para a Espn nada é claro, mas para os dois irmãos que estavam ao meu lado, dois espanhóis, a bagatela de 145 Euros, e isto no já distante ano de 2005.
Assistíamos, eu e a turma de premiados do concurso da Espn Internacional, Real Madrid x Atlético de Madrid, o maior clássico da cidade, tipo Fla-Flu ou Corinthians x Palmeiras, ou Gre-nal, Atle-tiba ou Galo x Raposa, entenderam bem? Pois é, final do primeiro tempo os dois manos subiram até o bar para buscar sanduíches e cerveja, fizemos o mesmo e lá fomos nós buscar algo para matar a fome.
E foi neste retorno que descobri que a educação do Europeu é bem diferente da nossa, os dois estavam sentados na nossa fileira, tentarei explicar: Um na cadeira 140 e outro na 143, ou seja, um, eu, Marina e o outro, e estavam dividindo o sanduba e a cerveja de longe, no sacrifício e então se deu um entendimento entre nós.
Em um "portunhol" que dava para nos entendermos, disse ao que estava a meu lado. - Cambiamos de lugar, fique ao lado do hermano, disse eu.
Ele, mostrando o bilhete, com o número da sua cadeira, me disse: - Não, não podemos cambiar, compramos estes números e devemos ficar neste lugar.
- Tipicamente civilizado, lá no Brasil você compra um lugar marcado e quando chega tem um cara em pé, tomando conta de sua cadeira, disse eu tentando novamente convence-los a trocar de lugar e se sentarem juntos.
Depois da interferência de nossa guia, que falou com ele, em espanhol correto, de nossa intenção, eles resolveram trocar e se sentaram juntos, e, para minha surpresa, o mais velho subiu novamente as escasas e voltou com dois belos sanduiches de Jamom, o presunto de pata negra, o melhor do mundo, e um baita copo de cerveja e outro de refrigerante, e daí até o final do jogo parecíamos amigos de infância e nos entendemos bem até hoje, falamos pelas redes sociais porque aqueles quarenta e cinco minutos do segundo tempo foram suficiente para nos entendermos e trocarmos endereço de e-mail.
Entenderam como é a tal "licença poética", o fato é real e o diálogo fica por conta da nossa imaginação e correção. Vou continuar contando outros causos até que volte a "terrinha" para carregar novamente o chip da memória.
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