segunda-feira, 23 de abril de 2018

Festa na "terrinha" e o que vamos comemorar?

Chegando mais um aniversário de Miracema, no próximo dia 3 de maio a cidade completa 82 anos de vida e,  com todo respeito, com uma cara de 164 anos. Explico: Deixaram a cidade precisar de geriatras, ela, que parecia pulsar nos anos 30/40 e até a última década dos anos 1970, está vazia, carente e precisando urgentemente de uma repaginada e uma restauração. 

O esporte, que sempre foi meu carro chefe, se não está agonizando está pedindo socorro já faz um tempão, a educação, orgulho do município por anos a fio, já soltou o pedido de SOS há anos e se mostra cansada e precisando de um novo caminho. A saúde é melhor nem comentar, está praticamente acéfala e se não fosse os grandes médicos, abnegados e humanitários, a situação estaria bem pior do que estamos vendo na cidade. 

Não moro mais na nossa "terrinha" e quando me perguntam se volto eu já nem respondo mais, antes até dava um prazo para meu retorno, porém, tem sempre um porém, com o passar dos anos e necessitando sempre de um atendimento médico mais completo, desisto de pensar no tão sonhado retorno a terra amada e idolatrada, que pede um salve... salve quase todos os dias. 

Já fiz várias crônicas enaltecendo o que tínhamos e o que perdemos, em uma delas faço um relato sobre o desaparecimento de 99.9% do comércio e indústria da nossa principal rua, a Marechal Floriano, a famosa Rua Direita, e desde lá da esquina, onde havia o Café Moka, passando pela Fábrica de Tecidos, Hotel Assis e entrando na Rua Direita, propriamente dita, há um vazio total, se não me falha a memória apenas o Rei dos Barateiros ainda está em funcionamento e e a Farmácia Tostes, agora em vários pontos da cidade. 

Do Esportivo, Tupã, Miracema FC, Operário, Bandeirantes, Vasquinho, Sereno, Flamenguinho e tantos outros que um dia fizeram o povo lotar o Estádio Plínio Bastos de Barros, na Rua da Laje, o que temos hoje? Respondam vocês, que ainda moram na Terrinha, porque eu, cá de longe, sei que Tupã e Esportivo se fundiram e nasceu a Associação Atlética Miracema, que já deixou de existir, que o Miracema, pós falecimento do seu líder, Jair Polaca, não deu mais as caras no mundo da bola, Vasquinho, Sereno e Flamenguinho já não existem mais e não tenho notícias do Bandeirantes e do Operário, como estão? ´

A Sociedade Musical XV de Novembro ainda está de pé, felizmente, mas a sua Banda de Música já não existe mais, apenas o Clube XV está vivo e ainda em plena atividade, já na Sociedade Musical 7 de Setembro se dá o inverso, o clube fechou mas a Banda continua ativa e em plena forma, claro que carente de recursos e fadada ao esquecimento em breve. 

Mais um aniversário chegando e o que há para comemorar? Vou até aí para festejar a data e ajudar meus amigos do grupo "Em Miracema ou no cinema..." a chorar de saudade e reviver tudo aquilo que não temos mais e que não caberia aqui na coluna. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Um longo mês de luto na terrinha

Há muito tempo não vejo tanta tristeza na nossa "terrinha", o luto parece constante e o coração das famílias miracemenses está sofrendo a cada semana com perdas de grandes amigos e personalidades importantes da nossa coletividade.

Em pouco menos de um mês quatro "bombas" torpedearam meu coração machucado e safenado, que foi impactado com a notícia da morte de Evandro Derossi, companheiro da bola e um empresário de sucesso na cidade, e saí para mais um giro pelo mundo ainda consternado pelo seu passamento quando, no momento do embarque, no Aeroporto de Guarulhos, São Paulo, recebo, via watzapp, a notícia da "morte" de Monteirinho.

Minutos depois recebo o comunicado do meu filho, Ralph, que Antonio Carlos Monteiro não teve morte confirmada, porém, tem sempre um porém, seu quadro era irreversível, como o da minha irmã Eliane, ambos sobreram quedas em escada e tiveram morte instantânea porém só confirmada dias depois, a do Monteirinho foi confirmada quando chegava ao hotel em Roma.

Miracema chorava as mortes de dois grandes amigos, Evandro, mais jovem, comerciante de sucesso na cidade, recuperou a Loja do Zé de Assis e a fez novamente um ponto de referência na região, Antonio Carlos Monteiro, por longos anos agente do INPS, ou INSS na era moderna, era um miracemense ativo,participante, generoso com seus amigos e conterrâneios e um amante da boa música e das serestas.

E foi justamente em  uma destas reuniões,promovidas por ele, em um bar do Mercado Municipal, que me despedi do amigo ao som das serestas, dos violões e da boa música, e senti o amigo ainda triste e amargurado pela perda de sua Lena, amada esposa e mãe de sua filha Gisele, por quem nutria amor profundo e verdadeiro.
Andei por terras italianas e por onde passava, principalmente nos momentos em que ouvia a tradicional música do país, lembrava do Monteirinho, frequentador assíduo de Consevatória, terra da serresta, e que gostava de Pepino di Capri e Luciano Bruno, o mais brasileiro dos intérpretes italianos. Monteiro é saudade como é saudade o craque Evandro, que quando jovem vestiu a camisa do Paraíso FC com talento e muita classe.

Cheguei ao Brasil com intuito de eniar mensagens a Gisele Monteiro, a filha do Antonio Carlos, e ao pisar em Belo Horizonte, onde fui para visitar uma outra Gisele, a minha filha, vem mais uma daquelas bombas que citei no primeiro parágrafo. E, novamente, via redes sociais da Internet, vem a notícia  de que Marília Farage Pereira nos deixou.
E o tal "meu Deus" chega acompanhado de lágrimas e de lembranças da amiga, minha professora no Curso Normal, no Miracemense, e companheira do basquete, ela foi uma das grandes atletas do esporte da cesta, comandada pelo professor Nésio Castro, nos anos 1960, e que fez parte de minha longa lista de amigas leais e sinceras.

Lá foi Marília Farage ensinar lá no andar de cima, e desta vez não foi sozinha, a notícia quando vem, vide Evandro e Monteirinho, chega sempre acompanhada e desta feita, após uma semana, no momento em que chego a Campos, vem de lá da terrinha mais um bombástica notícia: "Morreu José Viana!" E aí o coração já doído dispara e nem sei se tive mais lágrimas para verter no momento, mas com toda certeza, vesti novamente o luto e a dor foi a mesma das três devastadoras informações passadas nestes últimos vinte dias.

Zé Viana fez parte da minha vida musical, foi meu incentivador, professor, companheiro de bons momentos nos seus conjuntos, chamado simplesmente de "Zé Viana e seu conjunto", coisa simples como ele e que formou com alguns amigos e lançou jovens talentos da cidade, como o meu xará, Adilson Cagiano, na bateria, Breninho Perisè, na guitarra. e ao lado dos veteranos Chico, Lula e Valdemar, abrilhantava os bailes nos clubes da nossa Miracema, principalmente para os mais humildes que frequentavam o Polaca e o Clube Operário.

O espaço acabou e poderia ficar aqui falando um tempão destes quatro personagens que foram embora neste período de março/abril e contar inúmeras passagens minhas com eles, mas fica o registro e a certeza de que perdi quatro grandes amigos e que Miracema perdeu quatro grandes filhos ilustres e queridos por todos seus cidadãos.

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...