terça-feira, 26 de julho de 2016

Meu adeus ao amigo Erasmo

Há alguns dias atrás perdemos um grande miracemense, aquele que nos contava as histórias, narrava causos e casos e falava de cada um dos personagens desta cidade com orgulho e competência. Perdemos um amigo, um irmão, um cara que era referência na Rua Paulino Padilha e que estava sempre pronto, com um sorriso no rosto, para uma prosa sobre qualquer tema. 

Há alguns dias atrás Miracema perd eu um filho querido, que muito fez por ela, aquele que narrou em livros e crônicas cada um dos seus oitenta anos de historia, que ninguém como ele sabe ou saberá conta-las. 

Há algum dias atras perdemos um homem de postura impecável, todos nós temos momentos ruins e vivemos altos e baixos na vida, mas poucos sabem como enfrentar os problemas e sair deles como se nada tivesse acontecido e,  com toda certeza, com a moral intocável e que fez dos momentos ruins a força para superar obstáculos e viver intensamente para a família e amigos. 

Há alguns dias atrás a Maçonaria perdeu um dos seus mais ilustres irmãos, venerável de fala serena e de pulso forte. Perdeu a cidade, perderam os maçons e ganhou o Grande Arquiteto do Universo um grande irmão para seu reino eterno. 

Há alguns dias atrás perdemos José Erasmo Tostes, amigo de meu pai, amigo de meu avô, com toda alegria do mundo eu digo, meu amigo particular e um grande incentivador de minha carreira no banco e no jornalismo. 

Há alguns dias atrás eu perdi um incentivador, José Erasmo Tostes, ou simplesmente Erasmo para todos nós, que sempre tinha uma palavra de incentivo sobre minha vontade de escrever, sempre com um elogio para meus textos e com rascunhos dos cálculos de custos de um possível livro que eu um dia pretendo publicar. 

Sua amada e querida esposa, minha professora no primário, já havia partido, a morte de Dona Nilcéia deixou Erasmo triste mas nunca perdeu a postura elegante de tratar seus amigos e irmãos e seus filhos, Cícero e Eraceia, sempre estiveram a seu lado, confortando o pai pela irreparável perda da esposa, mas a lacuna ficou machucando aquele bom. coração que parou há alguns dias atrás. 

Sou do tempo em que o pai de Erasmo, um Seu Cícero, nos recebia em sua casa e na sua loja para doce, comprado sempre no Caboclo ou no Garibaldi, e por ser amigo do Roberto, o nosso Pernoca, convivi intensamente com Erasmo desde em que eu era criança pequena em Miracema. 

Queria falar mais, achar mais motivos para elogiar o amigo e irmão José Erasmo Tostes, mas creio que a sua boa passagem por aqui, sempre fazendo o bem, já foi o suficiente para lembrarmos dele eternamente. Ide em Paz, meu caro amigo, que o Senhor te receba de braços abertos em sua nova morada. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Gol feio não tem valor, mas gol perdido é comemorado

Um gol, segundo Dario, não é feio, e, confirma o Dadá Maravilha, feio é perder o gol. E tem aquela história, da Copa 1970, aquela jogada que Pelé não fez, contra o Uruguai, e ainda aquela jogada mítica, copiada por muitos e acertadas por muitos, contra a Tcheco-Eslováquia, lembram daquele chute do meio campo? 

Pois é, tem aquele gol de mão, aquele gol com a ajuda do gelo, marcado pelo Dé Aranha, outro com ajuda do apito amigo, e muitos feios que deveriam nem ser citados ou gravados para os programas da noite ou do dia seguinte. 

Gol é gol, jogada bonita é apenas um detalhe, segundo Dario, o que vale é bola na rede para os comentaristas especializados. Eu, como muitos centro avantes ou atacantes do nosso futebol, já fiz muitos gols bonitos, gols em impedimento, gols feios, gols de tudo quanto é jeito, mas não me recordo de nenhum golaço aço aço aço que poderia ter sido narrado pelo espetacular Jorge Cury. 

Já vi muitos gols feitos, aqueles que "até a vovó faria", sendo desperdiçados por craques ou artilheiros, como nos últimos jogos do Flamengo, no ano passado, quando os cabeças de bagre do time fizeram de tudo para não fazer um gol sequer nos grandes rivais. Já vi companheiros chorando por um gol perdido, já vi histórias contadas, mentindo, sobre um gol que ninguém viu mas que o goleador garante ser verdade. 

Agora, cá prá nós, que ninguém nos ouça, sair de campo comemorando um gol perdido, daqueles chamados "feitos", vi, pela primeira vez, no sábado, na pelada do primo Márcio Baby, em Laje do Muriaé, contra os veteranos de Vitória/ES. 

Sentado estávamos, eu mais dois companheiros de Leopoldina, assistindo a bela pelada, e em uma jogada de gênio, de atacante que sabe das coisas, Hamilton Marques, meu velho e querido amigo Bita, recebeu o cruzamento, matou na caixa, chapelou o primeiro, chapelou o segundo e... 

No momento em que estava ele e o goleiro, um branco, ou seria falta de pernas ou raciocínio devido ao pedo da idade e do calor forte da tarde de sábado, Bita olha para o arqueiro e manda nas mãos do camisa um com um peteleco digno de um molecote de cinco ou seis anos. 

Mas, sem querer dar uma de entendo ou ser defensor do amigo Bita, a jogada foi digna de ser narrada por um Waldir Amaral e assinada pelo Marcelinho Carioca, lembram daquele gol de placa lá em Santos? Pois é, se entra seria igual, mas como a torcida era de apenas dez ou quinze amigos, o melhor  mesmo foi ele perder o "golaço aço aço" porque quem iria aguentar o pós pelada? 

Beleza, professor Hamilton, vai entrar na história. Será que alguém gravou? 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...