sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Use e jogue fora


Walcyr Carrasco, o novelista global que também é jornalista e cronista da Revista Época, comenta esta semana sobre “use e jogue fora”, com relação a conserto de eletrodomésticos. Ele conta, em seu texto, que mandou consertar um videocassete e o preço, cerca de 25% do valor e isto me fez voltar ao tempo, em parte muito distante e em outra parte há alguns meses passados.

No passado, ainda aí na terrinha, meus aparelhos eletrônicos estavam sempre em pane, o Miguel Magaldi, meu anjo da guarda para estes assuntos, dizia que o motivo de tanta queima ou estrago era a instabilidade da energia fornecida pela Força e Luz, depois Celf, Cerj, etc e tal, mas sempre resolvia as questão em minutos. O Miguel Magaldi era um gênio, destes que a gente só vê de quanto em vez por aí afora.

Mais um tempo e entrei na era do rádio de pilha, fanático por futebol e com o radinho de pilha sempre debaixo do travesseiro nos jogos noturnos, semana sim e semana não lá estava eu na oficina do Zé Viana procurando socorro para as quebras dos meus radinhos, frágeis e já naquele tempo descartáveis.

O novelista diz que não vale a pena consertar, vou, mais abaixo, concordar com ele, mas naquele tempo de vaca magra, bota magra nisto, não tinha jeito e pedir socorro ao Miguel Magalde e ao Zé Viana era tão normal quanto ir a padaria do Adelino levar os bolinhos para assar e voltar comendo um pão de milho.

O tempo passou e por aqui, em Campos, cheguei e não encontrei os meus anjos da eletrônica e o resultado foi desastroso. Pagava caro por um conserto e não conseguia um profissional decente, como os dois amigos da terrinha, e me via sempre enganado e perdendo dinheiro a rodo. 

Isto foi acontecendo até que um dia, necessitando de um rádio com urgência para ir trabalhar em um jogo noturno, no Estádio Ari de Oliveira e Souza, fui a oficina e pedi para o moço arrumar meu Mitsubishi, presente do meu tio Clery, e o cara me cobrou um preço absurdo para consertar. 

Sai dali e fui até a Arapuã, ainda existia esta rede de lojas, perguntei quanto custava um semelhante e o vendedor me veio com um igual, um Mitsubishi moderno e igualzinho ao que estava lá na oficina e o preço, acreditem, menos cinco reais do que o conserto.

Voltei até lá e perguntei ao moço: - Quer comprar o meu radinho? Ele disse que poderia pagar apenas dez reais por ele. - Fechado. Vendi por dez pratas o velho rádio e com defeito e voltei a loja e paguei quinze pelo novo.

Então, daí prá frente, jamais voltei a uma oficina para consertar qualquer coisa que seja. No último mês do ano passado, já chegando o Natal, minha tevê queimou e fui procurar a oficina só para saber o quanto custaria o serviço. Fiz as contas, o orçamento beirou a casa dos mil reais, e resolvi comprar uma nova, por mil e duzentos, em dez vezes, e presenteei meu instalador de antenas e quebra galhos para o serviço televisivo com uma TV LCD 42” queimada, que ele mesmo arrumou e está funcionando até hoje.

Então, Walcyr Carrasco, o senhor está completamente certo e mandando recado correto para seus leitores e seguidores nas redes sociais. Não conserte nada, compre um novo e serás muito mais feliz. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Saudade é coisa do passado?


Hoje, pela manhã, abri um dos elementos da rede social, o Facebook, e deparo com uma mensagem de um velho amigo e conterrâneo pedindo para eu enviar um e-mail para um parceiro, que não vejo há mais de trinta anos, para que possamos marcar um encontro, em Niterói, para matar a saudade. 

Fiquei feliz momentaneamente. Fiquei sem palavras para responder e não sabia o que dizer neste momento. O que faria você, caro leitor, se alguém te convidasse para ir a uma outra cidade, para ver um companheiro distante e ausente da “terrinha” por longos e longos anos? Não sabe? Eu também não sabia o que fazer, mas pensei bem e decidi em apenas cinco minutos.


Não enviei o tal e-mail para o conterrâneo distante e ausente, enviei resposta ao amigo presente e que sempre marca presença aí na “terrinha” dizendo que era bem melhor a gente se encontrar no jardim de Miracema, sentarmos ao banco em frente a Fonte Luminosa e ver, de pertinho, o Jardim de Infância e o Rink tão saudoso do moço distante. 


Tem distantes e “distantes” na minha lista de amigos e companheiros. Tem aquele, que por força da verdadeira distancia, louco para voltar, pelo menos para passar quarenta e oito horas ao lado de amigos de longa data, e tem aqueles, que por falta de vontade ou por um motivo especial, se afastaram e jamais voltaram a colocar os pés na Rua Direita tão cantada em verso e em prosa nas reuniões nas cidades que escolheu para viver.


Eu disse, no dia em que recebi o título de Cidadão Campista: “Ninguém escolhe o lugar para nascer e sim o lugar para viver, mas rejeitar o lugar de nascimento e abandonar suas raízes? Jamais. O lugar que escolhemos para viver deve ser amado com a mesma intensidade que amamos o lugar onde nascemos”.


Mas nem sempre as pessoas pensam igual, há aquele que não está nem aí para o passado e outros que “se matam” para reviver, nem que seja por alguns momentos, um pouquinho de sua vida no torrão natal. Sei que há um pouco de exagero de minha parte, mas é preciso motivo muito forte para abandonar tudo e nunca pensar em rever aquele pedaço de chão que o acolheu na infância ou na juventude.


Como esquecer das peladas no Rink ou no Ginásio? Como deixar de lembrar aquela seção de cinema no Quinze ou no Sete? Como fazer uma revisão na memória e não lembrar dos papos em frente a Líder ou no Crédito Real, dos passeios pela Rua Direita, o sorvete no Abdo ou o lanche no Bar Pracinha?


Como não lembrar dos treinos de basquete com o professor Nézio ou do Esportivo/Vasquinho com o Bizuca ou com o Jaci? Tem gente que apaga tudo da memória por anos seguidos e, sei lá porque, de repente fica louco para ter um dedo de prosa com alguém que viveu este tempo de glória e começa a procurar, avidamente, por um momento de recordação.


Ah! Tem aqueles que são lembrados durante os festejos de maio, quando a cidade fica em festa por conta de seu aniversário de emancipação, que chegam por aqui praticamente na hora do evento, recebem o título ou a comenda, fazem discurso bonito e se mandam novamente sem  sequer sentar no banco do jardim para uma reflexão ou discussão consigo mesmo sobre seu passado por aí. 


Não recuso convites para visitar a “terrinha”, mas não me convidem para uma reunião, longe do meu pedaço, para rever amigos ou companheiros distantes, aqueles que não encontram tempo para matar a saudade que dói no peito ou para matar a saudade de quem tem o peito doído pela lembrança dos bons momentos vividos por aí. 


Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...