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ELES TENTARAM FAZER MINHA CABEÇA

Há algum tempo, quando eu era criança pequena lá em Miracema, ouvia falar em craques fantásticos e em esquadrões de ouro. Meu tio, tricolor sem muito fanatismo, eu nem sei por que o Tio Ary é torcedor do Fluminense, contava causos do famoso “timinho”, treinado pelo nosso conterrâneo Zezé Moreira, talvez esta seja a razão do Tio Ary torcer pelo tricolor. Ouvi meu avô Vicente falar do “Esquadrão de Ouro’ do Miracema FC, que passou dois ou mais anos sem perder um jogo e no dia que perdeu fechou as portas. Ficava atento quando o seu Garibaldi Parreira contava as histórias do Flamengo, tri-campeão em 53-54-55, e quando ele falava de Evaristo e Rubens. O tempo passou, mas as histórias e os causos sobre os timaços cariocas não passavam em branco. Outros contadores de causos e o ouvinte, este que vos fala, já estava crescido e já comprava a Revista do Esporte na banca do Chico Munheca e já acompanhava as resenhas nas Emissora Continental, das organizações Rubens Berardo. Como eu disse os conta...

UMA PAIXÃO QUE SE EVAPORA

Não tenho muito que falar sobre esta situação vivida pelo Flamengo e por seus torcedores, que debatem diariamente, há vinte e quatro anos, sobre a validade ou não do título brasileiro de 1987. O que já discuti com vascaínos, tricolores e botafoguenses durante este tempo dá para encher as páginas de um catálogo telefônico da cidade de São Paulo. No Armazém do Lenilson encontro o velho amigo Sollon, de papo com o Eucimar e disposto a curtir a oficialização do título. - Sente aqui, meu caro Dutra, tomemos uma cerveja gelada para comemorar o hexa oficializado. Nem respondi ao bom amigo e eterno guru. Passei batido em direção ao centro da cidade e, para meu espanto, Sollon veio em seguida deixando seu parceiro sorver sozinho a gelada que pedira. - Aonde vais? O que se passa? Tá zangado comigo? Três perguntas rápidas, todas sem respostas, e o ritmo do passo aumentava a cada minuto já que o assunto, levantado pelo velho guru, não estava na pauta para aquela manhã bonita e ensolarada. - Você n...

SELEÇÃO IDEAL: A DÚVIDA CONTINUA

Sabe aquela conversa de botequim, onde o assunto preferencial é o futebol? Pois é. Eu gosto de papear nos bares da vida e falar do esporte que adoro sempre que estou com amigos. E sempre vem aquela velha pergunta: -Qual foi o melhor jogador que você já viu jogar, ao vivo? Sem medo de ser feliz e de desagradar ao interlocutor eu respondo que foi Pelé. - Pelé não vale, eu não vi jogar. Mande outro. E novamente sem medo de ser feliz eu mando: Maradona. - Este também não vale, não é brasileiro e você viu ele jogar aonde? Não vai me dizer que foi lá na Itália? Não. Vi Maradona jogar no Maracanã, mesmo palco que vi Garrincha, Nilton Santos, Rivelino, claro, vou citar Zico, Leandro e as feras daquele time do Flamengo do início dos anos 80, ou também não vale? E tem aquela velha história de falar sobre a sua seleção, a seleção de todos os tempos, que sempre provoca desentendimento. Certa vez escalei o melhor time que vi jogar e esqueci de mencionar Gérson, o Canhotinha de Ouro, e o Victor, m...

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

O ÁRBITRO PERFEITO

Fase decisiva do campeonato da zona rural e um empate bastava para o time do Tio Sam, da Fazenda Campo Belo, e o jogo era no campo do Primeiro de Maio, da Fazenda Piracicaba, que precisava vencer por dois gols de diferença já que perdera a primeira partida, no campo do adversário. A liga mandou o melhor árbitro para o jogo, Agnelo Mercedes, um ítalo-brasileiro que andou apitando campeonatos importantes na zona da mata mineira e parecia ser o homem certo para este jogo decisivo e esquentado. A rivalidade era do tamanho de um Fla x Flu. O embate começou nas cores das camisas, o Tio Sam vestia o seu tradicional preto e branco, com listras verticais e o Primeiro de Maio foi prá campo com as mesmas cores, só que com listras horizontais. Prá definir um sorteio para saber quem trocaria o uniforme. Agnelo Mercedes já mostrava autoridade e o pessoal da casa gostou quando ele não autorizou a subida da moeda e mandou o time visitante vestir outro uniforme. Como não tinha outro uniforme, time de...

CLUBES DO RIO CANTAM GONZAGUINHA

Torcidas unidas, jamais serão vencidas... Que beleza! Diga, meu amigo torcedor, minha amiga torcedora, qual é a frase mais usada neste final de ano esportivo? Eu fico com “começar de novo”. Bem, e aí eu passo em revista a obra do saudoso Gonzaguinha e vejo que o moço tinha suas razões, mesmo não falando explicitamente em futebol a gente sente, que em alguns versos, a prosa serve para os sofredores de 2010. “A fé no que virá e a alegria de poder olhar prá trás...”, é mais ou menos assim que a turma do Flamengo cantará na virada do ano. Fé no amanhã e o ontem como exemplo e, caso dê certo, lá pelo meio do ano poderá repetir e de novo cantará Gonzaguinha em “Começaria tudo outra vez”, e dirá: “E então eu cantaria a noite inteira como já cantei, e cantarei, as coisas que já tive, tenho, eu um dia terei”. Para os vascaínos, que não sabem o que é um título há algum tempo, os mais apaixonados me dirão: “Há um titulo da Série B no currículo, em 2009”. Se for a “vera” vou entender porque o Fl...

O CANHÃO DO TOTONHO

O jogo valia pelo campeonato de distritos, o Areias tinha no seu campo a grande arma para vencer o time de Santa Inez. Totonho, o canhão era a estrela do Areias. O chute certeiro e potente do zagueiro destruía qualquer defesa ou esquema montado para deter o time da casa. Em todo campeonato o Areias venceu todas em casa, cinco vitórias com gols decisivos de Totonho, o canhão. Durante os jogos a torcida ficava à beira do barranco para ver de perto a destruição provocada pelos petardos do craque. Falta na entrada da área, que em um campo normal seria mais do que uma penalidade máxima, e lá vai Totonho: Bomba... Gol... E mais uma bola espremida contra o barranco. - Vejam só quantos buracos existem na encosta! Diz um animado torcedor, contando pelo menos vinte buracos provocados pelos petardos de Totonho. - Isto aqui, apontando para o buraco no barranco, significa um gol e como temos mais de vinte “tocas de tatu” (você já viu como é uma toca de tatu?) o nosso ídolo fez mais de vinte gols es...