segunda-feira, 16 de setembro de 2024

O Futebol do Rink

 As vezes me perguntam sobre os campeonatos de futebol de salão, realizados no Rink, nos anos 60/70 e a primeira coisa que me vem a cabeça era o grande público que rodeava a quadra e os muros da quadra do Jardim de Miracema. Sim, eu, ainda jovem, me divertia nas imediações e dizia que um dia jogaria por ali e faria sucesso como Zé Bolão, o melhor goleiro do futebol de salão da terrinha, Miguel, o terrível chute certeiro, Otavinho, o mais forte chute mas sem a pontaria do Miguel, e Paulinho Leitão, o craque e um dos mais perfeitos domínios de bola da quadra do Rink. 

Sentava na mureta para ver o Palmeiras jogar nas noites do meio de semana, principalmente nas férias, quando se realizavam os campeonatos, por favor não me cobrem quem eram os organizadores, não me lembro de nada sobre este assunto, mas do time do Palmeiras eu me lembro bem, tinha o Zé Bolão, no gol, Scilio Filho, beque parado, Faustino Barbi e Paulinho nas alas e Valzenir na frente se revezando com outros, como o Tonzoca e o Careca. 

Time bom também veio depois, já contei por aqui, que de tão bom não tinha lugar para mim na linha, eles preferiam me ver no gol já que não havia goleiro disponível naquele tempo e muitos evitavam a posição pelo peso da bola e a força do chute dos atacantes daquele tempo, Lucho do Jeová, por exemplo, era um bom goleiro mas "morria" de medo dos chutes potentes do Miguel, tinha até o seu bordao: "Marque o Miguel, não deixa o Miguel Chutar", e por isto me tornei goleiro do melhor time do final dos anos 60, o Gemini V, com David Resende, Júlio Barros, Thiara Botelho e Gilson Coimbra, eu no gol, como já disse,  e se reserva para me dar pelo menos uma chance de fazer uns golzinhos lá na linha. 

Mais tarde, já com a Rádio Princesinha no ar e com nossa equipe de esportes precisando fazer transmissões esportivas,  e com o Rink modificado, já era um ginásio de esportes que não deveria ser removido, organizamos dois campeonatos de empresas que foi sucesso de público e a qualidade era de bom nível, os melhores jogadores estiveram por ali, desfilando arte e garra, recuperando um outro campeonato, do Clube XV, que também fez sucesso e o time da Volksvagem, do Cacá do Suíço, levantou a taça mas, para isto  "contratou" uma garotada boa de bola e venceu os velhotes da Maçonaria da final. 

Tive também a sorte de jogar em um dos melhores times de futebol de salão da cidade, o do Banerj, com Genésio  Nunes, no gol, Jorge e  Alvinho, na defesa, Jorginho e  Sidney no ataque e este que vos fala no fazendo revesamento com João Moreno e Marcinho, Venilton Moreira e  Marco Aurélio, era um bom time e deixou saudades na turma. 

Hoje, não posso falar com certeza, o futebol de salão, agora chamado de futsal, não tem o brilho que tinha aí por Miracema, não vejo as peladas no Rink, não vejo campeonatos sendo disputados e não vejo a garotada dos ginásios buscando torneios entre eles, no meu tempo o Miracemense e o Nossa Senhora das Graças vivam se enfrentando nas quadras e em torneio internos, cheguei a ganhar um destes no primeiro ano ginasial e jogar uma final quando cursava o terceiro ano, tempo de muito esporte e de muita agitação na cidade através dos Grêmios Estudantis Alberto de Oliveira e Rui Barbosa, os famosos GEAO E GLERB.

E tem gente que acha que hoje é que está bom e que o passado ficou para trás e não dá para viver dele, mas cá pra nós, não dá nem mesmo para voltar no tempo porque quem fez tudo isto já não pode sequer tentar organizar, tipo Maninho, Gerson Coimbra, Jair Polaca, Clarindo Chiapini e tantos outros desportistas abnegados e fanáticos pelo futebol. Fiquem com o presente e procurem um historiador para contar dentro de vinte anos. Será que conseguirão contar tantas aventuras relembradas neste espaço durante trinta anos? Desafio lançado. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Obrigado, genial Braizinho

O futebol de hoje não me dá  as emoções fortes vividas, no seu mundo, com meus amigos e ídolos do futebol dos anos dourados, na Terrinha. Hoje me fazem pensar que hoje ê mais força e menos talento.

 Talento como o de Brás José Oliveira Filho, o Braizinho, um dos mais talentosos atacantes que vi jogar, o Fernando Nascimento comparou Tostão a ele, isto mesmo, ele chegou a bola antes do Mineirinho de Ouro, e o miracemense, baixinho e talentoso como o craque da seleção, só não brilhou por gramados do mundo por ter nascido em época errada.

 Braizinho era genial, seu faro de gol, sua perspicácia dentro da grande área pode ser comparada com a do Romário, um pouco mais inteligente, digo sem medo de errar já que fui testemunha ocular de seu talento e de sua arte e o considero, ao lado de outro genial craque, Lauro, que depois passou a ser chamado de Lauro Carvalho, formariam a melhor dupla de atacantes do planeta bola.

 Não pensem que estou aumentando ou valorizando o patrimônio histórico futebolístico de Miracema ou enaltecendo um amigo que partiu para o Oriente Eterno na tarde de 25 de maio de 2020, não, podem ter certeza que o comentário é de quem gosta do futebol, vive o futebol e trabalha com futebol, jornalisticamente falando, desde 1979 e com muita coragem diz, em público e grava para posteridade, um comentário como este. 

 Braizinho tinha um drible seco, em velocidade, para quem quiser comparar pegue os vídeos de Tostão, o verdadeiro, e admire a qualidade técnica do ex-camisa 9 do Cruzeiro e da Seleção Brasileira, era aquilo e um pouco mais, e se possível olhem o jeito de Romário finalizar dentro da área e podem dizer, sem medo de ser feliz, Braizinho fazia isto nos anos 60 lá em Miracema e em toda região Norte do Estado do Rio. 

 Na minha crônica, de 2009, eu contei sobre um time espetacular dos anos 60, lá na minha Miracema, o Rink EC, comandado por um gordo, estilo Vicente Feola, Chiquinho Maracanã, e que encantou a região com um futebol clássico, veloz, inteligente e devastador, o ataque não vi igual até hoje,  digo que na região foi imbatível e sem igual, tinha Frederico, Emanoel, Braizinho, Silvinho e Lair, todos jogando ofensivamente e marcando, em média, três gols por partida. 

 Ficaria contando as belas jogadas de Braizinho por várias páginas, mas cito apenas uma, contra o Olaria, carioca, em uma tarde de domingo, no Estádio Municipal de Miracema, quando ele, o pequeno gigante, adentrou a área, com a bola dominada, em velocidade, limpando um por um da defesa Bariri e, na saída do goleiro, simples e fatal, tocou por cima com a classe dos "deuses" do futebol. 

 Obrigado, Braizinho, você foi um pequeno garoto, criado na Rua do Biongo, mas foi um gigante craque de futebol na Rua da Laje e deixou o torcedor de nossa Miracema encantado com sua arte e seu talento. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...