domingo, 11 de junho de 2017

Lembrando seu Altino, seus filhos e seu time da Usina

Ontem eu vi um jogo do Vasco e minha lembrança, imediatamente, passou para o Estádio Municipal de Miracema, anos 60, e olhei para o passado com muita saudade. não pensem que me lembrei do meu Vasquinho, a camisa é igual mas o que me veio a cabeça foi o fantástico time da Usina, comandado pelo Altino Silva, um apaixonado pelo futebol, que nos proporcionou momentos maravilhosos nos gramados da cidade com aquele time por ele dirigido. 

Seu Altino, um cara do bem, um homem do trabalho, era funcionário da Usina Santa Rosa e amigo de todos por lá, inclusive dos gerentes, diretores e proprietários, e por isto teve o respaldo para montar um time de futebol de qualidade e que entrou, na minha opinião, para a história do esporte em Miracema. 

E os filhos do Altino Silva, o que dizer? Minha gente, que genética maravilhosa para o futebol, desde o mais velho, Evandro, um dos melhores laterais que vi jogar por nossa região e se jogasse hoje Leonardo Moura teria que lhe entregar a camisa 2, morreu cedo mas deixou muitas lembranças entre aqueles que com ele participaram do time da Usina e do TG 217.

Joguei com outros dois, Evaldo e Liminha, o primeiro uma mistura de técnica, raça e disposição, e o segundo técnico e clássico e as vezes as pessoas o achavam lento, mas quando nos oferecia um passe longo com certeza a bola, se não fosse as redes, iria levar perigo ao gol do adversário. 

Não tive o prazer de jogar com o Fernando, lateral e zagueiro bem ao estilo do irmão Evandro, e, pouco mais alto que o mano, pode fazer história também na zaga do Bandeirante ou Brasil, o primeiro nome do time fundado por Luiz Fernando Linhares. Fernando foi chamado, com inteira justiça, de "deus da raça", apelido herdado de Rondineli, zagueiro do Flamengo, que era a encarnação da entrega e da coragem. 

E seu Altino não ficou nestes quatro craques,  outros dois foram mais longe, chegaram  atuar profissionalmente e levaram o nome dos Silva mais longe e com muita qualidade nos gramados do país. Renato e Ronaldo, o primeiro ainda está entre nós, creio que mora em Goiás, onde encerrou sua carreira vitoriosa, foi um meio campo clássico, dono de um potente chute e de uma inteligente acima da média,  o segundo mora lá em cima, ao lado dos irmãos que partiram e  do pai Altino, e brilhou intensamente atuando com a camisa rubro-negra do Porto Alegre, que depois se chamou Itaperuna EC, onde é lembrado com alegria pelos seus companheiros de bola e de vida. 

Que família maravilhosa, que amigos fiz por lá desde o pai, Altino, passando pelos filhos, que estiveram em campo comigo ou não, e que bela página escrita na história do nosso futebol, e para aqueles que não conheceram os mais velhos e viram Renato e Ronaldo em campo, podem imaginar os outros, Evandro, Evaldo, Liminha e Fernando, no mesmo estilo e a mesma força física aliada a técnica e  vontade de vencer. 

Onde quer que o senhor esteja, Seu Altino, pode ter certeza de que pelo menos uma centena de amigos pensam como eu, vocês estão inseridos na história do nosso futebol. 

sábado, 3 de junho de 2017

Help!!! Eu quero viver e reviver

Ontem, numa dessas mensagens que recebo diariamente, via celular, deparei com uma dizendo que "viver de saudade é maléfico". Mas como? Perguntei. Como não viver de saudade se é de saudade que vivo? 

 Minhas lembranças são maravilhosas, minha vida foi vivida intensamente e hoje, já chegando a bodas de diamantes, de idade e não casamento (75 anos para quem não sabe), não posso fazer um por cento do que fazia nos tempos que sinto saudade hoje. Certo? 

Por exemplo: Na semana passada vi um documentário dos Beatles, no Canal Bis, da Globo Play, e voltei cinquenta anos no tempo. Fui e voltei ao Grêmio do Nossa Senhora das Graças ouvindo Let Bee ou don't let me down, dancei novamente ao som do belo repertório escolhido pelo Gilson Coimbra e revi, pelo menos em imagens de meu cérebro, as meninas com quem dancei e curti aqueles maravilhosos momentos. 

Viram só? Como não ter saudades? Como que isto pode fazer mal para uma pessoa normal, que viveu grandes momentos e participou ativamente das coisas da juventude? Saudade não sentirá aquele inerte, aquele que passou pela vida sem dar um pouco de seu sangue, suor ou lágrimas para ser feliz. Saudade bate forte e por isso estamos aqui, vivendo no pós sessenta anos com alegria, cantando e contando alegremente nossos momentos. 

Sei que é exagero falar demais no passado. Sei que é doloroso reviver um tempo que não volta mais. Sei que os médicos recomendam viver intensamente para esquecer o passado, mas meus amigos, isto pode ser receita para quem não tem passado, como disse acima, mas para nós, minha geração foi privilegiada, qualquer encontro é uma festa de recordações repletas de felicidades até na hora de reviver tudo que passamos na nossa Miracema ou fora deste pedaço generoso de nossas vidas. 

Falei de Beatles mas poderia falar de Wilson Simonal, de Renato & Seus Blue Caps, poderia falar de Rolling Stones, de Tony Bennett, de Sérgio Endrigo ou  Pepino de Capri, poderia cantar Roberta, Sapore Di Sale, Satisfaction, Yesterday sem medo de errar a letra, dançar ao som da Tabajara, da Cassino de Sevilha, do Windsor e tantos outros que abrilhantaram nossos bailes e garantir que tudo isto ainda está vivo e nos faz um bem danado em reviver. 

Meus filhos me condenam quando digo que no meu tempo é que era bom. um dia, não faz tanto tempo assim, um deles me perguntou: - Pai, estas músicas que você tanto fala eram mesmo boas ou é apenas saudade de um tempo que não volta mais? 

A resposta não foi em viva voz, foi no Spotify, ferramenta moderna, que todos nossos filhos sabem como lidar, e depois de quase uma hora ouvindo, vendo e curtindo o som dos Beatles e de tantos outros dos anos 60/70, veio a resposta que queria ouvir.

- Pai, você tem razão. Nunca ouvi tanta coisa bonita em apenas uma hora, fiquei fã e vou aprender a gostar e a respeitar o seu gosto, hoje a gente não leva nada para o futuro e vocês trouxeram uma bagagem espetacular no sentido musical e artístico. Parabéns, pode reviver seus bons tempos que agora você tem uma companheira ao lado. 
Valeu, Gisele. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...