quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eu, Júlio e Gutinho...


Thiara (Gutinho), Eu e Júlio 
Agora a pouco estava na minha poltrona favorita, mesmo com o intenso calor que faz em Campos, assistindo ao show que marcava os cinquenta anos de estrada de Erasmo Carlos e me emocionei quando adentrou ao palco o velho amigo/irmão do Tremendão, o espetacular Roberto Carlos.
Ao ver o ídolo chorar confesso que desceu duas ou três lágrimas neste rosto cansado de emoções e alguns detalhes a mais. Não é vergonha um homem chorar, abraçar ou beijar os amigos como a dupla famosa fez no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde o show rolava para uma seleta platéia.


Voltei no tempo, como sempre faço nestas horas de grande emoção, e me vi na Praça Ary Parreiras, lá na terrinha, ao lado dos meus grandes amigos/irmãos Júlio Barros e José Augusto Botelho, que formavam comigo um trio sempre presente nas peladas da rua, nos piques ao lado das meninas e meninos da prefeitura, dos jogos inesquecíveis do time do Bitico e porque não nas peladas do Rink e da Praça Dona Ermelinda?

Se Erasmo e Roberto escreveram “Amigo” e colocaram na letra um pedaço da amizade de ambos, não fica longe e nem fora de hora escrever por aqui que Júlio e Gutinho são meus amigos de fé, meus irmãos camaradas, companheiros de longas jornadas e separados por motivos alheios as nossas vontades.

Certa vez, ainda jovem lá na “Terrinha”, cheguei a casa do Gutinho e experimentei chama-lo de Thiara, apelido que já tomava o nome real do meu amigo, e Dona Antonia nem sequer deu bola para os meus chamamentos apesar de insistir com a pergunta: Dona Antonia, o Thiara está por aí?

- Aqui não tem Thiara nem Gutinho, aqui tem José Augusto e se você não chama-lo pelo nome eu vou proibir você entrar aqui na minha casa, detonou a mãe do meu amigo de fé, irmão camarada.

No canto as irmãs dele, Guta, Terezinha e Luzia, morriam de rir e faziam sinais para que eu voltasse depois e chamasse o amigo pelo nome para agradar a mãe, já enjoada de ver o filho ter o nome trocado por toda a cidade.

Nós tínhamos livre acesso em todas as casas, os dois eram bem recebidos ali no meu cantinho e eu, mais extrovertido e mais falante do que os outros dois, vivia de prosa com Dona Yolanda e seu Zé Barros, pais do Júlio, e sempre levava um papo com a Vera Lúcia, irmã de Júlio, uma das mais belas moças da cidade.

O que falar do Seu Botelho? Pai do Gutinho, amigo leal e que me deu a primeira oportunidade de escrever em um jornal. Seu Botelho me deu uma coluna no jornal A Voz do Povo, de Bom Jesus do Itabapoana, do qual ele era o correspondente em Miracema, e por aí despertou o interesse pelas letrinhas e o jornalismo.

Eu, Júlio e Gutinho, por uma destas coincidências do destino, nunca estudamos juntos, os três na mesma sala de aula, mas jogamos futebol nos mesmos times, e cá prá nós, formamos um trio ofensivo que deixou saudade em todos que gostam do esporte bretão, servimos os três, em 1968, no Tiro de Guerra 217, com o saudoso e querido Sargento Couto, e encaramos muitos adversários com nosso time de futebol de salão, o Gemine V, que marcou era na quadra do Rink.

Se poeta fosse escreveria um verso bem bacana para homenagear meus amigos, se compositor fosse eu comporia uma sinfonia para marcar 60 anos de grande amizade entre mim e meus bons amigos José Augusto Machado Botelho e Júlio Fernando Cascardi de Barros, velhos e saudosos companheiros das peladas e da vida, mas como não sou repito Milton Nascimento: “Amigo é coisa prá se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração”, em sua Canção da América. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A visita de Ermê Sollon


Fim de semana prolongado em Miracema e uma festa de reencontro promovida pela geração 70, que escreveu o nome na história da cidade e agora curte o momento nostalgia visitando a cidade para que as recordações sejam afloradas.

Tendo fazer um giro, prometido já há algum tempo, de boteco em boteco ou de bar em bar, desde a Rua da Laje, saindo lá das proximidades do Prudente de Moraes, até chegar próximo a rodoviária ou até mesmo na Rodagem. Convido uns dois ou três amigos para o evento, apenas o José Souto aceitou e prometeu participar da caminhada etílica saudosista idealizada por mim.

Porém, tem sempre um porém, no local escolhido para a saída quem é que chega? Ermê Sollon, o neto e um amigo lá da capital, que devido ao elevado calor que fazia na cidade e a somatória da idade dos dois amigos visitantes, cerca de 180 anos para a dupla, a caminhada etílica saudosista não se realizou.

A chuva caiu e ao invés de andar e sorver o tempo com geladas pelos botecos afora, escolhemos um para fincar nossa âncora e passamos a prosa sobre a cidade e suas histórias.

Certa vez este menino, que agora é um rapaz já com idade de comprar uma cerveja nos bares por onde passamos, deixou o velho Sollon em situação constrangedora, não sei se vocês se lembram quando contei por aqui, neste mesmo espaço, que o velho jornalista saiu pelas ruas de Miracema para mostrar a cidade ao neto e, com tanta emoção vivida e com tanto interesse do garoto, Sollon parou, sentou-se ao meio fio de uma calçada qualquer, e se pôs a chorar lágrimas de saudades.

Mas o final de semana estava prometendo muita alegria e nada de choros, apenas algumas lágrimas furtivas, caídas pela face como prova de que o amor pelos amigos e pela cidade ainda estava aflorado no coração de um miracemense fugitivo, por isto evitou-se falar nos bares desaparecidos, como o Líder, Pracinha, Careca, Vavate, Mocambo e outros lugares marcados em nossas lembranças.

Andamos apenas pela Rua Direita, não foi possível, pelos motivos citados acima, uma chegada nos bares e botecos da Rua da Lage e nem o ponto final nas imediações da Rodagem, mas a prosa fluiu de acordo com o que pensávamos e até Sollon Neto se saiu maravilhosamente bem no quesito conhecimento de história de Miracema.

O nosso visitante de primeira viagem, o amigo de Sollon, ficou sabendo das aventuras dos jovens que lutaram pela emancipação do município, a visita tão esperada ao seu velho amigo Jofre Geraldo Salim também não se concretizou,  o tempo era curto, a volta estava marcada para domingo pela manhã e o sábado teria que ser ocupado com visitas a diversos lugares pitorescos de Miracema, um casamento, um churrasco e um baile nos esperava.

Na primeira parada Sollon Neto queria saber mais um pouco sobre os políticos da cidade, perguntou sobre Altivo Linhares, sua história, sua vida, quis saber quem era Jamil Cardoso, sempre citado pelo avô em suas conversas, perguntou se Olavo Monteiro era mesmo um craque como Sollon conta nas conversas noturnas, sempre regadas a um bom vinho ou a uma cerveja gelada.

- Vovô, sempre que toma uma e outras, diz que todo mundo por aqui era craque e que o Miracema FC reunia os melhores jogadores de futebol de toda a região.

Fui confirmando o que Sollon me dizia, afinal ele viveu estes momentos gloriosos e, pelo que contavam meu pai e meu avô, este Miracema FC era mesmo da fuzarca e Sollon tem toda a razão do mundo para enaltecer aquele timaço.

- Ei, espera um pouco, grita o  velho jornalista. Eu não vivi nesta época, eu sei de tudo isto porque seu tio Ary me emprestava os jornais daquele tempo e eu, curioso, sempre gostei de ler e aprender sobre os velhos caciques, famosos coronéis e grandes craques do passado, me tira esta pecha de velho como o Vicente Dutra, sou bem mais novo do que o seu pai Zebinho, apenas vivi minha infância e pré-juventude jogando sinuca do Bar do Vicente e convivi com estes caras todos. Ainda não cheguei nos oitenta, me poupe, desabafou Ermenegildo Sollon.

O reencontro das Meninas de Miracema e seus amigos

Como minha praia é o futebol eu poderia começar a crônica sobre a festa das Meninas de Miracema e seus amigos escalando uma seleção, uma seleção de meninas maravilhosas, organizadas e dispostas a reviver um tempo vivido com intensidade, porém, tem sempre um porém, se começar a escalar o time vou cometer as mesmas injustiças de Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, que sempre deixa um ou dois preferidos e amados da galera de fora da lista. 

Assim, como não quero ser crucificado como o técnico da CBF, prefiro render loas as irmãs Kátia e Tânia, que fizeram de tudo para que este evento ficasse marcado na memória de todos os participantes, inclusive com perspectivas de um novo encontro no próximo ano, que promete ser muito mais interessante. 

Cheguei a terrinha por volta do meio dia, de sexta-feira, e meu organograma de visita foi totalmente cumprido e executado na íntegra, a começar pela prosa no Snob’s, logo na chegada, com Elcier e José, onde fluiu papo sobre o futebol brasileiro, as peladas e os tempos vividos nos campos de grama ou nas quadras de cimento, passamos até pela política atual, mas sem entrar muito em detalhes porque o assunto não é a nossa praia. 

A Kiskina bombava e a rapaziada,que chegava a cidade para aproveitar o ferido esticado, já se organizava em grupos e lá estavam minhas irmãs, Patrícia e Celeste, para providenciar a compra das camisas/convite para o Encontro das Meninas de Miracema e seus amigos. Uma cerveja gelada, para descontrair e a lição sobre o que iria acontecer e lá fomos nós em busca dos amigos distantes ou presentes que por ventura estivesse na cidade. 

A sexta-feira foi ó primeiro daqueles dois dias inesquecíveis, a música, um capítulo a parte, lá no Espaço Cultural do Clube XV, foi maravilhosa e determinante para que a energia do corpo voltasse a dar ritmo a este sessentão usado, mas não gasto, que entrou na dança com força e com vontade. 

Começou com a Academia do Chora, ufa... Finalmente consegui ver um show completo da turma, e, no meu ponto de vista, o ponto alto da abertura, o espetacular grupo liderado por Dani Marques, chegado de Niterói para abrilhantar a festa. Jazz, blues, boleros, MPB clássica e Beth Bruno, como é bom ouvir Beth Bruno, ditando cátedras com sua voz maviosa, afinada e com um repertório de deixar fã de boca aberta espantado com o que via e ouvia da intérprete que hoje faz sucesso nos Estados Unidos e não tem vez na terra dos músicos protegidos por gravadoras interessadas no sucesso momentâneo e no lucro fácil. 

Como diz Paulo Diniz: “Um chope prá distrair”, e lá fomos nós para um casamento prá distrair. Um abraço no mano, não o Menezes, mas o Fernando Nascimento, que celebrava o casamento de sua filha Flávia e o encontro com outros amigos, de minha geração, lá no Sítio do Bode, marcou ainda mais a minha passagem pela terrinha neste feriadão dedicado a Nossa Senhora Aparecida. 

 Churrasco lá no Green Park e mais emoções contidas e sentidas por este coração safenado e feliz. Papo de bola com os tricolores, ainda extasiados com o possível título, com amigos saudosos, uns que não via há algum tempo e outros que só encontro nas páginas do Facebook ou Twitteer.

No palco The Brothers e na pista os Brothers

Tem gente que gosta do Big Brother Brasil e até faz festa e aposta em um vencedor. Tem gente que curte os brothers de suas aventuras e baladas. Tem gente, que como eu, ama Beatles e Rolling Stones e de quebra Bee Gees, Credence, Roupa Nova, Erasmo e Roberto Carlos. Tem gente que mata a saudade na mesa de um bar, Tem gente que curte a saudade nas pistas de dança. T

he Brothers é o conjunto de uma geração, que marcou época nos corações da minha turma e das que vieram depois, claro que naquele tempo a qualidade musical era diferente do que as gravados nos empurram goela abaixo desde os anos 90, e no sábado, lá no Salão Nobre do Clube XV, a saudade foi deixada de lado e a realidade foi incorporada na nossa mente. 

Olho para um lado e vejo a Eliane Tostes Cardoso, minha primeira parceira nas danças lá no Aero Clube, nos bailes em que nossos pais nos levavam à tiracolo, olho para outro e vejo o Geraldinho (China) Silveira ao lado dos irmãos curtindo a noite e procurando uma prosa sobre um passado já bem distante, e aí meu amigo o papo fluiu, nos intervalos, e o coração passou na prova de esforço. Me perdoem se citei o China e a Eliane e não citei outros amigos que por lá estiveram, mas eles, como o Celestino, que foi acompanhado da sua 

Vânia, e a Cremilda Tostes, que me deu o prazer da companhia em nossa mesa, fazem parte do meu mundo e da minha vida nos anos 50 e 60, muito antes de muitos que ali badalavam estivessem chegado neste mundo de meu Deus. 

 Eu quero falar do baile, eu quero falar do conjunto, que agora chamamos de banda, quero falar do repertório escolhido para a noite, mas cá prá nós, bem alto, que todo mundo nos ouça, não há palavras e não há cabeça pensante que possa definir o que foi a noite de sábado, 13 de outubro de 2012, no Clube XV, não há como descrever para você, que me lê sem ter ido até lá, o que foram aqueles momentos, mas quem foi e está me encontrando por aqui, sabe muito bem o que estou contando neste pedaço. 

Beatles no palco e loucura na pista. Credence no palco e explosão na pista. Bee Gees no palco e chororô na pista. Roberto Carlos no palco e emoções na pista. Quero que vá tudo para o inferno e abraçar um milhão de amigos. Quero a alegria de um barco partindo, quero ser feliz e nada mais.

Bem meus amigos e amigos das Meninas de Miracema, muito obrigado pela chance de rever vocês e prosear com muitos e abraçar a todos que um dia fizeram desta Miracema uma cidade feliz e gostosa de viver. 

Hoje estamos distantes fisicamente, mas dentro deste peito bate um coração apaixonado por todos e por tudo aquilo que nos liga a Princesinha do Norte. 

 Valeu, Meninas de Miracema, ano que vem estou de volta.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...