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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Sócrates já é saudade
Um jovem talento teimava ficar em Ribeirão Preto, onde morava com a família e cursava medicina, curso custeado pelo Botafogo FC, tradicional tricolor da cidade. O assédio dos grandes da capital era intenso, mas o garoto teimava em ficar por ali, jogando futebol, estudando e freqüentando as mesas do Pinguim, a mais famosa casa de chope do país.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, um nome grande para um grande nome do futebol mundial. Como disse Ademir Tadeu, aqui abaixo, “morreu o homem, mas na história ficará registrada a sua genialidade dentro das quatro linhas”.
Morre Sócrates, o ídolo da Fiel Torcida do Corinthians, xodó de toda nação esportiva brasileira, aos 57 anos de uma vida totalmente atribulada e bem vivida, segundo seus amigos mais chegados.
Como disse no meu texto abaixo, tive o prazer de conhecer o homem, apresentado que fui pelo José Maria de Aquino, e vê-lo jogar com sua elegância e categoria por diversas vezes, seja com a camisa do Corinthians, do Flamengo ou da Seleção Brasileira.
Em Florença, quando por lá passei em 2008, em uma loja de material esportivo, perguntei ao rapaz, que falava um português ruim, mas que dava para entender bastante, o que foi a passagem do “Magrão” e do Edmundo pela cidade.
- O Sócrates deixou saudades, era um moço simpático, introvertido e que gostava da cidade e da tradição de Firenze, mas o outro, referindo ao “Animal”, não fica nem mesmo lembrança, era prá nem ter vindo, arrematou o torcedor “viola”.
Fica a saudade e falar por aqui da carreira o dos motivos que o levaram ao óbito é bobagem, a grande mídia já trata do assunto com muita propriedade e a nós, cronistas interioranos e amadores, resta apenas dizer ADEUS e guarda a saudade no peito.
O dia em que conheci o Dr. Sócrates
Uma das primeiras investidas nacionais, como repórter de rádio, fiz pela Rádio Princesinha, de Miracema, no já longínquo anos 80, mais precisamente em 85, eliminatórias para a Copa da Espanha/86, quando o Brasil, já classificado, enfrentaria a Bolívia, eliminada, no Morumbi.
Não interessa o resultado, o Brasil desmotivado empatou em 1x1 com os bolivianos e uma imensa vaia se ouviu nas arquibancadas do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. E é justamente nisto que gostaria de chegar, as vaias não atingiram ao grande ídolo corintiano, Sócrates, que saiu do gramado com aplausos particulares.
Este baita ídolo eu tive o prazer de conhecer na sexta-feira que antecedeu a partida, jogada em 30 de junho de 1985, nas dependências do Hotel Brasílton, em São Paulo, quando fui ciceroneado por ele enquanto aguardava José Maria de Aquino em seu trabalho para a Revista Placar.
Sentamos ao banquinho de madeira, no balcão do bar do hotel, ao lado do assessor de imprensa da CBF, Robério “Gata Mansa” Vieira, para degustar uma gelada e papear sobre futebol, noitada de boleiros, Bar Pinguim, Ribeirão Preto e até Miracema e sua Rádio Princesinha.
Foram pelo menos três horas de um ótima conversa e, no meio do papo, surgiu o zagueiro Mozer, ex-Flamengo, que ao ouvir falar da minha terrinha se levantou de onde estava, no saguão, para fazer parte de nossa prosa e lembrar de quando por aqui esteve a serviço da seleção carioca de juniores, em 1982.
O papo do Brasilton terminou quando Telê Santana chegou. Precisava gravar uma matéria especial com o treinador da seleção e não havia chances. Talvez agora, com o apoio irrestrito de Robério Gata Mansa, o assessor, eu pudesse realizar. O jornalista foi lá e voltou com um outro não de resposta, Telê não queria conversar com a imprensa.
Abrimos mais uma cerveja gelada e Sócrates sumiu da roda. “Onde foi o Magrão?” Perguntou Mozer. E o assessor de imprensa deixa a impressão que com a passagem do técnico ele deu uma escapada para fugir da bronca.
Ledo engano. Sócrates foi até onde estava Telê Santana e o trouxe pelo braço. “Este moço aqui, seu Telê, andou mais de mil quilômetros para conversar com a gente, não tem poder de uma Globo ou de uma Bandeirantes, sua rádio é pequenina e ele veio na marra, já dei minha entrevista a ele e agora é sua vez”, disse Sócrates ao comandante da seleção do Brasil.
Ainda inexperiente, liguei o gravador apressadamente e fiz a primeira pergunta, fugindo do assunto eliminatórias, futebol e outros assuntos que já estariam, na minha opinião, estressando o treinador brasileiro.
Perguntei : - Como um mineiro, de família simples e sem grana, se sente em um hotel como aquele e vivendo momentos de glórias como treinador?
Foi a deixa para uma bela entrevista, que o pessoal da Rádio Princesinha me fez o “favor” de apagar, e uma prosa que continuou após o desligamento do gravador, no mesmo balcão onde eu, Sócrates, Mozer e Robério Vieira sorvíamos nossa cerveja sem medo de ser feliz.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira reconheceu este repórter em seu primeiro jogo no Maracanã, onde estava com a Difusora , em 1986, com a camisa do Flamengo.
Trocamos um dedo de conversa antes do jogo e prometemos uma gelada para à noite, mas infelizmente não foi possível e apenas um abraço marcou a despedida, no vestiário rubro-negro, deste que vos fala e o craque que encantou o mundo com seu futebol inteligente, como ele.
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