A turma lá de cima parece que está com saudades da bola e com inveja daqueles que por aqui ficaram e fazem a festa neste final de ano. Sentado em sua nuvem particular, com mulatas, samba e um campinho particular, Jair Polaca mandou uma mensagem para Milton Cabeludo e o convidou para um papo cabeça no seu cantinho.
Cabeludo foi e levou com ele o Juarez Beiçola e outros contemporâneos e no caminho pegaram o Pernoca e o Lauro, que estavam no entorno da nuvem do Silvinho, que tinha saído para visitar o pai, Maninho, que em outra parte observava os craques que chegavam para conversar com São Pedro.
Maninho foi localizado e levado para a nuvem do Polaca, que neste momento fazia uma ligação para o Gérson Coimbra já que a coisa fugiu do controle e precisava de uma organização no reduto. Seu Gerson chegou, botou a casa em ordem e começou a delegar poderes, mas para isto precisava da ajuda do Clarindo, que não fora localizado até aquele momento.
E a noticia do encontro se espalhou rapidamente e foram chegando os craques para uma pelada triunfal. Pintinho, com seu passo lento e tranquilo, chamou o Nenenzinho, que bateu uma mensagem para o Edil e todos seguiram rumo a nuvem do Polaca na maior prosa. O Nenenzinho queria saber se depois poderia colocar a fantasia de “mulinha” e sair pelas nuvens dançando e chamando a velha turma do “Fogaréu”. Nada disto, gritou o Cosme, se quiser samba terá que convidar o Zé do Carmo também e ele está preocupado é com o futebol de hoje. Samba é para o carnaval e é, comigo mesmo. O Mocinho e o Fota já estão de sobreaviso, disse o garoto que na terra ajudava o pai no comando da Unidos no Samba e Na Cor.
E os peladeiros foram chegando pouco a pouco, sem chuteiras, sem lenço ou documentos e o anfitrião já estava com seu livro de ouro rodando pelas nuvens e já tinha apanhado uns trocados com o Jamil Cardoso, Zé Carvalho e Nilo Lomba, seus amigos da prefeitura. E na passagem pela ala dos prefeitos o Maninho chamou o Olavo Monteiro para dar uma forcinha no meio campo de seu time, que teria, segundo ele, alguns craques da capital, levados pelo Caixa D’agua e com o aval do Luiz Linhares, que a esta altura já fazia movimentação política no local.
O trio do Rink, Silvinho Moreno, Valcir Leite e Marcone Daibes, se animou e também armou uma lista de convidados, João Moreno e seu sobrinho Joltran, dois craques das peladas do Ginásio, se apresentaram imediatamente. A pelada prometia e ao que parece já tinha gente demais e faltava um homem para apitar. Pensaram em trazer um árbitro de outra nuvem, bem neutro, mas não tinham grana para levar um destes famosos e o jeito foi entregar o comando para o Rosário Mercante, que pelo menos tem crédito e sempre foi daqueles caras sérios quando apitava nos campos de grama aqui na terra.
Dirigentes demais reunidos e Caixa Dágua queria fundar uma liga das nuvens, mas foi rechaçado pelo Luis Delco, mais novo no pedaço, que não queria um estranho no ninho e por isto foi chamar o Salim Bou-Issa para organizar a coisa, mas Altair Tostes passou rápido no espaço destinado as autoridades, bateu o martelo e decretou que a reunião seria entre colunas e o Farid Salim e seus manos José, Nacif e Jofre, cuidariam da alimentação enquanto o jovem Gustavo Rabelo cuidaria das camisas e das súmulas.
A turma se espalhava pela nuvem do Polaca, onze para cada lado e um punhado de reservas esperando vez no entorno do pedaço e aos poucos os dois treinadores foram chegando ao time correto e a festa estava pronta para ter o seu começo.
Faltou espaço aqui e na nuvem do Polaca. Muitos queriam entrar em ação e o jeito foi fazer um torneio, tipo aqueles antigos Torneio Inicio, e a bola rolou macia durante todo o dia de Natal.
Canal do Dutra: Uma conversa de bola, viagens e do cotidiano. Aqui posto vídeos, crônicas e converso com vocês.
domingo, 27 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
NOITE E DIA DE UM NATAL FELIZ
Hoje a noite é bela, diz a canção que conheço desde criança pequena, quando enfrentava o balcão do Bar do Vicente, ali na Praça Ary Parreiras, onde nasci e cresci. Juntos eu e ela, no caso minha mana Eliane, vamos à capela, felizes a rezar as orações que Dona Áurea, nossa catequista querida, nos ensinava no dia a dia da Igreja de Santo Antonio.
Ao soar o sino, dizendo que chegava a hora da missa do galo, o movimento do bar melhorava um pouco, ou melhor, diminuía um pouco, pois melhorar, no sentido comercial da palavra, é quando o movimento aumenta e não se esvazia, como o sino pequenino batia insistentemente chamando os fieis para a celebração.
Minha avó, Maria, dizia “vai o Deus menino nos abençoar”. E o sino pequenino, que nós chamávamos sino de Belém, batia insistentemente dizendo que já nasceu o Deus menino para o nosso bem.
E o movimento então ficava praticamente parado, já passava da meia noite e, pregados e extenuados pelo trabalho de todo o dia, meu pai, Zebinho, chamava Dona Lili, minha mãe, para o quarto e pediam paz na terra, como aquele sino alegre a cantar e minhas irmãs ouviam um Deus menino abençoe este lar e também se refugiavam em seus quartos para o sono dos justos.
As manhãs do dia 25 de dezembro eram mais tranqüilas no Bar do Vicente e este bom menino aqui tinha a liberdade de ir e vir à rua neste dia e gritar um bom Natal para todos da vizinhança. Que seja um bom Natal para todos nós, dizia o Seu Scílio, o Seu Amaro saia cedo para a igreja, logo que ouvia o sino tocar novamente e uma alegria tomava o ar da Praça Ary Parreiras na manhã do dia de Natal.
Os meninos apareciam de todos os lados a procurar seus presentes e a mostrá-los pelas ruas em danças de roda e, de mãos dadas se confraternizavam nos paralelepípedos esquentados pelo sol forte que sempre castigava a cidade nesta época do ano.
E os cânticos eram entoados, tipo assim: “Botei meu sapatinho, na janela do quintal...
Porém, tem sempre um porém, nem sempre Papai Noel deixava aquilo que pretendíamos e as surpresas, alegres ou tristes, eram constantes neste dia.
Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém, cantava o Paulinho, que depois ficou milionário, mas reclamava que sempre era esquecido por ele não ser rico e sim pobre, mas sempre o Bom Velhinho aparecia e deixava alguma coisinha na manhã do dia 25 na meia do menino.
Mais tarde, depois de correr por todos os cantos da cidade atrás das novidades do Natal, era hora de ouvir o coral de Dona Áurea a cantar Natal, Natal das Crianças, Natal da noite de luz, Natal da estrela-guia, Natal do Menino Jesus.
A letra já estava decorada e o blim, blão, blim, blão, o refrão, era entoado por toda a igreja e a voz do Padre André, um padre holandês de voz suave e bonita, era sempre a mais destacada. A do Padre Luiz era horrível e a do Padre Alberto incompreensível.
Bate o sino da matriz, papai, mamãe rezando para o mundo ser feliz. Parece que o blim, blão, blim, blão, está novamente na minha cabecinha de criança. Feliz Natal prá você, meu amigo e conterrâneo, que viveu estes bons momentos e sabe como era bom ser feliz e como era gostoso correr atrás dos presentes ali na Praça Ary Parreiras ou em qualquer cantinho desta nossa Miracema.
Ao soar o sino, dizendo que chegava a hora da missa do galo, o movimento do bar melhorava um pouco, ou melhor, diminuía um pouco, pois melhorar, no sentido comercial da palavra, é quando o movimento aumenta e não se esvazia, como o sino pequenino batia insistentemente chamando os fieis para a celebração.
Minha avó, Maria, dizia “vai o Deus menino nos abençoar”. E o sino pequenino, que nós chamávamos sino de Belém, batia insistentemente dizendo que já nasceu o Deus menino para o nosso bem.
E o movimento então ficava praticamente parado, já passava da meia noite e, pregados e extenuados pelo trabalho de todo o dia, meu pai, Zebinho, chamava Dona Lili, minha mãe, para o quarto e pediam paz na terra, como aquele sino alegre a cantar e minhas irmãs ouviam um Deus menino abençoe este lar e também se refugiavam em seus quartos para o sono dos justos.
As manhãs do dia 25 de dezembro eram mais tranqüilas no Bar do Vicente e este bom menino aqui tinha a liberdade de ir e vir à rua neste dia e gritar um bom Natal para todos da vizinhança. Que seja um bom Natal para todos nós, dizia o Seu Scílio, o Seu Amaro saia cedo para a igreja, logo que ouvia o sino tocar novamente e uma alegria tomava o ar da Praça Ary Parreiras na manhã do dia de Natal.
Os meninos apareciam de todos os lados a procurar seus presentes e a mostrá-los pelas ruas em danças de roda e, de mãos dadas se confraternizavam nos paralelepípedos esquentados pelo sol forte que sempre castigava a cidade nesta época do ano.
E os cânticos eram entoados, tipo assim: “Botei meu sapatinho, na janela do quintal...
Porém, tem sempre um porém, nem sempre Papai Noel deixava aquilo que pretendíamos e as surpresas, alegres ou tristes, eram constantes neste dia.
Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém, cantava o Paulinho, que depois ficou milionário, mas reclamava que sempre era esquecido por ele não ser rico e sim pobre, mas sempre o Bom Velhinho aparecia e deixava alguma coisinha na manhã do dia 25 na meia do menino.
Mais tarde, depois de correr por todos os cantos da cidade atrás das novidades do Natal, era hora de ouvir o coral de Dona Áurea a cantar Natal, Natal das Crianças, Natal da noite de luz, Natal da estrela-guia, Natal do Menino Jesus.
A letra já estava decorada e o blim, blão, blim, blão, o refrão, era entoado por toda a igreja e a voz do Padre André, um padre holandês de voz suave e bonita, era sempre a mais destacada. A do Padre Luiz era horrível e a do Padre Alberto incompreensível.
Bate o sino da matriz, papai, mamãe rezando para o mundo ser feliz. Parece que o blim, blão, blim, blão, está novamente na minha cabecinha de criança. Feliz Natal prá você, meu amigo e conterrâneo, que viveu estes bons momentos e sabe como era bom ser feliz e como era gostoso correr atrás dos presentes ali na Praça Ary Parreiras ou em qualquer cantinho desta nossa Miracema.
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