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Um dia de "celebridade" em Guarapari

 No domingo, ainda de ressaca dos festejos do último dia do ano, fui surpreendido por uma repórter de tevê, de Guarapari, que talvez indicada por um amigo comum, que me abordou no calçadão enquanto fazia minha caminhada para tirar o excesso da noite anterior.

 “Senhor Adilson Dutra?”  Pergunta ela, já de microfone em punho. “Sim. O que deseja?”, respondi com outra pergunta. “Estamos entrevistando celebridades que visitam a nossa região e gostaríamos de fazer algumas perguntas; Posso?” “Celebridade? Eu?” Me assustei. Mas o que fazer. Lá vamos nós, se não for uma pegadinha estamos aí, prontos para colaborar.

Então lá fomos nós caminhando e conversando sob o signo do belo sol da manhã do primeiro dia do ano. A repórter queria levar o papo para a conversa banal, tipo do que eu acho da Fernanda Montenegro, que brilha na novela das oito. Eu, cabreiro com o papo, desvirtuei a prosa e pedi para falar de esportes ou do dia a dia da política e economia. A garota, acho que é uma destas surfistas capixabas, pelo menos tem porte atlético e muito bonita, além de bem articulada, topou a virada de assunto imediatamente.


E veio com algumas perguntas sobre o mundo da bola. “Qual foi o pior momento de sua vida esportiva?” Eu, sem medo de errar, contei que foi em 1982, Copa da Espanha, quando fiquei triste pela última vez com uma derrota, e, a partir daquele dia não torci mais pela nossa Seleção. Claro que expliquei que quero ver o time campeão, sempre, e torço pelo sexto título mundial, na Alemanha. 


Outras perguntas vieram. Qual foi o seu craque favorito? Qual o jogo que mais o emocionou? Qual o melhor estádio do mundo? E outras perguntas chavões, que foram tiradas daquelas convencionais, aquelas que estão nos jornais e nas revistas encartadas em todos os jornais dominicais.


Mas tudo isto que conto acima tem um toque especial. Que celebridade sou eu para ser parado em Guarapari, em pleno domingo, o primeiro do ano, para ser entrevistado pelo canal local? Quem foi que me indicou para este programa? Duas coisas devem ter acontecido. A repórter e a produção do programa estavam sem assunto ou sem personalidades disponíveis naquele momento e pimba! 


A moça da banca deve ter dito que eu trabalhava em jornal, pois todos os dias procuro o nosso O Diário por lá, e a garota, sem opções em mãos, utilizou este velho escriba para contar histórias no primeiro programa do ano. Foi legal. Falei do nosso jornal e do nosso futebol campista.

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