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O Bar Leader: O Bife do Angiludo

 

Seguindo a trilha dos grandes bares da nossa Miracema, principalmente os tradicionais da Rua Direita, vamos ao Bar Leader, do grande o Zé Careca, ainda naquele prédio antigo, quase na esquina com Rua Coronel Josino, bem ao lado do Rei dos Barateiros, do José Ferreira de Assis.

O ponto de encontro, como era no Bar Pracinha, de comerciantes, fazendeiros e estudantes, que escolhiam aquele lugar para encontrar aquele lanche pós aula noturna e por boêmios que viam no bife do Angiludo Cagiano o prato principal de suas pós noitadas já que o bar funcionava até um pouco mais tarde. 

Por muitas vezes aquele era o nosso lugar de parada ao retornar de Pádua, onde íamos, eu, Elierto Carvalho e Cleomo Schueler, falecido precoemente antes de viver a vida inrtensa que desejava, encontrar com aquelas que seriam, mais tarde, nossas esposas, e o Bife do Giludo era tudo de bom e o alimento que faltava para completar a noite, já em Miracema, por volta da meia noite. 

E o que era este famoso bife? Nada demais, apenas o tempero e o jeito de fazer, bem ao estilo do veterano Farid, dono das noites na Pracinha dos Boêmios, lá na subida da Santo Antônio, cujo sabor, segundo seus velhos e assíduos fregueses, superava qualquer outro neste planeta terra. Duvidar? Jamais, são muitos fãs do Farid espalhados pelo mundo que irão me desmentir e comprovar que realmente, aquele bife, era diferenciado.

Zé Careca era especial, um homem do bem, simpático, sem falar muito, mas com um atendimento especial e uma paciência que nem Jó, aquele da Bíblia, teria em momentos cruciais como este que conto aqui:

Certa tarde, de um dia qualquer de uma semana qualquer, um freguês amigo, daqueles cujo laços familiares e de amizade deixavam a vontade o dono do estabelecimento, resolveu adentrar ao recinto com seu veículo, e o Zé Careca, calmo até demais, simplesmente disse a ele: - Se quiser entrar abra as das portas e faça. E não deu outra, a Rural do freguês adentrou ao recinto e foi levando mesas e cadeiras para o meio do bar, os fregueses se espantaram, porém, tem sempre um porém, ninguém se machucou e o que restou foram boas gargalhadas e um sorriso no canto da boca do Seu Zé.

E, esta eu estava junto, certa noite a turma resolveu tomar umas a mais e já passava da meia noite. Zé Careca não queria mais servir mas não poderia deixar de atender aos clientes, todos "boa gente", funcionários públicos, advogados e filhos fazendeiros, ainda estudantes,  e o que ficou decidido após uma boa conversa?  Seu Zé entregou a chave para o que ele achava o mais responsável, deu uma folha de papel de cigarro e um lápis e disse: - Anotem o que beberem e comerem e amanhã a gente acerta, não esqueça de fechar bem a porta da frente. 

Seu Zé ficou por ali algum tempo a mais e se mudou para o seu último endereço, onde foi o Bar Central, do seu irmão Vavate, bem em frente ao Bar Pracinha onde instalou, além do bar, um belo salão de sinuca. Mas esta é outra história. 

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