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No Balcão do Bar Pracinha

 

O Bar Pracinha, que eu conheci na esquina da Francisco Procópio com a Rua Direita, tem histórias incríveis e personagens maravilhosos, ricos, pobres, brancos, negros, mulatos ou índios, viveram momentos incríveis naquele que foi, no meu ponto de vista, o mais  elegante da cidade, principalmente o prédio antigo, o da citada esquina, já comentado em outras colunas e crônicas, tem uma inspiração nos bares europeus dos anos 1950. 

Eu conheci o Bar Pracinha já na administração dos Irmãos Salim (Jofre, Nacif e José), que vieram de Palma/MG para viver seus grandes momentos em Miracema e comandaram aquele estabelecimento com amor, dedicação e com muita inovação para aquela cidade, que vivia um momento de ascendência comercial e industrial, creio que o melhor momento do município. 

Cada um de nós, garotos ou senhores que vivenciaram o Bar Pracinha até seu fechamento, hoje ali funciona o Supermercado Ramos, o mais completo da cidade, e tenho na memória várias passagens e no arquivo diversas narrativas, como esta do ex-zagueiro Célio Silva, funcionário da bar por um bom período de sua juventude, antes de se tornar o atleta de sucesso que foi. 

- O Sten, cozinheiro da casa, ao lado do Jofre, o proprietário, preparam uma comida árabe, especialidade da casa, que por aqui conhecem como trouxinha de uva, ou charutinho de repolho, mas na verdade, em língua árabe, é o famoso Merche, que é uma mistura de arroz, com carne moída enrolada em uma folha de uva ou em repolho, mais usada no Brasil. Diz Célio em sua narrativa. 

Aí, continua nosso Celinho, o Sten preparou tudo, temperou, enrolou e colocou em um panelão para posteriormente colocar para cozinhar. E a panela ficou no balcão, continua o ex-zagueiro, e eis que surge Lúcio, o veterano e folclórico garçom do Bar Pracinha, e pergunta: 

- Sten, o que é isto na panela?

- Merche, Lúcio, Merche 

E Lúcio foi à cozinha, voltou com uma imensa colher de pau, e mexeu aquilo tudo até desmanchar e avisou: - Tá pronto, Sten, tá tudo mexido como pediu. 

Para quem conhece a iguaria e sabe o que aconteceu, pode entender a ira do Jofre e do cozinheiro. "Soninha" , o companheiro de cozinha do Stein, não sabia se ria ou chorava por aquela "destruição" provocada pelo Lúcio. 


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