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Os amigos de meu avô


Tem certos dias em que você pensa nos amigos que se foram, nas pessoas que ate rodeavam e não mais estão ao seu lado, mas eu, em muitas oportunidades, fico pensando nos velhos amigos do meu avô Vicente Dutra, pessoas queridas pela família e eram verdadeiros amigos e até chamadas de primos ou parentes.

Parece incrível, mas eu, mesmo criança, já nutria uma grande amizade por este trio de amigos do vovô e, tenho certeza, que se eles estivessem ainda entre nós, seriam meus amigos do peito e de convívio tal como eram com meus avós.

Por exemplo, Benedito Lima, um fazendeiro de boas posses financeiras, homem simples e educado, que todos os dias, parecia obrigação, passava pelo bar e sentava à mesa da varanda para um café e uma prosa. Quantas vezes fui a sua casa, na Fazenda Bendengó, para buscar frutas e verduras e andar pelo terreiro esperando dona Laís, sua esposa, chamar para o almoço ou para o lanche da tarde.

Sei lá, nós vivíamos um tempo diferente do vivido hoje, éramos felizes do jeito que podia e nada impedia esta felicidade e a grande harmonia entre as famílias amigas, seu Benedito Lima era uma jóia rara assim como o seu Jeep, cujo barulho do motor era por mim reconhecido a distância.

Outro parente do vovô que nutria uma grande amizade com nossa família, inclusive o chamava de tio, era o Mariano Tostes, proprietário da fazenda onde meu avô dizia ter nascido, a Fazenda do Pinduca, em um dia 6 de janeiro do ano de 1886. Tio Mariano era outro que tinha como obrigação a passagem pelo bar e, diferente do Seu Benedito Lima, não para um café, mas para uma cerveja gelada no final da tarde tão logo terminava a labuta na fazenda.

Outro que me recebia bem em sua casa, na roça, como eu gostava de chamar aquele pedaço de terra próximo a Usina Santa Rosa, e Dona Maria Lopes, professora do Prudente de Moraes, me tratava da mesma forma que curtia seus filhos Rogério e Fernando Antônio, um carinho que até hoje me faz ter saudades desta mulher incrível e admirável.

São outros tempos, outros momentos e um período de amizade explícita e responsável, onde o respeito era profundamente valorizado e os homens se sentiam bem procurando ser os melhores possíveis. Meu avô me ensinou e me proporcionou grandes amizades, a distância dos anos entre mim e seu Benedito ou Tio Mariano, jamais impediu uma prosa com assuntos que interessavam a nós todos, falávamos de tudo, futebol, música, teatro e até amenidades da vida e do cotidiano.

Tive a felicidade de ser companheiro de mesa, para um chope gelado ou uma cerveja no “capricho” com Tio Mariano na Kiskina e ou no bar do Zé Careca, lugares que passou a frequentar após o fechamento do bar da Praça Ary Parreiras número 174, onde vivi intensamente durante 25 anos de minha vida.

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