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Sobre festa, saudade e decisão inteligente

Mais um dia de intensa emoção na minha Miracema. Mais um dia de lágrimas de saudade e felicidade, claro que algumas vieram de saudade de amigos e familiares que já não estão conosco e, certamente, estariam na Rua Direita vestindo a camisa amarela do grupo, que agora ganhou um parceiro legal, a turma da camisa preta, que veio de Niterói e são tão amantes da terrinha como todos nós, os da camisa amarela. 

Naquele grupo "Jardim dos Miracemenses" veio um cara que me arrancou um grande sorriso e um punhado de lágrimas, um dos mais geniais amigos 
miracemenses, um craque no basquete, na música, no tênis de mesa ninguém era páreo para ele, e as vezes, já escrevi sobre isto, no futebol até nos surpreendia, mas sua grande virtude é a simplicidade e sua alegria de viver, quem conheceu o Guti Lontra sabe disto e aqui, neste parágrafo especial, uma reverência toda especial para este amigo que agora já não faz parte do rol das grandes saudades. 

Saudade de verdade, doída e que deixa o coração dolorido, é do grande homenageado do domingo de desfile e alegria, meu amigo, irmão como ele gostava de me chamar, Renato Mercante, que nos deixou recentemente e ainda está e ficará para sempre na lembrança de todos nós, da camisa amarela ou da camisa preta onde, tenho certeza, deixou milhares de amigos e centenas de irmãos como eu. Mais uma reverência e esta com muita saudade e muita dor no coração. 

O outro homenageado do dia não está na saudade e sim muito perto de todos nós, Dr Ney, que cá para nós nem é preciso falar sobrenome já que seus quase quinze mil partos na cidade e região credencia seu nome, simples e pequeno como ele, como um gigante da medicina e um gigante no coração de todas as mães e filhos de Miracema. Uma homenagem mais do que justa e perfeita para um homem que vive para seu trabalho e para seus pacientes e, principalmente, para suas "crias" que não o esquecem jamais. Aqui mais uma reverência e esta muito especial e que é compartilhada por todos que lá estiveram ou estão nos lendo no momento. 

A Exposição foi revivida, pelo menos no sentido social, as barracas se superaram, principalmente a do Grupo Rancho da Confraria, um destaque para o chope e para as carnes e petiscos, foi realmente o point e aqui cabe mais uma reverência a estes rapazes dedicados e unidos pelo ideal de fazer Miracema mais feliz com suas festas e suas realizações, que sejam sempre assim porque o sucesso será garantido. 

Não vi a razão de ser da Exposição, o gado e a parte comercial e industrial, não é "minha praia" e nem mesmo nos tempos áureos deste festa, nos anos 70/80 eu conseguia tempo para passear pelas baias dos cavalos e dos bois expostos por ali, mas sou inteligente o suficiente para entender que os especialistas vibraram com o evento e que Miracema em breve estará novamente no top das exposições agropecuária. 

Fechando o papo falando sobre um momento ruim e que teve um desfecho bem legal graças ao bom senso de uma funcionária do grupo que organiza os shows da festa e daqui, sem saber seu nome, pequei por não pergunta-la, resolveu um problema que teria um desfecho ruim se não fosse sua intervenção precisa e inteligente.

Explico: No sábado, segundo dia da festa e primeiro pago, o público entendeu o recado da organização, os portões seriam fechados para entrada franca às dezoito horas, famoso seis da tarde, e quem chegou um pouco antes, como eu, por volta das cinco e vinte da tarde, teve o desprazer de ver os portões serem fechados por seguranças contratados. 

O caos parecia se instalar, muitos humildes miracemenses, sem condições de pagar os sessenta reais cobrados, chegaram cedo e foram surpreendidos pela decisão da empresa. Esta moça interveio e depois de quinze minutos de negociações e conversas, que pareciam não levar a lugar nenhum, ao ver que poderia provocar um grande tumulto já que por ali se reuniam quase cem pessoas a espera de uma decisão, consultou as base e os portões foram abertos e assim ficaram até a hora prevista, dezoito horas. Minha última reverência da coluna é para ela para o Juarez Nunes de Souza e a empresa. 

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