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As histórias do Morrumbi na visão do Sebastião Moreira

Sexta-feira, um frio gostoso batendo sobre a Planície Goitacá, e eu quase na hora da minha soneca pós almoço, e o celular toca insistentemente. Penso se vou atender ou não e quando olho o visor vejo que quem quer falar comigo é o velho parceiro e amigo Sebastião Moreira, que dizendo assim o leitor vá se perguntar: 

- Quem é este Sebastião Moreira? 

Pelo nome da certidão de nascimento poucos saberão de quem se trata, mas no decorrer do causo, que ele queria me contar e passar para a coluna, você ficará sabendo facilmente que nosso personagem é uma das figuras mais simpáticas, mais queridas de nossa Miracema, porém, tem sempre um porém, dentro do campo de futebol não tem muito causo para contar a não ser deste tipo que narro após suas dicas via celular. 

- Dutra, tá na hora de você contar os causos de nossas peladas lá no Morrumbi, onde até eu era rei e você teve passagem discreta no gramado cheio de buracos e toco de grama do nosso campinho na rua da Laje, diz ele, o Sebastião Moreira, nosso querido Dadinho, doce figura e que lá nas peladas do Morrumbi se sentia um craque. Será?

- Desculpe te atrapalhar logo depois do almoço, o que está fazendo aí? Pergunta Dadinho já querendo saber se pode continuar a prosa ou se vai mandar mensagem via celular. E, quando disse que estava em casa, assistindo aos melhores momentos de Vasco x Joinvile, para saber se Celso Roth tem razão ou não em dizer que seu time precisa de melhorar muito nos próximos jogos, o amigo disparou a metralhadora. 

- Já que você está vendo uma pelada das ruins que tal contar a história das peladas do Morrumbi? Lá tinha o Tancredo (Fernando), o nosso xerife, bem melhor que este Rodrigo, tinha o outro zagueirão, o Mário do Banerj elegante dentro e fora da pelada, o atacante Colbert Brandão, o filho,  que se achava craque e não conseguia ficar em pé, mas tinha o Nenenzinho, melhor do que este Nenê que o Vasco contratou. 

Aí eu peguei a dica do Dadinho e, como fazia comparações ao Vasco e seus reforços, me lembrei de que ele, o Dadinho, jogava igual a este Jorge Henrique, que hoje está também chegando ao Vasco, igual, não, né Dadinho, bem melhor. Ou não?

E o Dadinho continua me passando nomes, tentando me convencer em escrever a coluna sobre as peladas do Morrumbi. - Dutra, tinha o Ivan, filho do Lúcio, e o Ivomar, filho do Dedé, os dois donos de bares ali da Rua da Laje, lembra deles? Pergunta o amigo. Claro que me lembro, são dois grandes amigos, mas cá pra nós, Dadinho, jogar contra estes dois era dureza, orelha era tornozelo e cabeça era sola do pé. Como batiam. 

E tome de lembranças, das boas, o cara me vem com uma dupla espetacular, estes dois sim, jogavam futebol de gente grande, Emerson e Robinho, filhos do Seu Newton da Casanova, e do Fedô, grande amigo e de quem tenho uma saudade danada, será que seu irmão Ademar também jogava naquele "estádio" da Rua da Laje? Dadinho tem boa memória e vai lembrando do Zói de Fogo e da valentia do Tancredo. 

Me lembro bem, Dadinho, já até contei aqui, quando recebi a intimação do Nilton Nepomuceno, que as peladas do Morrumbi eram históricas e que ali só jogava quem o Tancredo deixava, era o xerife do lugar e "dono" do terreno, mas sempre foi um cara legal do bem, apesar da fama de mal e briguento que carregava, fomos colegas de colégio e subia para o Morrumbi com sua permissão. 

São destas saudades que vivo e gosto de contar, as boas coisas de nossa cidade, que estão em desuso, e da convivência gostosa com os amigos da bola e da turma animada da Rua da Laje, que me recebeu muito bem quando lá fui morar, em 1975, logo após me casar. E o Dadinho esqueceu de um outro "rei do pedaço" o zagueirão João Campeão que era do canto e sabia, como poucos, bater na bola apesar daquele terreno ruim e irregular. 

Bela lembrança. meu caro Sebastião Moreira.  Valeu. 

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