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Um diálogo inesperado em Cuiabá


Ontem, dia 10 de dezembro, meu amigo e companheiro de infância, Luciano Mercante, na terrinha conhecido como Nê, do Noca, coloca uma mensagem no Facebook lembrando do seu mano, Luiz Carlos, para nós o Caquinho, que completaria, nesta data, 69 anos de idade e dez anos do seu desenlace da família. 

Mandei um retorno dizendo que contaria um causo nosso, ocorrido no Mato Grosso, no início dos anos 80, em um momento bem especial para este escriba, que passava boas férias em Cuiabá, visitando o Pantanal, a Cachoeira do Rio Quente e a queda dágua da Chapada dos Guimarães. 

Mas o causo aconteceu em uma transmissão esportiva na Rádio Centro América, de Cuiabá, no intervalo da partida entre Operário/Vázea Grande x Mixto/Cuiabá, na decisão do Campeonato Mato-grossense de futebol, a qual comentei, a convite do narrador, cujo nome me esqueci completamente, e foi de uma alegria imensa o fato que narro abaixo.

Na metade do meu comentário eu dizia que o clássico, Mixto x Operário, me fazia lembrar do grande clássico de Miracema, em minha juventude, entre Vasquinho x Operário, que tinham as camisas iguais aquelas que os dois melhores times do Mato Grosso vestiam naquele momento. Citei alguns paralelos entre aquele jogo e aos disputados no Estádio Municipal de Miracema.

Claro que citei diversas vezes o nome da cidade e, para minha surpresa, momentos depois, o plantonista me pergunta se eu conhecia algum Luiz Carlos Mercante, lá de Miracema, e por pouco e diria que não, mas tenho boa memória e imediatamente identifiquei o Luiz Carlos como o meu amigo Caquinho, e por sorte eu também sabia que ele estava no Mato Grosso, onde tinha fazendas.
E aí veio um bom diálogo, entre mim e Caquinho: 

- Cara, como é que você me descobriu aqui, perguntei. 

- Meu capataz estava ouvindo o jogo e me disse: "Seu Luiz Carlos, estão falando na sua cidade aqui na Rádio Centro América". E ele, Caquinho, logo logo soube que o comentarista daquela hora era o Adilson, do Zebinho, neto do Vicente Dutra, e mandou o cara ligar para rádio e conversamos no ar e depois fora do ar.

Imagine você como foi bacana este momento? Foram cinco minutos ou pouco mais do que isto, mas o suficiente para que nós ficássemos alegres e, infelizmente, depois deste dia nunca mais nos falamos e alguns anos depois fiquei sabendo de seu desaparecimento prematuro. 

Foi muito legal, meu caro Luciano Mercante, tão bacana como foi te reencontrar, após quase cinquenta anos, em frente ao Estádio do Goytacaz e trocarmos algumas prosas dias seguidos, que aliás estão escassas. Vamos combinar um encontro para que possamos botar nossas histórias em dia. 

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