segunda-feira, 20 de outubro de 2014

E a dor de cabeça sumiu após a chuva

Neste período em qua chuva é rara e a necessidade de que ela caia é imensa, me recordo das peladas do Ginásio, sob chuva intensa, dos treinos no Estádio da Rua da Laje, das saídas do Nossa Senhora das Graças debaixo de um toró de fazer inveja nos dias de hoje e dos bons passeios pelas ruas de Miracema sob a chuva, sem vento é claro, e melhor ainda, sem relâmpagos para assustar ou botar medo na gente.

Lembro -me bem de um sábado, dia de trabalho na Loja do Neffá, onde eu trabalhava nos anos 70, me bateu uma tremenda dor de cabeça, daquelas que não sabe como chegou e não vai embora nem a pau, e permaneci na loja simplesmente para cumprir minha obrigação, a vontade era sair correndo, passar na farmácia do Juju, comprar um comprimido e deitar debaixo de uma colcha e dormir até o domingo.

Tempo ficando feio, como vejo ficar agora aqui na nossa Campos dos Goytacazes, e o vento, do qual tenho um respeito que chega perto do medo, começou a soprar e o Neffá me diz, lá de dentro do escritório: "Feche as portas até a metade que o vento vai derrubar as tintas e as pias, e pode ir embora antes que a chuva venha". 

Não sai, embora a dor de cabeça não tivesse passado, muito pelo contrário, o medo do vento e dos relâmpados até piorou, e após meia hora ou mais de expectativa caiu a tão esperada chuvarada, e não foi pouca, foi chuva para encher a rua e deixar muita gente feliz, principalmente quem morava na beira do ribeirão, que viu os mosquitos espantados com a água nova e limpa que correu a partir da chuva. 

E quando os relâmpagos e o vento deram um tempo, a chuva seguiu forte, eu saí da loja sem guarda-chuva, sem capa ou qualquer outra proteção, e fui andando devagar, pelo meio da rua, naquele tempo ainda podíamos caminhar pelas ruas sem medo de ser abalroado por um maluco no trânsito, molhando dos pés a cabeça e sem pressa para chegar à casa.

Cheguei e fui recebido pelo Ralph, ainda um bebê, falando as primeiras palavras, e gritava para Marina: "Mamãe, papai está todo molhado, bota ele de castigo". Ri muito e entrei, com as roupas pingando e levando bronca da mulher, que havia feito a faxina do sábado, seu dia de folga nos colégios que trabalhava, e entrei para o chuveiro para completar o que a chuva havia iniciado.

E Marina perguntou: "E a dor de cabeça, aliviou?" Juro que havia esquecido da tal dor de cabeça, no trajeto da loja até minha casa, na Rua João Pessoa, com a chuva caindo sobre o corpo, me refrescando barbaridade, esqueci da dor e esta, como aquela propaganda do remédio, sumiu e ninguém sabe para onde foi. 

E hoje, enquanto espero a chuva cair para limpar nosso Rio Paraíba, limpar as ruas e molhar a cabeça de quem a tem quente com os dias nervosos como os dos novos tempos, fico aqui recordando meus bons momentos na terrinha e do meu grande amigo Neffá Murched El Kouri, que como padrão foi muito bom e como um segundo pai foi muito melhor ainda. Saudade eternas do meu prezado e querido amigo. 

Homenagem aos amigos portugueses

Em 2008, quando fui a Portugal pela primeira vez, nossa guia, fantástica por sinal, fez um balanço dos nomes de famílias brasileiras, oriundas da "terrinha" e durante as viagens de ônibus, pelos caminhos traçados pelo roteiro da CVC, fomos conhecendo plantações de pera, figo, uvas e enquanto olhavamos as plantações ela explicava.

- Meus avós, dizia ela, foi daqui de Évora para o Paraná, lá no Brasil, e eram colonos em uma fazenda que produzia figo e como não tinham documentos os seus patrícios, que os receberam no Brasil, colocaram o sobre nome deles de Figueira, como muitos outros portugueses que cultivavam a fruta e vieram para nosso país, e por aí foi explicando cada um dos sobrenomes e cada um dos apelidos destes maravilhosos colonizadores do nosso Brasil.

Então minha cabeça foi passeando por Miracema e descobrindo, ou tentando descobrir, se meus vizinhos Garibaldi Parreira teve seus ascendentes cultivando uvas em Portugal? Será que seu Neném Braga tem este sobrenome por ser sua família originária da cidade do mesmo nome, também em Portugal? Seu Nenzinho Pereira era descendente de cultivadores de pera (árvore da foto)? 

Não fui a Ilha da Madeira, quem sabe desta vez eu tenha chances? Mas no Aeroporto acompanhei o embarque de centenas de lusitanos e e turistas estrangeiros para o famoso torrão português, um dos destinos mais procurados por quem vai a Portugal a turismo, e quando vi a chamada do embarque meu pensamento se voltou ao meu saudoso amigo Porfírio Augusto Botelho, ou simplesmente Seu Botelho, que sempre me falou deste lugar, nem sei se ele é descendente de lá ou se veio da famosa Ilha. 

Encontrei, via Internet, um João Picanço, jornalista como eu e meu filho, morador de Lisboa mas nascido e criado na Ilha da Madeira e confirma que nossa família é mesmo oriunda daquele paradisíaco lugar. mas o moço não é muito simpático e não é muito de conversa sobre o tema família, desconversou muito e me desliguei do gajo dando um block em seus retornos de prosa.

E o que seria o significado do sobrenome Vieira? Meu vizinho, dos tempos de infância, na Praça Ary Parreiras, seu Manoel Vieira, veio de Portugal assim como outros comerciantes da nossa Miracema, seria, segundo a nossa guia da excursão, um apelido dado a um grande senhor, colonizador das terras na Beira Douro, o rio mais famoso de Portugal, Rui Vieira, o Minhoto, que transformou seus descentes em fidalgo e ganhou fama na corte portuguesa.

Conheci Portugal através das narrativas do Seu Arthur, dono de um belo bar na Rua José Higino, na Tijuca/Rio de Janeiro, e de seu filho, Fernando, um pouco mais velho do que eu mas um português amante do futebol e, pasmem, do Flamengo. Seu Arthur veio rapaz e tem na lembrança os bons momentos vividos na sua terrinha, veio do Além Tejo para o Rio e nunca mais voltou para rever os parentes e amigos que por lá deixou.

Mas um outro amigo, dos tempos de Banerj/Campos, que veio da cidade do Porto, não esquece as origens e volta anualmente para ver as suas prendas, como gosta de dizer José Maria Gomes de Pina, um portista apaixonado por sua gente e sua terra e que fica feliz quando me recebe para dois dedos de prosa sobre Portugal e suas belezas, ontem, ao saber que iria até Porto, me abriu as portas de sua casa para que lá ficasse, como já o fizera em 1999, quando o Banerj foi vendido e cheguei a pensar em me mudar para fora do Brasil.

- Cá estão as chaves de minha casa e lhe garanto um bom emprego no Porto, meus irmãos o receberão por lá e tenho certeza de que tudo vai dar certo, me dizia na época o bom amigo Gomes de Pina, dono da farinha mais torradinha do interior do Estado do Rio. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A primeira viagem ninguém esquece

Tempo de renovação de passaporte e tempo para recordar bons passeios e boas histórias e a primeira delas é exatamente a retirada do primeiro passaporte, em 2005, que tem uma história interessante e mostra a eficiência e o bom atendimento da Polícia Federal, escritório Campos dos Goytacazes, para com os usuários deste departamento.

Abril de 2005, já na segunda quinzena do mês, a Sky me liga e diz secamente: "Você é o vencedor da promoção "escreva sobre o Campeonato Espanhol", ganhou duas passagens, ida e volta, para Madrid, com direito a hospedagem e ingressos para o jogo Real Madrid x Atlético Madri, a viagem será dia 17 de maio e sua documentação tem que está em ordem dentro de dez dias".

Seco demais, não? Pois é, tinha apenas dez dias para pedir meu passaporte, preparar a documentação e entrega-la a operadora de  viagem que intermediava o concurso. Pensei comigo, não vou a Espanha e perderei a chance de minha primeira viagem internacional, mas não vou perder fácil, vou buscar a vitória. 

Ainda naquela quarta-feira saímos, eu e Marina, rumo a Polícia Federal, agência Campos dos Goytacazes, para tentar resolver o problema. Fomos atendido de forma espetacular e, após contar o acontecido e como gerou a pressa de ter em mãos pelo menos o número do Passaporte, a agente da PF foi clara: "Os senhores não perderão o passeio por culpa nossa, vamos providenciar tudo com urgência e daqui a dois dias voltem aqui para pegar o protocolo".

A esperança ficou no ar e após o prazo lá estávamos nós para retirar o tão sonhado Passaporte e, para surpresa, recebemos a informação: "Não há passaporte disponível na delegacia e vai demorar um pouco a vinda de outros de São Paulo". Putz, aquilo bateu como um gol contra e ficamos certos de que não iríamos viajar, o tempo passava e não havia como resolver em uma semana.

Mas os agentes da Polícia Federal, delegacia de Campos dos Goytacazes, cumprem o que promete e, com interesse em resolução imediata, um fax foi enviado para São Paulo e de volta chegaram os números do documento, que foi anexado em um documento oficial e enviado para a operadora de viagens como garantia que teríamos os passaportes dentro do prazo legal para a viagem.

Tudo resolvido e a torcida a partir dali era para que a delegacia de Campos recebesse os passaportes pelo menos dois dias antes de nossa viagem, 17 de maio de 2005, e dentro do prazo correto eles chegaram, retiramos os ditos cujos, agradecemos bastante a agente da PF, que não guardo na memória o nome, e, munidos dos passaportes estávamos aptos para viajar para Madrid. 

Mas a aventura não terminou aí, tinha muito mais aguardando a dupla de viajantes neófitos, nosso voo Rio x São Paulo, que estava marcado para às 15:45h, com tempo suficiente para ir a agencia de turismo, retirar as passagens e pegar os valches de hotel, foi transferido pela Gol para 19:45h e aí apertava o cerco, São Paulo x Madrid, pela Varig, estava marcado para às 22 horas, no Aeroporto Internacional de Cumbica, e tínhamos que ser rápidos em tudo daí pra frente.

Desembarcamos e seguimos direto para o balcão da Varig e de lá ao escritório da operadora de viagens, tínhamos apenas dez minutos entre esta etapa e o momento do embarque, mas Deus é nosso Pai e em cinco minutos estávamos na fila de embarque, já passando pela Alfândega e o chek-in e por lá fomos recebidos com olhares estranhos e uma afirmação:
- Puxa, vocês conseguiram. 

Sim, conseguimos, a Polícia Federal, delegacia de Campos dos Goytacazes, nos deu suporte necessário para que usufruíssimos do meu prêmio e lá fomos nós viajar felizes da vida em nossa primeira aventura na Europa. 

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...