segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

64 anos 15 copas do mundo - Parte 1


Na primeira Copa do Mundo, no Brasil, eu engatinhava e nem sequer pensava que o futebol entraria na minha veia prá ficar, isto em 1950 e só ouvi, anos depois, as histórias contadas pelo meu pai, Zebinho Dutra, que segundo a lenda estava entre os duzentos mil presentes na catástrofe histórica do Maracanã.

Quatro anos depois, 1954, a Alemanha surpreendeu o mundo da bola e venceu a Hungria, na Suíça, e eu, mais uma  vez, nem imaginava qual seria o meu futuro. Chutava as primeiras bolas, na calçada do bar do meu avô e na grama da Prefeitura, mas não fiquei sabendo o que se passava lá pelos gramados suíços.

No ano em que o Brasil venceu o Mundial da Suécia, 1958, já participava das conversas dos adultos, ouvia a transmissão no rádio do Vovô Vicente Dutra e era considerado o amuleto da sorte pelos frequentadores do bar, isto porque eu enchia o saco deles, falando sem parar, e me mandavam até a padaria do Garibaldi comprar balas, e, quando eu voltava, sempre saia um gol do Brasil, que aliás foi campeão naquele ano.

No Chile, em 1962, já percebia o que estava acontecendo a ouvia as transmissões, via rádio, antes de sair para o treino do time do Bitico, no Estádio da Rua da Laje. Já tínhamos nossa torcida organizada e já imaginava os lances dos jogos e festejei bastante o título conquistado, em Santiago, sobre a Tchecoeslováquia.

Foi o pós Copa da Inglaterra, em 1966, que nasceu em mim a vontade louca de ver de perto um Mundial de Futebol. Ouvi, como já contei em prosas e crônicas, três miracemenses a contar histórias doa jogos, das festas e da confraternização dos povos.

Me enchi de coragem para dizer aos senhores Altamiro, Suíço e Newton Gouveia, que um dia eu veria de perto uma Copa do Mundo de Futebol, mas aquela, vencida pelos anfitriões, ouvi pelo rádio e assisti os vídeos tapes na extinta TV Tupi. 

A primeira Copa do Mundo transmitida, via tevê, para o Brasil foi a que mais marcou a minha história boleira. México, 1970, um timaço brasileiro liderado por Pelé e Gérson e festa de verdade pelas ruas de Miracema. Aí sim, de verdade, eu pensei mais forte ainda: Vou ver uma Copa de perto custe o que custar. Brasil campeão vencendo a Itália numa final que hoje tenho gravada em DVD.

Copa da Alemanha em 1974, já com um bom emprego e com chances de realizar meu sonho. Vou a Copa ou me preparo para o casamento no ano seguinte? Acabara de ficar noivo de Marina e ver a Alemanha campeã, em seus domínios, ficou só na vontade, não deu, mas na Argentina eu vou, afinal é aqui pertinho.

Segue... 

64 anos 15 copas do mundo - parte 2

... continuação

E veio 1978 e, mais uma vez, frustração total. Faltou grana, a firma em que eu trabalhava fechou as portas e o dinheiro ficou curto e nem sonhei em ir a Buenos Aires ver a final entre Argentina e Holanda ou muito menos assistir alguns jogos do Brasil em gramados portenhos. Como diria meu avô, deu água.

Espanha 1982 e o Brasil monta a melhor seleção pós geração 1970. Um timaço comandado por Telê Santana e Zico no apogeu. Vou lá, mas o destino foi melhor comigo, entrei naquele ano para o Banerj e não tive tempo hábil para entrar em férias e viajar para Madrid ver a Itália campeã, chorei mesmo em Miracema, ao lado do filho Ralph, na calçada da casa na Rua João Pessoa. 

A oportunidade bateu a porta, concretamente, pela primeira vez, o Geneci Pestana me incentivou e dizia que o México era tudo de bom e que iríamos em comitiva bem legal, com vários brasileiros juntos, e o Zé Maria de Aquino seria nosso mestre de cerimônias. Veio a transferência para Campos e o dinheiro não dava para custear a viagem ao México e por isto não vi o gol de mão do Maradona nem o título da Argentina.

Agora vai. Grana na poupança, passaporte pedido e a Itália ficaria mais próxima em 1990, planos de viagem feitos e refeitos e preparativos de roteiro prontos desde janeiro, porém, tem sempre um porém, o recém empossado Fernando Collor de Melo confisca minha poupança, em 16 de março daquele ano, e o sonho de conhecer a Itália ou assistir uma Copa do Mundo caiu por terra e por isto a festa dos alemães, em cima da Argentina, não teve a minha presença.

Nos Estados Unidos, em 1994, mais um convite da dupla João Moreno/Geneci Pestana, prontamente recusado, não confiava naquele time do Parreira e não sou muito simpático ao país americano, que não está na minha agenda de visitação. Não vi o Brasil campeão do mundo e nem o pênalti perdido por Roberto Baggio diante de Tafarel. 

Segue...

64 anos 15 copas do mundo -final

... continuação 

Em 1998 a maior frustração de todas as copas. A emissora que eu trabalhava fez cadeia nacional com a Record e nosso time levaria dois profissionais para a França. Férias no Banerj marcada, convite efetuado pelo chefe da emissora, em Campos, dinheiro liberado e lá vou eu trabalhar em uma Copa do Mundo e, finalmente, realizar meu sonho de juventude.

Que nada, o Itaú assume o Banerj e tudo se complica. A expectativa da resposta ao chefe, que era positiva, passou a ser uma interrogação e lá foram meus dois companheiros, Sérgio Tinoco e Pessanha Filho, para a primeira Copa de ambos, e eu, imagina? Fiquei aqui, nos bastidores, ao lado dos companheiros da Rádio Cultura de Campos fazendo os jogos em tubo e comentando a vitória da França sobre o Brasil, no pós jogo.

Coréia/Japão, 2002, foi mais ou menos o que ocorreu em 94, nos Estados Unidos, não dei a mínima para o sonho e nem sequer pensei em viajar. Não tinha grana, a viagem era das mais caras, e a distância muito longa para ver apenas dois jogos da primeira fase e por isto não vi o time de Felipão brilhar e conquistar o quinto título mundial.

E, finalmente, África do Sul, em 2010 e mais uma vez o quase esteve presente. Convite 
para hospedagem recebido, meu amigo Branco, hoje trabalhando no Goytacaz, morava naquele país e abriu as portas de sua casa para este que vos fala. Era só comprar as passagens de ida e volta e “brigar” por um ou dois ingressos, que não foram conseguidos e pensei: Sair daqui, gastar uma nota violenta e não ver nenhum jogo? Tô fora.

E hoje o sonho é real e posso ver a Copa do Mundo no Brasil, certo? Errado. Não fui sorteado para nenhum jogo, não consigo comprar passagens aéreas para viajar dentro do país durante a Copa e a hospedagem, em hotel uma ou duas estrelas, está muito além do meu orçamento, que me permite ver a Copa do Mundo, assistindo pela TV, em Paris, do que ir até aqui pertinho, Rio/São Paulo/Belo Horizonte, para assistir nas arquibancadas de uma desta novas arenas brasileiras.

E por isto estou pensando seriamente em realizar um outro sonho, mais real e muito mais próximo, que é viajar até Lisboa para assistir a final da Champions League, em maio deste ano.

E já está no projeto.  

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...