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Viajando com Ermê Sollon

No final de semana que passou, levei meu amigo Ermê Sollon ao Braseirinho e conversamos longamente sobre futebol, viagens, negócios, jornalismo e aposentadoria entre outros assuntos possíveis em uma mesa de bar. 


Meu bom amigo Motta, que também visitava a cidade, sentou-se à mesa e nos proporcionou momentos agradáveis com sua prosa inteligente e arrancou, do fundo do baú, histórias maravilhosas do nosso Ermenegildo velho de guerra. 


O garçom Jacaré de quando em vez provocava um debate quando o assunto era viagem, falando que por aqui as nossas cidades não ficam devendo nada as visitadas por Sollon no Velho Continente, sem falar nas provocações com o Flamengo do veterano jornalista, que naquele final de semana enfrentaria um São Paulo FC embalado. 


- O senhor deve conhecer Recife não, seu Ermenegildo? - Sim, garoto. Conheço Recife e, para seu governo conheço também Veneza. Não dizem que Recife é a Veneza brasileira? Então, fui lá prá conferir e gostei das duas. Cantei músicas napolitanas nos canais de Veneza e nos bares de Recife ouvi, cantei e dancei cocô, forró e baião. 

E foi só fazer a primeira comparação que o assunto ficou fixado nas viagens, Motta e este escriba, apesar de viajantes experientes, não temos dez por cento das histórias de Ermê Sollon, que com cinco Copas do Mundo, duas Olimpíadas e um punhado de viagens acompanhando seleções brasileiras, times cariocas e políticos famosos, nos deixa anos luz de seu currículo. 


Contei que conheci o Vaticano, mas que visitei a Candelária, no Rio de Janeiro; falei da minha chegada a Fátima, em Portugal, onde me emocionei até as lágrimas, mas a passagem por Aparecida, em São Paulo, ao lado do amigo Carlos Barreto, também me deixou com olhos marejados. 


As igrejas de Barcelona, com majestosas obras do mestre Gaudi, me impressionaram tanto quantos as de Minas Gerais (Ouro Preto, Mariana e Tiradentes) com obras do mestre Aleijadinho. 


Cacá Motta me lembrou que passamos pelo Louvre, na França, e imediatamente me lembrei dos museus da Quinta da Boa Vista e de Petrópolis, ambos imperiais e ricos em recordações de nosso Império, sem falar no Museu da Língua Brasileira e do Museu do Ypiranga, ambos em São Paulo.  


Meu primo Miguel Antinarelle mora em Latina, nas proximidades de Roma, e passeamos por lá e subimos as colinas para ver a Cidade Eterna do alto e conhecer uma cidade medieval, mas dizendo aos amigos que conheço também as colinas de Palma, Minas Gerais, terra natal de Miguel, que nos faz lembrar dos tempos de fartura do ouro no país. 


São viagens inesquecíveis, como sentar à beira do Tejo para um vinho acompanhado de um bacalhau à portuguesa, mas falando em vinho que tal nos lembrarmos das visitas as Serras Gaúchas onde o frio, em julho, lembra bem a gelada Suíça e os Alpes maravilhosos? Sim, ali no sul também se toma ótimo vinho e Gramado é daquelas cidades que todos um dia querem visitar ou retornar para um novo passeio. 


- Paris é festa, é eterno. Londres e seu clima instável também é aconchegante, me lembra muito as noites em Porto Alegre, diz Ermê Sollon. Sei que muitos me criticam quando faço estas comparações. 


Lá no boteco, em Niterói, segue Sollon, muitos me perguntam se conheço os Estados Unidos e para deleite dos meus companheiros eu dou minha opinião, que eles não cansam de ouvir: Não gosto dos americanos e detesto políticos, por isto não fui aos Estados Unidos, nem na Copa, e jamais quero ir a Brasília. 

E, para ilustrar e botar um ponto final na conversa, o Abraão quer fechar o estabelecimento, eu completei: Se Paris é festa e Londres é aconchegante o mesmo eu digo de Salvador, uma festa em cada dia, e de Fortaleza, uma cidade acolhedora e bela que não podemos esquecer. 


Torre de Pisa é legal, as pizzas das noites paulistanas também é turismo. Navegar pelo Rio Sena, em Paris, é delicioso, porém, olha outro porém aí, andar pelo Pantanal Mato-Grossense é muito mais emoção mais emoção. 


E na hora do fechamento o gaúcho Abraão, viajante voraz, deixou o recado: - Viajem pelo mundo, mas conheça este nosso Brasil velho de guerra, que também é gostoso, bonito e cheio de atrações.

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