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Os clássicos de cá e de lá

Vendo agora, na telinha da ESPN, o clássico da terra dos Beatles, Everton x Liverpool, dou uma guinada no tempo e vejo o azul,do Paduano, e o vermelho, do Tupã, em campo. Sim, é saudosismo mesmo, sem dúvida. 


O que vejo, na bela imagem em HD na minha tevê, me leva de volta aos anos 60 e aos grandes jogos, verdadeiros clássicos regionais, lá no meu Noroeste Fluminense, que aliás, naquele tempo, ainda era chamado de Norte Fluminense. 


Bons duelos entre os vermelhos do Tupã, que tinha o gênio Ademir, o craque Totô, o classudo Alvinho, Bizuca, no gol e o xerife Valdir, na zaga. No azul Paduano o craque Euber, o ótimo Homero, o valente Conguinha, e o viril zagueiro Barão. 


Participei de alguns, mas os que vi, como torcedor foram os melhores, pois não saí contundido e nem esfoliado pela zaga paduana, e assim era bem melhor porque podia ir ao cinema, namorar ou tomar um sorvete no Abdo sem ter que ficar com gelo no rosto ou curativos nas canelas, conquistados quando tinha que enfrentar a violenta zaga do Paduano EC. 


Ah! Que bom seria se naquele tempo os nossos árbitros fossem mais bem preparados e tivessem mais autoridade, como este inglês, que acaba de expulsar o volante do Everton por falta violenta, que não chega nem perto daquelas que Valdir, Ataíde, Barão, Conguinha e tantos outros zagueiros lá da região faziam nos pequeninos atacantes que enfrentavam. 


Aliás, e a propósito, é bom lembrar um episódio acontecido no Estádio Plínio Bastos de Barros, o Municipal de Miracema, com este escriba e o técnico Jair Polaca, momentos antes de um jogo contra o Porto Alegre, de Itaperuna, que tinha uma zaga pesada e que, segundo Polaca, “batia até na mãe”. 


Eu estava escalado e o treinador chegou e pediu para eu ficar de fora. “Vou botar o Onofre e o Besouro no ataque e você fica na reserva, algum problema?” Como sempre fui educado e era amigo pessoal do Polaca, por quem sempre nutri um carinho muito grande, concordei e só queria ouvir as explicações dele sobre esta mudança. 
 - Vou botar os dois parrudos lá na frente para dar porrada nos zagueiros dos caras, depois, no segundo tempo, boto você e o Tiara para correrem e vamos ganhar o jogo, disse Polaca com a sinceridade que sempre lhe foi peculiar. 


E aí, como nos bons tempos de pancadaria, acostumado que estava com os jogos contra o Paduano e o Nacional, de Muriaé, vi do banco de reservas Onofre e Besouro travarem duelo interessante e violento com a zaga do Porto Alegre. 


No intervalo do jogo o João Simem, técnico do time de Itaperuna, chamou Polaca no canto e pediu que tirasse os dois atacantes que ele tiraria os dois zagueiros. Bingo! Entramos, eu e o Tiara, e com a defesa reserva do Porto Alegre com medo de dar porrada, pois seu técnico pediu calma, deitamos e rolamos e vencemos com facilidade por 3x1 e, claro, dois gols deste que vos fala neste momento. 


Por que eu me lembrei deste jogo? Nem eu mesmo sei porque. Só sei que gosto de ver na telinha da tevê os clássicos regionais pelos Campeonatos Europeus, são sempre bem disputados e quase sempre ao estilo de um Tupã x Paduano ou este que contei acima, entre Miracema FC x Porto Alegre. 


Só que hoje, meu amigo, lá no velho continente, a bola é macia, leve, gostosa de ser tocada e o gramado é um tapete, jogar futebol com aquela bola pesada, pintada de branco com tinta óleo, nos gramados pesados e esburacados de nossos estádios, era coisa para quem sabia alguma coisa e quem não sabia tentava parar a molecada na porrada, tá lembrado?

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