Pular para o conteúdo principal

Onde estão minhas fotos


É, minha gente, preciso contar mais detalhes de minha curta carreira de artilheiro aqui no nosso espaço. Na última coluna, quando contei que fui responsável pela virada sobre o Porto Alegre, marcando os dois gols da vitória por 3x1, teve gente que torceu o nariz e muitos nem sequer sabiam que fui um dos artilheiros preferidos dos treinadores da cidade.


No final de semana seguinte a publicação da coluna, aqui no Dois Estados, estive na terrinha para visitar meu amigo Celestino Sales, meu dentista oficial, e na passagem pelo Tio Nilo’s, ali na Nilo Peçanha, o Fuka questionou a veracidade do comentário sobre o jogo citado. Felizmente o Zé Carlos Cabreira estava ao lado e deu o aval necessário para este escriba, que pode até inventar histórias, mas mentir, jamais.


Só escrevi na primeira pessoa porque o goleirão Rubinho Camelo, um dos maiores da cidade em todos os tempos, me cobrou: “Adilson, você deve contar suas passagens, você tem muita história legal prá contar e muitos gols para celebrar”. Viu só, meu caro Rubens Serrano, o que aconteceu? Eu contei minhas glórias e a turma, que não viu, não acredita.


Também pudera, eu não tenho nem fotos para mostrar. Já contei aqui que me roubaram minha residência e levaram todos os jornais, fotos ou documentos dos tempos em que brilhei no Esportivo, Vasco, Miracema, Tupã e outros times da região por onde passei. Lembra daquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo, que pergunta: “Tem comprovante?” Então, estou ferrado, não posso contar meus causos aqui no espaço.


Neste mesmo dia, lá no escritório de contabilidade do Lauro e do José Carlos, conversei bastante com meu amigo João Campeão, zagueiro citado naquela danada da coluna passada, e o cara me mostrou cinco ou seis fotos do nosso Esportivo velho de guerra. Sabe quem não está em nenhuma das fotos? Isto mesmo, este que vos fala neste momento.


Vi fotos do ataque dos sonhos do Bizuca: Cacá, Júlio e Tiara, e no meu lugar estava Zé Paulo, saudoso atacante/zagueiro trombador e caneludo. Vi fotos com um ataque onde sempre pensei jogar, com Arani, Ginado e Pintinho, mas sabe quem estava lá no comando? Otavinho, já veterano e tomando o lugar deste camarada aqui, ainda em idade juvenil.


Vi outras fotos com todo mundo da minha turma, Gilson, Ariel, Batista Leite, Zé Navalha, Davi, Piaza e outros garotos bons de bola daquele tempo de ouro do futebol de Miracema. Ao lado do Nenenzinho, que jogou comigo tanto no Miracema quanto  no Esportivo, tenho várias fotos, porém, tem sempre um porém, não as encontro e quando vejo o saudoso amigo em uma foto me pergunto: Onde é que estou?


E aí, meu caro Fuka, ainda bem que você já me viu jogar lá pelas bandas do sítio do João Moreno, onde também fiz meus golzinhos, mas foto destes eventos, que é bom e eu preciso, não tenho mais nenhuma. Apelo, mais uma vez, para os amigos que as tenham para que me envie para devidas necessidade de “matar a cobra e mostrar o pau”.


Da próxima vez em que tiver de contar uma passagem ou um momento de glória, vou chamar o Alvinho Banerj para ser testemunha do causo, afinal, diziam os amigos lá do banco, que o Alvinho parece até que rascunhou a Bíblia, sabe tudo mais dez por cento do que acontece ou aconteceu nos eventos futebolísticos da cidade, ou então, trazer para a rua o amigo Rubinho Camelo para contar minhas peripécias de atacante veloz e impetuoso. Certo?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...