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ÁRBRITRAGEM - VELHAS HISTÓRIAS E UM VELHO ASSUNTO

O futebol é gostoso e gera polêmica e discussão nos dias seguintes de clássicos ou jogos decisivos. Nesta semana, em que o Brasileirão entra em sua reta final, muitas histórias e causos de arbitragem ou “entrega” entram em cena, algumas inusitadas outras inverídicas e, é verdade, muitas são verdadeiras e existem até as provas do crime.

Não canso de ouvir as velhas histórias de arbitragens em Campos, que já estão no folclore da cidade e do futebol campista, escuto dos companheiros antigos as mesmas histórias que você, leitor mais novo, já ouviu de seus pais ou vizinhos de maior intimidade.

Algumas eu descarto, é pura fantasia, como aquela do goleiro que saiu desesperado da meta e disse para o atacante:
- Chuta rápido, eu não vou tentar a defesa, estou na “gaveta.
- Eu não posso chutar, responde o atacante, eu também estou “comprado”, faça alguma coisa.

E como ninguém definiu nada e houve um encontrão, o árbitro, que segundo a lenda, também estava “encomendado” assinalou a penalidade máxima.

O curioso é que quando o atacante foi prá cobrança o zagueiro veio de lá e disse:

- Saia daí, quase sursurando no ouvido do atacante, eu tenho um “serviço” prá fazer. Eu cobro.

E a bola foi lá nas nuvens e todo mundo ficou bem na história. Certo?

Outros casos a gente ouve e dá gargalhadas porque é o supra-sumo da ironia e da presença de espírito do repórter. Um causo verídico, só não posso citar os personagens, e como diria Vicente Dutra, só conto o milagre o santo você vê no calendário do ano.

Nosso repórter trabalhava debaixo de chuva forte e com raios cortando o céu e provocando choques no microfone. Nosso bandeira trabalhava duro para atender ao pedido do chefe ou de algum superior da federação e fazia bem o seu serviço.

A cada ataque interrompido, por um impedimento inexistente, o bravo repórter dizia que o bandeira se equivocou e que mais uma vez atrapalhara o time visitante. A cada pronunciamento do companheiro o assistente se virava e vociferava algo inteligível para quem estava nas arquibancadas, mas com som suficiente para que o profissional do rádio ouvisse e entendesse o recado.

Isto foi até o final, mas para o desgosto do repórter de campo o time da casa venceu e graças aos erros, no segundo tempo, do trio de arbitragem, principalmente o bandeira, que deixou o gramado com aquele sorriso maroto no rosto.

O tempo passou e um certo dia repórter e assistente se encontram em um clube da cidade. São apresentados e o homem da bandeira pergunta:

- Você é torcedor do time do nosso presidente aqui?

- Sim, desde moleque torço para ele e sou sócio desde os dezesseis anos.

- Como é que você brigou tanto pelo adversário?

- Aquele dia eu estava na gaveta e fui obrigado a dizer que você estava atrapalhando o time que me pagou.

O presidente, que havia feito a apresentação dos dois, fechou o pano rapidamente e desconversou, pois sentiu que o tal assistente perderia a elegância e o assunto renderia um pouco mais.

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