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A COPA DAS MULHERES

Copa do Mundo para o país e as novelas, seja das seis, sete ou das nove, são deixadas de lado. O prato principal, em todas as mesas de bares e salas de visitas, é o futebol. Saem de cena Antonio Fagundes, Tony Ramos, Juliana Paes, Fernanda Montenegro, etc e tal e entram na jogada Kaká, Robinho, Lucio, Júlio César e outros astros. Alias, Ganso também já é prato frio, descartado, na moda mesmo é o jeito de ver e acompanhar a Copa do Mundo.

Homens, mulheres, crianças e idosos estão a postos e com suas vestimentas prontas, esperando apenas o apito do árbitro que comandará África do Sul x México, o primeiro jogo do mundial, para que as especulações entrem em campo. Quem será o campeão? Quem vai brilhar nos gramado africanos? E pasmem, caro leitor, o assunto entre as mulheres não é mais quem é o mais bonito ou o mais charmoso, muitas delas já sabem distinguir um impedimento, como diz Sheila França, professora de Matemática, que vai ficar atenta aos jogos do Brasil.

- Não sou adepta ao futebol, diz Sheila, mas quando o Brasil entra em campo viro uma torcedora de primeira. Conheço algumas regras do jogo e até discuto uma jogada, posso não ser expert no assunto, mas não me engano com facilidade, arremata de primeira.

Em casa eu até me surpreendo com a evolução de Marina, minha esposa, que discute táticas e traduz para o seu jeito os comentários dos analistas da televisão. “Venho de uma família de amantes do futebol, meus tios e primos são fanáticos, e me casei com um mais maluco ainda, e de quebra os dois filhos são vidrados e por isto tive que aprender”, comenta a mais nova fã do futebol, que vai assistir os jogos do Brasil vestindo a camisa usada por Célio Silva no Mundial de Juniores de 87.

Já que estou na esfera doméstica dou uma chegada até Miracema, onde minha irmã Teresa é daquelas apaixonadas por futebol. Assinante do Canal Premiere, da Sky, torcedora do Flamengo, crítica de Dunga e de Felipe Melo. “A Tetê está aposentada, diz Eliane, a irmã mais velha, e vai grudar na televisão durante toda a Copa do Mundo. Vai gostar de futebol assim lá na África do Sul”, completa a mana.

A Gisele, a filha, fez o convite para irmos a sua casa, durante os jogos do Brasil. Eu não levo muito a sério este convite por dois motivos: A Gigi não é muito chegada ao esporte bretão, assim como seu marido, Adalberto, e, pelo que senti, o objetivo de ambos é fazer uma bela confraternização em torno de um churrasco, cerveja gelada e muito papo. Estou fora, gosto de assistir quieto e analisando os lances dos jogos.

As primas Cláudia e Deise, ambas Estrela e apaixonadas pelo Fluminense, culpa do pai, Didi Azevedo, que deixou o tricolor como herança para as meninas, fazem as contas e ajustam as agendas para quando a copa começar. As duas são vidradas em futebol e acompanham, ao lado de maridos e filhos, todo desenrolar dos campeonatos em que o Flusão participa. Na Copa não será diferente, tenho certeza, e os horários estão reservados para não atrapalhar o dia a dia de trabalho.

Pensando neste filão as emissoras de televisão do Brasil enviaram, a África do Sul, grandes estrelas de seu jornalismo e farão disto um ponto extra de atrações nos telejornais e programas esportivos.

Um dos diferenciais deste ano é a presença cada vez mais forte das mulheres na cobertura, desde jornalistas mais experientes no assunto – como Fátima Bernardes, que já esteve em três Copas pela Globo – a algumas que terão sua primeira experiência no torneio, como Mylena Ciribelli, da Record, e Renata Fan, da Bandeirantes. Até gente cujo trabalho nunca foi ligado a futebol irá trabalhar na Copa da África do Sul. É o caso da apresentadora da Globo Ana Maria Braga.

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