quarta-feira, 23 de junho de 2010

Amor... ódio... rivalidade


Cresci ouvindo que Pádua, uma cidade vizinha à Miracema, era inimiga e que tínhamos que odiar os paduanos. Cresci assistindo brigas histórias nos clubes de minha cidade entre meus conterrâneos e os nossos vizinhos. Tentaram me ensinar que tudo isto era correto, não gostar de Santo Antonio de Pádua e seus moradores era normal.


Um dia assisti a um vandalismo incrível, que me deixou traumatizado e ferido no peito e na alma. Um bando de fanáticos miracemenses atirava pedras em direção aos veículos de Santo Antonio de Pádua, que acompanhavam uma procissão de Nossa Senhora de Fátima, nas imediações da Praça Dona Ermelinda, a principal da cidade.



Vivi toda minha infância tentando entender porque das brigas nos estádios e nos campos de futebol. Brigavam só porque os times, nos gramados, eram de Miracema e de Santo Antonio de Pádua. Sofri agressões em meu tempo de boleiro porque vestia a camisa do Esportivo ou do Tupã em jogos contra o Americano, de Pádua, e/ou Paduano. Tudo isto era possível naqueles anos 50/60.



Diziam-me que era uma rivalidade sadia e que era necessário incrementá-la para evolução da cidade. Jamais acreditei nesta lenda. Sempre me fiz respeitar pela educação e amizade para com o povo daquela vizinha cidade. Meu coração não cabia tanta maldade e tanto ódio e por isto acreditava que um dia eu teria paz nos bailes do Clube Social de Pádua e no Campestre Pádua Clube. Eu estava correto, este dia chegou.



Não seria eu o primeiro miracemense a vestir a camisa do Paduano EC, nem o primeiro a participar de um conjunto musical daquela cidade, como também não seria o primeiro a casar com uma garota daquela cidade. Nos anos 70, já com outra mentalidade, os jovens tornaram uma tradição o namoro entre miracemenses e paduanos (as), a cada ano um casamento entre moços e moças das cidades. Bem legal, não acham?



Então, por que tenho que torcer contra a Argentina? Por que tenho que odiar Maradona? Cresci lendo que por lá, no país vizinho, tinha o segundo melhor futebol do mundo, diziam que nós brasileiros éramos melhores. Por que não ganhávamos deles nas copas continentais entre seleções ou clubes? Eram melhores sim, um futebol de dar gosto, adorava ir ao Maracanã vê-los em ação. Repito: Por que odiar os hermanos?



Vi Ratin, em 66, peitar a Inglaterra lá no território deles e senti que aquele era o cara. Os brasileiros foram eliminados, vergonhosamente, por Portugal e eles, os argentinos, venderam caro a eliminação pelos donos da casa. “Um roubo”, diziam os cronistas daquela época.



Vi Roberto Perfumo, um zagueiro brilhante, jogar com a camisa do Cruzeiro, no Maracanã, e conquistar títulos. Sofri quando Doval, craque argentino, deixou o Flamengo, onde brilhou intensamente, para vestir a camisa do Fluminense.



Sou um fã incondicional de Maradona, um dos mais perfeitos craques que vi jogar. Sou vidrado no futebol de Messi, que não chega a um Maradona, como dizem os argentinos, mas é, sem dúvida alguma, o que de melhor temos no futebol de hoje. Sou admirador de D’stefano, embora não tenha visto jogar tenho guardadas várias imagens do craque do Real Madrid. E por aí eu posso enumerar um punhado de craques platinos que fizeram a história do futebol sul americano e mundial. 



E então eu pergunto: Por que odiar a Argentina e os argentinos? Porque me ensinaram isto quando criança, assim como tentaram me ensinar a detestar Santo Antonio de Pádua? O interessante é que a mídia, esta mesma que nos leva a não gostar dos argentinos, um dia me disse que Fernando Meligeni, o Fininho, nosso tenista, era o ídolo da raça brasileira. Como? Ele, Fininho, não é argentino? 



Ah! Tá bom, teve a Copa de 78 que garfaram a gente. Legal. Então devemos odiar é a Fifa, que liberou a gandaia e a CBF, que deve ter aceitado a armação. Aliás, a mesma armação de 94, quando a entidade mundial tirou a Argentina da Copa, com aquela punição a Maradona, só porque os hermanos tinham o melhor time do mundo e Maradona estava brigado, por ter falado a verdade, com a Fifa, e vetado para comemorar mais um título.



Tem gente que gosta de Júlio Baptista, eu gosto do Messi, outros preferem o Felipe Melo, eu prefiro o Verón, alguém vai dizer que nosso ataque é bom, concordo, mas o da Argentina é excelente. Ah! A nossa defesa é melhor do que a deles. Tá legal, vamos continuar procurando erros e insistir na insana rivalidade gratuita. O que te fez a Argentina, ou argentinos, nesta sua vida esportiva ou social? Dez minutos para pensar e... Um abraço.

terça-feira, 22 de junho de 2010

MINHAS ESTRELAS GUIAS

Sábado de Copa do Mundo, um friozinho legal, e quase cochilando dou uma sacada na tevê e ouço, isto mesmo, ouço, Angélica no seu Estrelas (Marina é fã), e uma homenagem me chama a atenção. Marco Nanini faz justiça a sua professora de primário, lá em Belo Horizonte, no longínquo ano de 1974, Dona Maria do Carmo,, que despertou o desejo de estudar no garoto Marco Antonio.

Levantei a cabeça, arrumei o travesseiro e fechei os olhos tentando buscar naquele quadro do programa algo do gênero para colocar aqui umas mal traçadas linhas, homenageando as minhas mestras, ainda vivas, dos tempos do Grupo Escolar Prudente de Moraes. Do trio que me vem a memória apenas duas, felizmente, estão por aí vivendo intensamente a merecida aposentadoria.

Minhas lembranças em que o pré-primário, acho que naquele tempo não era assim que chamávamos, era Jardim de Infância, são bem nítidas, mas juro que uma professora não vem na minha mente e o que me clareia são as festinhas e as músicas de Dona Maria do Carmo Alves da Cruz, pianista e orientadora, no auditório do Clarinda Damasceno.

Busco no baú de memória, sem muito esforço, e me vejo já no Prudente de Moraes, sob a batuta educada e singela de Dona Orlanda Aversa, que por algum motivo, acredito eu por gravidez de Lidia Emília, deixou a turma e aí encontramos Dona Maria Selma Tostes, que nos levou a aprender as primeiras palavras e completou tudo aquilo que Dona Orlanda havia começado. Se me equivoquei ou deturpei algo, Dona Maria Selma, me perdoe, aceito correções, mas tenha certeza de que aqui, neste peito aberto e safenado, tem um lugarzinho com seu retrato guardado.

Eu sempre comento, em rodas de amigos, que tenho algumas mulheres que marcaram minha vida e deram sentido a ela. Dona Lili, a mãe adorada, Dona Maria, avó amada, quatro irmãs (Eliane, Tereza, Celeste e Patrícia), quatro primeiras amigas (Gracinha, Catarina, Zezé e Jane), uma esposa (Marina) e uma filha (Gisele), que me fizeram, e fazem, ser o que sou.

Mas hoje, vendo o Estrelas, da Angélica, quem brilha no meu coração é outra professora, que ainda menina aceitou o desafio de enfrentar os “renegados” do Prudente. Uma turma de quarta série candidata a fazer, e fracassar, o exame de admissão para o ginásio. Uma turma de 12 garotos levados e, segundo algumas professoras, “endiabrados” e sem rumo.

Dona Jurecê Andrade não se deixou abater. Adotou a turma como se filhos fossem, deu o que faltava para a grande maioria, carinho e atenção, e fez de nós ótimos meninos e todos, eu disse todos, os “encapetados” foram aprovados para o Ginásio Nossa Senhora das Graças, reza a lenda, o mais difícil exame de admissão da cidade.

A professora Jurecê virou ídolo de todos nós, que aprendemos a admirará-la e amar como nossas mães. Naquele tempo não tinha este negócio de “tia”, era dona mesmo, e Dona Jurecê jamais encostou a mão, ou a régua como era de costume, em um de nós. Olha que a turma era realmente da pesada. Não éramos maus elementos ou arruaceiros, nós tínhamos hábitos diferentes de muitos e, hoje sabemos que isto se chama hiper-atividade, mas nos anos 50/60 não era bem visto pelas diretoras dos colégios e a palmatória e os caroços de milho, como castigos, eram normais.

Jamais ouvi um grito histérico vindo de Dona Jurecê, sua voz era terna, meiga e quando ficava brava, meu Deus, sai de baixo, era bronca no ouvido e a turma toda pagava o preço da alteração de um companheiro. Doce lembrança, doces anos dourados e bem vividos.

Ah! Se eu pudesse ter um espaço maior esta semana por aqui, juro que abriria um cantinho especial para Dona Mariquinha, Dona Edir, Dona Nádia, Dona Climene, Dona Ivete, Dona Solange e tantas outras, cujos nomes estão no baú da memória, mas a tampa ainda está fechada. Um abraço a todas as professoras que um dia me fizeram ser tudo isto que eu acho que sou, um cara legal e cheio de intimidade com as letrinhas, que elas me ensinaram a decifrar
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segunda-feira, 7 de junho de 2010

A COPA DAS MULHERES

Copa do Mundo para o país e as novelas, seja das seis, sete ou das nove, são deixadas de lado. O prato principal, em todas as mesas de bares e salas de visitas, é o futebol. Saem de cena Antonio Fagundes, Tony Ramos, Juliana Paes, Fernanda Montenegro, etc e tal e entram na jogada Kaká, Robinho, Lucio, Júlio César e outros astros. Alias, Ganso também já é prato frio, descartado, na moda mesmo é o jeito de ver e acompanhar a Copa do Mundo.

Homens, mulheres, crianças e idosos estão a postos e com suas vestimentas prontas, esperando apenas o apito do árbitro que comandará África do Sul x México, o primeiro jogo do mundial, para que as especulações entrem em campo. Quem será o campeão? Quem vai brilhar nos gramado africanos? E pasmem, caro leitor, o assunto entre as mulheres não é mais quem é o mais bonito ou o mais charmoso, muitas delas já sabem distinguir um impedimento, como diz Sheila França, professora de Matemática, que vai ficar atenta aos jogos do Brasil.

- Não sou adepta ao futebol, diz Sheila, mas quando o Brasil entra em campo viro uma torcedora de primeira. Conheço algumas regras do jogo e até discuto uma jogada, posso não ser expert no assunto, mas não me engano com facilidade, arremata de primeira.

Em casa eu até me surpreendo com a evolução de Marina, minha esposa, que discute táticas e traduz para o seu jeito os comentários dos analistas da televisão. “Venho de uma família de amantes do futebol, meus tios e primos são fanáticos, e me casei com um mais maluco ainda, e de quebra os dois filhos são vidrados e por isto tive que aprender”, comenta a mais nova fã do futebol, que vai assistir os jogos do Brasil vestindo a camisa usada por Célio Silva no Mundial de Juniores de 87.

Já que estou na esfera doméstica dou uma chegada até Miracema, onde minha irmã Teresa é daquelas apaixonadas por futebol. Assinante do Canal Premiere, da Sky, torcedora do Flamengo, crítica de Dunga e de Felipe Melo. “A Tetê está aposentada, diz Eliane, a irmã mais velha, e vai grudar na televisão durante toda a Copa do Mundo. Vai gostar de futebol assim lá na África do Sul”, completa a mana.

A Gisele, a filha, fez o convite para irmos a sua casa, durante os jogos do Brasil. Eu não levo muito a sério este convite por dois motivos: A Gigi não é muito chegada ao esporte bretão, assim como seu marido, Adalberto, e, pelo que senti, o objetivo de ambos é fazer uma bela confraternização em torno de um churrasco, cerveja gelada e muito papo. Estou fora, gosto de assistir quieto e analisando os lances dos jogos.

As primas Cláudia e Deise, ambas Estrela e apaixonadas pelo Fluminense, culpa do pai, Didi Azevedo, que deixou o tricolor como herança para as meninas, fazem as contas e ajustam as agendas para quando a copa começar. As duas são vidradas em futebol e acompanham, ao lado de maridos e filhos, todo desenrolar dos campeonatos em que o Flusão participa. Na Copa não será diferente, tenho certeza, e os horários estão reservados para não atrapalhar o dia a dia de trabalho.

Pensando neste filão as emissoras de televisão do Brasil enviaram, a África do Sul, grandes estrelas de seu jornalismo e farão disto um ponto extra de atrações nos telejornais e programas esportivos.

Um dos diferenciais deste ano é a presença cada vez mais forte das mulheres na cobertura, desde jornalistas mais experientes no assunto – como Fátima Bernardes, que já esteve em três Copas pela Globo – a algumas que terão sua primeira experiência no torneio, como Mylena Ciribelli, da Record, e Renata Fan, da Bandeirantes. Até gente cujo trabalho nunca foi ligado a futebol irá trabalhar na Copa da África do Sul. É o caso da apresentadora da Globo Ana Maria Braga.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...