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APELIDOS: ARME SEU TIME

No meu time, nos tempo de pelada ou do meu Esportivo, lá na terrinha, tinha Zil, no gol, Nera, Esquilino, Teco e Gilson, Pernoca, Geraldinho, Tininho e Júlio, Thiara, Cacá e Penacho. Hoje, lá na mesma Miracema, leio no Dois Estados que o Operário, tradicional do Bairro Centenário, tem uma escalação mais refinada e o treinador Sebastião Maciel tem Rodrigo Freitas, no gol, Rodrigo Tavares, Leandro Leite, Leandro Caviari e Leonardo Quirino, na zaga. O meio campo tem Igor Sobral, Rodrigo Tepedino, Leonardo Fagundes, e o ataque com Iago, Igor Valentino e Rodrigo Belchior.

Viu só a diferença? E se fosse buscar um time mais audacioso, com Cabana, Para Raio, Pulanágua, Brecó e Sete Pernas, Fogueteiro, Vadeco e Lé, Cabeludo, Careca e Pintinho? Você se espantaria com o que está lendo aqui neste momento, principalmente se voltar um pouco mais no tempo, ali pela década de setenta, e olhar a escalação do seu time favorito.

Lembra do Flamengo, de Yustrich como treinador, no início dos anos 70? Tinho e Sapatão formavam a zaga. Nas laterais Mineiro e Tinteiro, lembram dele? Depois vieram Onça, Merica, Liminha, Michila, Fio, o Maravilha, Caldeira, e nomes comuns como Guilherme, Brito, Paulo Henrique, Dionísio, Arilson e tantos outros nomes abrasileirados e simples como os próprios craques.

Correndo rapidamente para os dias de hoje encontramos Adriano, Vagner, Rodrigo, Leonardo, Ronaldo, Kléberson, Bruno, Fabrício e apenas um apelido, Toró, que já trouxe a alcunha dos tempos de Fluminense, onde se proliferam nomes mais sofisticados. Seria uma evolução ou uma modernidade no estilo argentino ou europeu?

Leão, Coelho, Onça, Formiga e Bezerra, Falcão, Pintinho, Gallo e Pato, Peixinho, Ratinho e Mosquito. Um time prá lá de interessante e, no banco, Aranha, para o gol, Canário, para o ataque, Cabrita, para as laterais e Pulga, para o meio campo. Que tal?

Não vou insistir com Pelé, Garrincha, Zico, Tostão, Zizinho e outros mega craques, cujos nomes foram acrescidos dos apelidos e se perpetuaram com eles. Deixa estes mitos de lado.

E os nomes ligados a nossa mesa do dia a dia, seja na cozinha ou nos bares. Confira: Manga, Cocada, Grapette, Pinga e Cafezinho; Lima, Rubens Feijão, Gilmar Fubá e Paulo César Caju; Roberto Batata e Bife. Para o banco, temos: Dendê, Paulo Banana, Camarão, Picolé, Pirulito, Melão e Cacau. Gostou?

Então veja a escalação a seguir. Pelos nomes dos atletas dá, até, medo de enfrentar o time. Certamente, o técnico ideal para esta equipe seria o Bin Laden. Veja como ficou: Ivo Guerra, Batalhão, Jorge Trombada, Márcio Paulada e Coronel; Valdemar Carabina, Capitão, Chumbinho e Jair Bala; Toninho Guerreiro e Dinamite. No banco, ficariam: Índio, Edu Bala, Foguete e Foguinho.

Após a pesquisa, deu, também, para formar um time que, certamente, seria patrocinado pelo Ministério do Turismo. Olha só: Caxambu, Salvador, Caxias, Vacaria e Paulinho Maringá; Caçapava, Passos e França; Sabará, Paulinho Criciúma e Paraná. Por falar nisso, o Ministério do Trabalho, certamente, também teria vontade de montar o seu time.

Não encontrei muita gente, até porque quem muito trabalha não tem tempo para jogar futebol e, por outro lado, quem muito joga não tem tempo de aprender uma profissão. Diante disso, para completarmos onze jogadores, até, o filho do Ministro entrou, o Ministrinho, um dos maiores craques da história do Palmeiras, quando o time se chamava Palestra Itália. Veja como ficou bonito: Engenheiro, Piloto, Mauro Pastor, Fazendeiro e Patrulheiro; Boiadeiro, Jorge Demolidor e Babá; Jorge Carvoeiro, Henrique Frade e Ministrinho.

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