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UM DIA DE FINADOS

Uma grande movimentação no entorno da Igreja Matriz e do Cemitério de Miracema, onde personagens ilustres e meros desconhecidos se cruzavam entre os túmulos e no subir e descer das escadarias do campo santo. Não chega a ser um encontro festivo, mas o dia dedicado aos mortos, Finados, é também um momento de reencontro e os degraus das escadas e os pequenos espaços entre os túmulos de parentes e amigos, eram locais de abraços alegres e saudosos de muitos que se vêem de ano em ano, no mesmo horário e no mesmo local.

Que o dia é reservado aos mortos a gente tem certeza absoluta, mas os vivos sabem aproveitar, e bem, a dor ou a saudade de cada um de nós. Balas, velas, flores, doces e qualquer coisa que pudesse transformar em lucro era vendida nas imediações da Praça Dona Ermelinda, as calçadas do Jardim de Miracema parecia um canteiro de flores, andar por ali estava difícil e os ambulantes cortejavam quem passasse por ali com ofertas e disputa de preços mais baixos. Uma festa para quem precisa ganhar um a mais para tirar o pão nosso de cada dia.

Outros que aproveitam à ocasião são os políticos. 2008 é ano de eleições municipais e então esta é a hora. Pré-candidatos, possíveis candidatos, candidatos reais, se misturavam entre nós com a mesma facilidade dos ambulantes, só que com objetivo diferente, não queriam nos vender flores, balas ou doces, mas sim as melhores idéias para o futuro de Miracema. No próximo ano, como não teremos segundo turno na cidade, estes abraços serão bem menos afetuosos ou até mesmo inexistentes.

Fiz o teste de esforço pedido pelo meu médico particular, Odilon Silva, que me obrigou a andar em uma esteira para saber como anda meus batimentos cardíacos. Não subi na esteira, mas sim as escadarias do Cemitério de Miracema, e, pelo visto, não passei no teste, no quinto lance eu já pedia ajuda ao corrimão e se não fosse ele...

Fiquei pouco tempo por lá, não é meu forte agüentar esta emoção, mas o suficiente para orar por Zebinho, Lili, Vicente, Maria, Cornélio e Almerinda, meus pais e avós, que ali descansam em paz. Abracei, não como os políticos de plantão, vários amigos e visitei algumas moradas de amigos que já se foram, como a do Orlando Mercante, vizinho de mau avô Vicente Dutra.

No ano que vem eu volto e quem sabe peço ao novo prefeito que coloque um elevador e deixe estas malditas escadas para os mais jovens.

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