Pular para o conteúdo principal

O JUÍZ HONESTO PAGOU POR SEU ACERTO

Pedro Paulo Rosa era o árbitro mais famoso de toda região. Respeitado por muitos e odiado por poucos, tinha na competência e na honestidade sua marca registrada. As partidas mais importantes, seja em que cidade fosse realizada, lá estava PP para comandá-las. Mesmo quando apitava os clássicos locais e cheios de rivalidades, suas atuações eram elogiadas e marcada pela decência e imparcialidade. Pedro Paulo Rosa estava se tornando uma lenda viva do apito e até foi cogitada a sua filiação no quadro de árbitros da CBD, naquele tempo ainda era a Confederação Brasileira de Desportos.
Inauguração dos refletores do estádio de Paraíso das Flores, sonho antigo dos desportistas daquela localidade. A liga programou o clássico do lugar, Paraíso EC x Flores FC, coincidentemente a decisão do Campeonato Rural, que envolvia times da zona rural e dos distritos do município, e por exigência do Paraíso, que tinha o mando de campo, foram buscar PP, um árbitro incorruptível, para comandar a partida, que teria como convidado de honra o prefeito da cidade e o governador do estado, que havia doado os refletores que estavam sendo inaugurados naquele dia.
Pedro Paulo Rosa era funcionário municipal e por isto era visto com desconfiança pelo pessoal do Flores FC, principalmente depois que vazou a noticia de que PP havia se reunido com o prefeito antes da partida e chegado a localidade em carro oficial, dirigido pelo filho do prefeito, cunhado do presidente do Paraíso. Mas, como se tratava de Pedro Paulo Rosa, ficaram apenas as desconfianças e nada foi levado a sério.
__ Hoje é dia de festa para o município, meu caro! Olha o estádio, cheio de gente... E o palanque, lotado. Até o Governador nos honra com sua presença. Uma pequena mãozinha não vai manchar a sua carreira. Daremos alegria a todo este povo e você ainda garante o seu emprego, dizia o prefeito ao árbitro.
Pedro Paulo, revoltado com a ameaça, deixa o local sem dar uma palavra. Iniciada a partida, sua atuação é perfeita. Entretanto, aos 44 minutos do primeiro tempo, com o placar em 1 x 1, o zagueiro Bauru, do Paraíso salva um gol com a mão, e Pedro Paulo, influenciado pela pressão das autoridades, no palanque atrás do gol, fraqueja e não marca a penalidade.
Durante o restante da partida, sua atuação foi irrepreensível. Entretanto, o fato de não ter marcado o pênalti, atormentava o veterano juiz. O time do Paraíso FC, que jogava pelo empate para ser campeão, fechado na defesa, segura o jogo a espera do apito final. Tudo é festa no pequeno estádio.
Entretanto, aos 45 minutos do segundo tempo, quando todos já aguardavam o fim do jogo, Duda, atacante do Flores EC, tropeça na bola e cai na área... Pedro Paulo para surpresa de todos, apita e aponta para a marca da cal: pênalti!...
O gramado é invadido... Zorra geral... Todos cercam o árbitro. O prefeito é o mais revoltado:
__ Mas seu juiz, não foi pênalti!
__ Esse não! Mas aquele do primeiro tempo, no gol onde estava o governador, foi!
Após cinco minutos de tumulto, Duda bate e converte: 2 x 1 . Flores EC conquista o título na casa do adversário após cinco anos de soberania do arqui-rival.
Pedro Paulo, evidentemente, perdeu o emprego e nunca mais apitou, mas sua consciência continuou tranqüila.
NOTA - A história é fictícia, mas o nome do árbitro é uma homenagem aos meus amigos Pedro Paulo e Claerson Rosa (Russo) que durante muitos anos apitaram jogos em Miracema e jamais foram corrompidos ou erraram propositalmente em suas atuações.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Momentos inesquecíveis/Bola de Ouro

  Essa Bola de Ouro de 1987 não é apenas uma lembrança. É um pedaço da história do rádio esportivo brasileiro, e mru nome está lá, entre tantos gigantes da comunicação! Agora essa recordação ganhou a moldura que merece. E nosso baú de memórias continua crescendo. Ainda temos muita história para contar e muita emoção para reviver! ❤️🏆

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

A saideira que não aconteceu

  Hoje seria nossa despedida de Belém.  Seria. Fomos obrigados a abortar o passeio de dois dias à Ilha de Marajó, reflexo ainda da queda em que conheci, literalmente, o chão de Alter do Chão. Não me sinto seguro para me aventurar pelas águas amazônicas ou pelas terras de Marajó. Ficará para outra oportunidade. Mas Belém ainda tinha muito a nos mostrar. Hoje fomos ao Mercado Ver-o-Peso para saber o quanto pesaria, em nosso roteiro, aquele lugar tão famoso instalado às margens da Baía do Guajará. E minha impressão é de que realmente merece nota máxima, embora ainda precise de alguns retoques em seu ambiente. Foi uma manhã inteira girando por lá. Comprinhas de lembranças, observação de uma mistura interessante entre o antigo e o moderno, contato com o artesanato regional e, principalmente, a oportunidade de sentir de perto o calor humano do povo paraense. Eu e Marina vimos também a nossa primeira chuva da tarde em Belém. E foi de dentro de um táxi. Durante uns quinze minutos...