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MAIS TIME DOS SONHOS

Minha caixa postal ficou cheia de e-mails comentando minhas crônicas “O Time dos Sonhos”. Sinceramente, eu não pretendia polemizar e muito menos buscar mais nomes para ilustrar minhas colunas, mas devido aos pedidos de amigos leais e que têm por mim uma simpatia muito grande, recíproca verdadeira, começo a sonhar com os navegantes/leitores e juntos vamos passeando pelo passado e traçando um paralelo com o que há de bom nos dias de hoje, que deve ser muito pouco, ninguém fala sobre jogadores do presente e sim do passado.

O Rubeni Brandão me cobra umas palavras sobre o Juarez Beiçola, um grande jogador que atuou no Miracema FC, dirigido pelo Jair Polaca. Juarez era daqueles meias, estilo Ademir da Guia, que parecia lento, mas quando o Milton Cabeludo descia em velocidade o cara o descobria e enfiava aquela bola com açúcar e afeto para que o maior artilheiro da cidade em todos os tempos, apenas descobrisse o caminho das redes. Boa, Rubeni. O Juarez merece ser lembrado neste time. Ele e o Dico Cocão fizeram boa dupla com a camisa alvinegra, um jogava e o outro não deixava jogar e ainda por cima tinha elegância para marcar sem violência.

O Paulo Moreira fala com saudade do Zé Pestana e a turma do Flamenguinho, que tinha no time Betinho, Zé Augusto e Paulo Joel. Tá certo, Paulinho, Betinho, Zé Pestana e Zé Augusto jogaram pra burro, eram geniais e a turma se completava com o Antonio José, se não estou enganado, mas o Paulo Joel era um bom zagueiro e não tinha nada de craque. Eu até que o coloco entre os bons zagueiros, eu disse bons zagueiros, e nada mais do que isto. Não vou me estender neste time do Flamenguinho porque foi um período em que estive longe da nossa “Santa Terrinha” e pouco ou quase nada vi. Lembro-me, sim, dos bons jogadores que por lá apareceram, inclusive um dos grandes goleiros que jogaram comigo, o Zé Geraldo (Puruca).

Mas hoje vou me deter no time enviado pelo amigo Gelti Rodrigues, que me manda um e-mail, através do Ademir Tadeu, com o melhor time que ele “sonhou” para Miracema. Rubinho, que grande goleiro, na minha relação ele disputa pau a pau com o Bizuca. Rubinho era uma barreira para qualquer ataque, não era alto e supria a deficiência da altura com uma agilidade incrível e uma ótima colocação. Na lateral direita o Gelti escala Zé Maria e justifica. “Era um mulatinho que trabalhava nas Lojas Leader e jogava muito bem”. Lembro-me bem do Zé Maria, palmense, estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças, fez o Comércio na turma da Eliane, e tinha um futebol moderno para época. Realmente um bom jogador.

A dupla de zaga do Gelti tem Alvinho e Manoel Lima, dois dos grandes jogadores que tive o privilégio de jogar com eles e, para quem conhece o futebol de Miracema dispensa comentários. O Ademir Tadeu diz “Vi o Manoel Lima jogar. Era um zagueiro que jogava de cabeça erguida, limpo e elegante”. Um detalhe: Estes dois também formariam em um time dos meus sonhos, só que um na meia direita –Alvinho- e outro na lateral direita – Manoel Lima – dois craques da bola. Na lateral esquerda a presença do baixinho Laerte, que tinha um futebol parecido com o do Paulo Henrique, ex-Flamengo. Laerte vestiu por muitos anos a camisa do Esportivo e hoje está radicado em Campos, bem pertinho de mim, e não tenho notícias deste velho amigo.

O meio campo escalado pelo comentarista Gelti Rodrigues poderia simplesmente vestir a camisa da seleção brasileira, não me venham com aquela conversa de que estou blefando e elogiando amigos. Vejam só vocês: Vadeco, elegante, cabeça erguida e um futebol de raro talento., Paulo Lolita, repito o que disse para o Vadeco, e Ademir, um dos dez mais de todos os tempos em Miracema. O ataque é covardia, Totô, Milton Cabeludo e Braizinho, um trio que não jogou junto, mas que tenho certeza se completariam devido a alta qualidade do futebol dos três.

Totô, que vi jogar e joguei com ele no Tupã, Milton Cabeludo, meu ídolo (depois do Lauro Carvalho foi o mais brilhante jogador de bola da cidade) e Braizinho, para quem não viu o pequeno notável jogar pode fazer uma comparação com Tostão, o craque mineiro que brilhou em 70, simplesmente é um presente para quem gosta de futebol de alto nível.

O filho do seu Braz jogava praticamente igual e com um diferencial, era artilheiro e seus toques de bola, chutava fraco, eram de matar qualquer goleiro por melhor que ele fosse, perguntem ao Rubinho.

O Gelti ainda me manda um possível banco de reservas: Edson “Calcanhar” para o gol, Luiz Carlos, para as laterais, Zé Augusto e Tachinha, para a zaga, e Dequinha para o meio campo. Estou esperando o seu time – adilsondutra@globo.com é só pensar e botar no papel e enviar para a gente conversar por aqui neste espaço.

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