Pular para o conteúdo principal

DOMINGO: DIA DE MUSEUS E DE CAÑA NA PLAZA MAYOR

Se o sábado, em Madrid, foi de reconhecimento do terreno, uma simples visita à Plaza de Espanha se transformou em uma aula de literatura devido a presença, de um monumento a Dom Quixote de La Mancha e seu fiel escudeiro Sancho Pança, o domingo também foi dedicado a arte e a cultura. As viagens pelo mundo de Picasso, Salvador Dali, Miró, Tarsila do Amaral entre outros, foi deslumbrante.

A visão panorâmica do Museu Reyna Sofia é fantástica. No elevador panorâmico, você vê ao redor da Plaza de Cibeles, creio que seja este o nome, e sua arquitetura do século passado. A vigilância no museu é severa e fomos obrigados a desligar nossos celulares e os flashes de nossas câmaras digitais, uma pena, pois o que foi visto daria um álbum fantástico e um pôster maravilhoso da Güernica, obra de Pablo Picasso.

As esculturas de flores, que cercam o Museu do Prado, também formam um cenário para belas fotos, claro que ali os flashs pipocaram e as digitais registraram imagens dignas de uma moldura mais sofisticada. Os espirros de Júnior já não eram ouvidos, ele se compenetrou totalmente no que via e divagava pelos corredores, boquiaberto com o que olhava e tocava, as esculturas do século I podiam ser tocadas com um pouco de tranqüilidade, os guardas por ali não nos vigiavam tanto como nas telas incríveis do Museu Reyna Sofia.

A cada sala visitada Marina, professora de literatura, explicava detalhe por detalhe das obras expostas. Luciene e Daniele se encantaram e entraram no clima. Rodrigo e este escriba ainda tentaram uma ou duas salas, mas realmente esta não era a nossa praia e rapidamente um se perdeu do outro, e o reencontro se deu apenas no portão de entrada, isto depois de todos nós errarmos a “salida”.

No caminho de Plaza Mayor, onde turistas e nativos se encontram, desprovidos de qualquer vaidade ou beleza, passeamos por ruas minúsculas e nos encontramos com brasileiros que sobrevivem entregando folhetos de Tabernas. Acredito que este serviço lhes garanta a alimentação do dia e um canto qualquer para um sono tranqüilo. Foi neste caminho que deparamos com o carioca Zezão vestido com a tradicional camisa do Tabajara, aquele time do Casseta & Planeta que não consegue vencer sequer o time de anões.

Conversa daqui, explica dali, nos surge mais um brasileiro com os mesmos panfletos e, por isto, determinamos que aquele seria o local de nosso almoço de domingo.

Plaza Mayor é encantadora, uma espécie de casario onde os reis se reuniam com a plebe e a corte para festas populares. O povo se espreme por ali, onde predominam Tabernas e Cantinas que servem tapas e cañas (petiscos e cervejas) e os transeuntes se aglomeram para comerem sentados ou mesmo em pé. Por ali se vê shows, mas nesta manhã/tarde de domingo não tivemos a felicidade de ouvir um acorde sequer.

Parada obrigatória para almoço, o estomago exigia uma alimentação mais forte e o corpo, um banquinho e uma cerveja bem gelada. Paramos no Diamantino, aquele divulgado pelos brasileiros, cujo proprietário é um cabo-verdiano. A comida me parecia deliciosa, a cerveja também, e Rodrigo e Júnior conheceram ali a famosa paella, com seus frutos do mar cintilando em seus pratos. Marina, Luciene e Daniele preferiram uma comida mais leve, eu pedi uma mistura incrível, que tinha desde o chorizzo até frissuras de porco, uma comida tipicamente espanhola, não tanto quanto a paella dos amigos, mas pode estar certo de que era realmente um “manjar dos deuses” para quem morria de fome.

No Diamantino, onde nos encontramos com aqueles brasileiros propagandistas, foi que tiver a certeza de que trabalhavam por um prato de comida. Conheci uma outra tradição das tabernas e bares madrilenhos: Os sanitários estão sempre localizados no subsolo e são de alto nível, principalmente os banheiros usados pelos clientes. Perguntei ao garçom onde ficava o banheiro, ele não entendeu e o brasileiro traduziu. Imediatamente o cidadão disparou um castelhano corrido e eu pedi um tempo. Habla devagar, soy brasileño. Desce a escaleira (escada) e terás o servicio de banhos (santário). Legal. Descobri o que era escaleira e como se pedia um banheiro em Madrid.

Após o almoço mais uma caminhada, a comida pesada pedia um passeio mais prolongado para espantar o sono e chegar mais rápido ao hotel para um banho de água quente e logo após mais uma saída para um banho de cultura.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...