CONVERSA DE BOTEQUIM 5

FESTA DO AMERICANO

Cheguei ao Vaticano’s Bar e me encontro com o velho amigo Dutra, que anda meio aborrecido e um pouco revoltado com o nosso futebol e com alguns dirigentes. O Dutra, como eu e um punhado de outros companheiros, não se cansa de reclamar sobre a deselegância do Americano FC em não te-lo convidado para a festa dos noventa anos do alvinegro campista.

Chamo o velho amigo para uma mesa, bem distante do bololô do Bar do Papa, e tento convence-lo de que nada fez de importante para o Clube do Parque. – O que fizeste para engrandecer o Americano? Qual foi sua colaboração para as vitórias, os títulos ou para a história do alvinegro do Parque? Quando foi que brilhaste com a gloriosa camisa alvinegra? Quando foi que dirigiste uma das categorias do futebol do clube? Quando e onde projetastes o clube das nove estrelas?

Como recebi um não em todas as cinco perguntas eu disse para o bom amigo Dutra: Pare de reclamar e caia na real. Você não tinha nada o que fazer na festa do Americano e eles, os dirigentes, não tinham motivo algum para enviar-lhe o convite para tal festa. Deixe de ser criança enjoada ou um velho rabugento, seu lugar é na mesa do nosso Vaticano’s por onde já fizeste muito e ainda há de fazer muito mais.

Muito educadamente o bom Dutra entendeu a minha colocação e até me disse que iria se retratar na coluna Papo de Bola no próximo domingo. –Tá certo, Solon. Eu sei que errei e vou pedir desculpas aos dirigentes alvinegros, principalmente ao meu bom amigo Joélio Brito, que foi um dos responsáveis por toda esta beleza de festa. Assunto encerrado.

Ali no canto, fingindo que não estavam ouvindo nada, mas de cabeça virada para tentar captar tudo o que acontecia na mesa afastada, o nosso Edmar fez uma colocação provocante. – Se fosse no Goytacaz o Dutra estaria adentrando sobre um tapete vermelho, ele é assim com os homens e tem carta branca na Rua do Gás. Dito isto o nosso jornalista ficou uma “arara”, queria pegar o Edmar, mas foi contido pela turma da “loura gelada”. – Edmar, meu camarada, você está por fora, lá na Rua do Gás eu também tive bons momentos, mas a nossa relação não anda tão afinada assim, temos eleições por lá no próximo mês e como não tenho compromisso com nenhum dos candidatos eu fico pressionado por eles. Desabafou Dutra, que voltou para casa sem ao menos saborear a sua Antártica com os amigos do Vaticano’s.

A conversa prosseguiu normalmente, o Dutra pouco vem por aqui e quando aqui chega é só para criar problemas, coisas de velho rabugento, mas no fundo ele é uma grande pessoa e merece todo nosso apoio. O Motta, que chegou para abraçar a mãe em seu aniversário, tomava seu suco de laranja no cantinho e quando tudo terminou chegou de mansinho para a nossa mesa, onde já estavam o botafoguense Jonilton, chateado com o Dutra pela crônica que fez esculhambando o seu Botafogo, o Edmar, que morria de rir com o nervosismo do Dutra e o Papa, que devido ao frio e ao pouco movimento do seu bar pode sentar-se ‘a nossa mesa e conversar um pouco conosco.
Papa me pergunta sobre as eleições do Goytacaz, ma mesmo me esquivando fui obrigado a ouvi-lo, por educação. –Solon, eu sei que o senhor não gosta de política, mas quem é o melhor candidato para o Goytacaz? – Se for no campo clubístico eu respondo, caso contrário vou mesmo fazer ouvidos moucos, meu caro Papa. – Claro que é no clube, senhor. – Tá legal. O Joédson Pereira, caso confirme sua chapa, é um excelente candidato, principalmente se vier com o respaldo dos irmãos Siqueira. Acredito piamente em um grande grupo liderando o Goytacaz nos próximos anos.

Motta, já querendo polemica, entra de sola: - Você não era partidário do Dartagnan, Solon? – Certo, Motta. Eu sempre gostei muito do Fernandes, mas como sou fiel as minhas intuições e as minhas idéias, reeleição não faz parte do meu repertório político. Assim como sou contrário até a reeleição de vereador, claro que em clube também deve ter apenas um mandato. – Afinal é um cargo de sacrifício, não é Solon? Intromete-se o Menino Cássio, já querendo me defender e me colocar em má situação ao mesmo tempo.

Como a conversa foi para o lado político o meu celular, que estava no vibracall (é assim que se escreve?) tocou e aproveitei a deixa e me mandei. Eu não to aí para ficar proseando sobre eleições, muito menos na Rua do Gás, onde a chapa esquenta como nas grandes cidades.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

As badaladas da Ave Maria

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS