domingo, 29 de março de 2020

Causos das Andanças - Eu, BH, Antonino, Lisboa.

Há dois meses atrás meu amigo Antoninho me falou:
- Dutra, quero ir a Portugal em outubro, vamos?


Disse que não dava, mas queria combinar algo com ele. Expliquei o que pretendia.

Alguns dias depois Antoninho chega na fila do pão e me diz que irá em 6 de outubro, desce em Lisboa e no dia 12 estará em Fátima para celebrar os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora, a nossa Padroeira Aparecida, nas águas do Paraíba.


- Dutra, o que você queria combinar comigo? Pergunta Antoninho.

Já tinha me esquecido, mas rapidamente voltei a fita e me lembrei.
- Seguinte, amigo, eu quero sair para Belo Horizonte no mesmo momento, ou quase isto, que seu voo decolar do Galeão, quando sair me avise e quando chegar passe mensagem. Combinei com ele.
- Saio dia 6/10, em voo das 8:45h, da TAP. Informou Antoninho.


No ar, com a TAP rumo a Lisboa

Ferrou, pensei eu, acreditei que fosse no voo noturno, 18;45h, mas tudo bem, dever ter um ônibus por perto saindo pela manhã.

Bingo! Achei Macaé x BH saindo do 9:15h e daria certo o que imaginei.


E ontem, 6/12, Antoninho saiu de Campos as duas da madrugada e eu as seis da matina. Ele rumo ao Galeão e depois Lisboa, eu rumo a Macaé e de lá até BH.

- Dutra. Comandante da aeronave avisa "atenção tripulantes, decolagem autorizada".
Quinze minutos depois eu também decolo, no voo rasteiro, pela Útil e pelas estradas brasileiras.


Previsão de chegada do Antoninho a Lisboa era para para às 19h, hora de Brasília, 16h horário de Portugal, e o meu horário de chegada a capital mineira era para 21:30h, duas horas a mais porque temos, em terra, paradas para lanche e almoço.



Em terra,  pela Util, rumo a BH
Antoninho foi direto,  não viu nada, eu fui olhando pela janela e observando as praias de Rio das Ostras, de Saquarema. São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, onde fizemos um pit stop e seguimos, via BR 101para pegar o roteiro original.



Duas horas depois subimos a Serra de Petrópolis, o sol aberto nos ofereceu um lindo cenário e revi um lugar que sempre esteve  nos meus roteiros de passeios, Revisitei a BR-040, mais jovem e mais bonita e curti demais este novo trajeto.



Gaal Juiz de Fora - Parada

Entramos em Minas e pensei: Antoninho já deve estar atravessando o deserto e se aproximando das Ilhas Canárias e eu chegando a Juiz de Fora.


O prazo de sua chegada estava se aproximando e, quando passava por Barbacena, por volta das sete da noite, recebo a mensagem no zap. - Dutra, aeronave em solo português.  Chegamos a Lisboa.


Enquanto isto eu continuava no voo rasteiro, e ao chegar a
Aeroporto Humberto Delgado - Lisboa
Conselheiro Lafaiete outra mensagem no zap.

- Dutra, fazendo check-inn no hotel. Abrs.


E eu, já há quinze horas rodando, fiz um balanço da viagem do amigo e pensei comigo mesmo, tentando levar, como diz Marina, pelo lado Poliana.



Terminal Rodoviário de Belo Horizonte 
Antoninho não curtiu a viagem, dormiu e  conversou  por onze horas e eu, no ônibus, vi praias belas, montanhas maravilhosas e até imaginei uma delas coberta de neve, eram nuvens, vi gente bonita e idosos procurando um bom final de semana.


E, as 22:15h, meu ônibus "pousou" no terminal da Afonso Pena.
Passo seis dias por Minas e Antoninho sete dias em Portugal.
Gostei da aventura, mas não repito...





Eita!! BRASILSÃO

sábado, 28 de março de 2020

Naquela mesa não estará mais Paulinho Máquinas

Nesta mesa estará faltando ele, Paulinho (camisa preta) 
O dia corria muito bem apesar da quarentena imposta pelo vírus da moda. O sábado era alegre, tinha a cara de um sábado normal e,embora difícil de lidar, o tal de recolhimento voluntário, imposto pela necessidade de fugir da infecção de um vírus que pode ser letal, até que veio a notícia que bombardeou meu velho coração, cortado e cicatrizado, me passada pelo amigo Marco Aurélio Mota. 

- Morreu Paulinho Máquinas, nosso amigo e irmão, disse Marco com a voz embargada e já demonstrando que o "soco" foi realmente forte e que nos fez curvar de dor ao receber o impacto da péssima notícias. 

Paulo César Barreto, um cara que aprendi a gostar desde os tempos do Banerj, agencia Miracema, onde o conheci fazendo trabalho de manutenção das máquinas e equipamentos eletrônicos, e, quando aqui aportei, na final da década 1970, foi o primeiro a me dar a mão, me patrocinar no rádio e me abrir as portas de seu grande coração para eu entrar como amigo de fé. 

Paulino Máquinas, um cara que todos que o conheceram admiravam, um craque do futsal, um craque na educação, fino no tratar as pessoas que se relacionavam com ele, e, como chefe de uma grande família, foi o exemplo digno do que se dever ser um pai, um marido e um avô bonachão e cheio de amor para dar. 
Nossa turma em Tiradentes - MG

Temos muito em comum, o amor pela música, pela arte e por uma boa cerveja e um vinho de boa qualidade. Quantas foram as noites de "serestas" em sua casa ou no Armazém do Lenílson? Inúmeras. Quantas foram as canções que colocávamos para os amigos decifrarem e nós, grandes conhecedores dos intérpretes e autores, desafiávamos um ao outro para descobrir quem sabia mais, claro, perdi a maioria das vezes para o "sabe tudo" da música mundial. 

Terei a partir de hoje um companheiro a menos na mesa dos bares e do Teatro Trianon, onde sempre estávamos nas noites de serestas ou shows de artistas campistas, seus amigos e patrocinados. Terei a partir de hoje menos um amigo de viagem e companheiro das prosas dos hotéis e bares por onde passamos. Terei a partir de hoje menos um parceiro para me dar boas dicas de bons filmes e excelentes discos. 

Estivemos juntos em alguns passeios, Conservatória ficará para sempre, foram dias maravilhosos, com frio de zero grau, e nós, após um bom vinho, saímos as ruas para cantar com os seresteiros e voltar para o hotel, distante do centro, sem pensar no amanhã e apenas cantando e andando pela rua enquanto a cerração caia e o frio apertava. 

Estivemos juntos, o quarteto inseparável que agora será um trio, eu, ele, Zé Mário e Marco Aurélio, em São João Del Rey e Tiradentes, em uma semana santa daqueles que ficam marcadas para sempre. Nós, acompanhados das esposas, vivemos três dias inesquecíveis no Caminho Real, e as fotos que estão guardadas registram os belos momentos em que passamos por lá. 

Tudo agora será saudade. Tudo, a partir de hoje, será lembrança de um grande camarada, um baita amigo e um camarada que jamais será esquecido por todos os seus amigos. E aqui cabe, saudade sim... tristeza não. Mas hoje estou triste, muito triste, morreu meu amigo Paulo César Barreto, ou simplesmente, Paulinho Máquinas, torcedor do Flamengo, do Americano e amante das boas coisas da vida. 

Sem assunto estamos entrando em férias

Pensei em continuar escrevendo sobre o mundo da bola, principalmente depois de receber a notícia que nosso campeonato não tem data nem planejamento para ser jogado, que a temporada europeia, segundo o presidente da Uefa, "está praticamente perdida".

E  hoje,  depois que o Santo André, de São Paulo, anunciou que não terá time nem estádio após a paralisação, logo ele, que é o líder geral do Paulistão 2020, e que os pequenos do Rio não terão jogadores em condições legais para jogar o restante dos jogos, faltam dois para cada um deles caso nenhum passe para as semifinais da Taça Rio, realmente não dá para comentar mais nada sobre futebol. 

Até pensei em manter o blog ligado no noticiário, mas lá no meu canto principal, bloqueado para divulgação pelo Facebook, segundo a empresa por divulgar ofensas, não sei onde arrumaram estas ofensas, talvez um torcedor irritado com a má fase de seu time tenha me denunciado por criticar o clube e o elenco, pode ser que seja isto, né mesmo?

Então, por não ter assunto e não ter como encontrar notícias decentes para comentar, vamos dar uma pausa também e entraremos de férias junto com os jogadores no período de hoje até 20 de abril, se voltarem antes a gente volta, combinado?


terça-feira, 24 de março de 2020

Adeus, meu amigo Chico da Gráfica

Ontem perdi um grande amigo, um professor, um mestre na arte do ofício que aprendeu. Ontem perdi uma referência na minha Miracema, meu amigo Francisco Salles de Souza, ou Chiquinho da Gráfica, como sempre foi conhecido na cidade e mesmo entre seus amigos. 

O nome que carregou com ele tem um significado, foi mestre de muitos tipógrafos, aprendizes como eu e dezenas de garotos, muitos se tornaram profissionais e seguiram seus passos, eu, incentivado por ele e meu Tio Ari, seu companheiro de profissão, me incentivaram a seguir a outra parte da gráfica, as letrinhas de uma máquina de escrever, que teclei durante anos até surgir o computador ou estes celulares e notebooks que hoje digito. 

Tenho três históricas com o Chico da Gráfica, assim eu o chamava, que conto aqui para reverenciar este artista gráfico que tanto admirei e este artista declamador e poeta que poucos conheciam, só aqueles que com ele conviveram, como neste dia inesquecível para Miracema, que narro abaixo no tópico destes três que citei acima. 

Chego a Miracema em um dia qualquer de uma semana qualquer de um mês qualquer e este dia jamais será esquecido pelos meus conterrâneos, foi o primeiro dia de um apagão, provocado pela pane em um dos geradores que leva energia elétrica para a cidade. Nós, sentados no armazém do João Righ, tomando a nossa cerveja da noite, e o apagão chegou sem avisar. 

Poucas cervejas no freezer e na geladeira e, duas horas depois, veio o aviso: - Não teremos luz tão cedo, pane séria e a Cerj avisou que não voltará em menos de 24 horas. E o Chico estava conosco. - O que fazer? Ir para casa da mana Eliane,que era ali pertinho, ou ficar com a turma lá no João, que por sinal estava bem legal sem luz e com prosa séria e sem bla... bla... bla...

E foi aí que puxei o tema: Chiquinho, mande aí alguma poesia do poeta Pintinho, o seu favorito. Alguém fez um "Ave Maria", mas Chico começou a declamar, esquecia uma parte e voltava, tomava uma, duas, três e soltava o gogó declamando por mais de uma hora sem deixar a "peteca" cair. 

Ficamos ali por horas, talvez até entrando na madrugada, as cervejas já estavam quentes, o vinho, de má qualidade não desceu, a pinga não me cai bem e Chiquinho, já no clima, continuou declamando, e, no escuro, quando percebi, éramos somente eu e ele no recinto, os outros ou estavam na rua ou tinham partido para casa. 

A segunda aconteceu na Gráfica Normalista, quando me propus a redigir um jornal do Colégio Nossa Senhora das Graças, o "Luzes Cenecistas", totalmente composto e impresso por mim lá na gráfica com a supervisão dele e do Tio Ari, porém, tem sempre um porém, na hora de distribuir as letrinhas, de volta as caixas, me senti totalmente perdido e incapaz de cumprir com o compromisso, e ele, Chiquinho, chegou no meu ouvido e disse: - O jornal ficou ótimo, você tem jeito para o negócio, deixe estes tipos aí em cima e pode ir embora, você será jornalista e não gráfico. E fez o serviço para mim.

A terceira foi a pouco tempo atrás, no Bunda de Fora, ele, já doente, bem debilitado, passou e não me viu. Gritei seu nome e o cumprimentei, mas Sebastião falou, não sei se baixinho ou em tom que ele pudesse ouvir. - Ele não está reconhecendo quase ninguém, depois eu falo que você mandou um abraço. 

- Posso não reconhecer poucos, mas esta voz é inesquecível,meu amigo Adilson Dutra, sobrinho do meu querido amigo Ari, vamos declamar umas poesias do mestre Pintinho? A turma se espantou, eu chorei de emoção e foi a última vez que o vi e que falei com ele. 

Grande amigo, meu professor Chiquinho e sei, amigos gráficos, que quem passou pela escola do mestre Francisco Sales de Souza, seguiu firme no caminho da profissão com orgulho e com uma bagagem de craque das letrinhas. 

Um abraço, Chico da Gráfica, onde quer que você esteja neste momento. 

terça-feira, 3 de março de 2020

Os amigos de meu avô


Tem certos dias em que você pensa nos amigos que se foram, nas pessoas que ate rodeavam e não mais estão ao seu lado, mas eu, em muitas oportunidades, fico pensando nos velhos amigos do meu avô Vicente Dutra, pessoas queridas pela família e eram verdadeiros amigos e até chamadas de primos ou parentes.

Parece incrível, mas eu, mesmo criança, já nutria uma grande amizade por este trio de amigos do vovô e, tenho certeza, que se eles estivessem ainda entre nós, seriam meus amigos do peito e de convívio tal como eram com meus avós.

Por exemplo, Benedito Lima, um fazendeiro de boas posses financeiras, homem simples e educado, que todos os dias, parecia obrigação, passava pelo bar e sentava à mesa da varanda para um café e uma prosa. Quantas vezes fui a sua casa, na Fazenda Bendengó, para buscar frutas e verduras e andar pelo terreiro esperando dona Laís, sua esposa, chamar para o almoço ou para o lanche da tarde.

Sei lá, nós vivíamos um tempo diferente do vivido hoje, éramos felizes do jeito que podia e nada impedia esta felicidade e a grande harmonia entre as famílias amigas, seu Benedito Lima era uma jóia rara assim como o seu Jeep, cujo barulho do motor era por mim reconhecido a distância.

Outro parente do vovô que nutria uma grande amizade com nossa família, inclusive o chamava de tio, era o Mariano Tostes, proprietário da fazenda onde meu avô dizia ter nascido, a Fazenda do Pinduca, em um dia 6 de janeiro do ano de 1886. Tio Mariano era outro que tinha como obrigação a passagem pelo bar e, diferente do Seu Benedito Lima, não para um café, mas para uma cerveja gelada no final da tarde tão logo terminava a labuta na fazenda.

Outro que me recebia bem em sua casa, na roça, como eu gostava de chamar aquele pedaço de terra próximo a Usina Santa Rosa, e Dona Maria Lopes, professora do Prudente de Moraes, me tratava da mesma forma que curtia seus filhos Rogério e Fernando Antônio, um carinho que até hoje me faz ter saudades desta mulher incrível e admirável.

São outros tempos, outros momentos e um período de amizade explícita e responsável, onde o respeito era profundamente valorizado e os homens se sentiam bem procurando ser os melhores possíveis. Meu avô me ensinou e me proporcionou grandes amizades, a distância dos anos entre mim e seu Benedito ou Tio Mariano, jamais impediu uma prosa com assuntos que interessavam a nós todos, falávamos de tudo, futebol, música, teatro e até amenidades da vida e do cotidiano.

Tive a felicidade de ser companheiro de mesa, para um chope gelado ou uma cerveja no “capricho” com Tio Mariano na Kiskina e ou no bar do Zé Careca, lugares que passou a frequentar após o fechamento do bar da Praça Ary Parreiras número 174, onde vivi intensamente durante 25 anos de minha vida.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...