Eu tenho sempre uma "carta na manga" para quando o Nelson Barros me cobra uma coluna com um pouco mais de urgência ou quando esqueço do meu compromisso com o Dois Estados.
Sempre estou pronto para cumprir as tarefas, mas já falei aqui e repito, as vezes é complicado ser pego de surpresa e muito difícil sentar e puxar um assunto assim, rapidinho e não ser repetitivo, principalmente nesta coluna, onde a história e os causos estão sempre em evidência, muito difícil para o colunista.
Mas eu dou um jeito, sempre me saio bem dos desafios, não sei se hoje será assim, mas meu repertório é grande e quado estou em apuros busco um grande inspirador, Jair Polaca, ele é meu grande mentor nestas histórias do nosso alegre futebol ou então abro a cortina do passado e busco algo que o Jofre Salim tenha me contado.
Viram só, quem tem padrinho não morre pagão, já diziam meus avós Vicente e Maria e eu sempre digo isto para meus filhos. Aliás, e a propósito, meus filhos estão sempre me perguntando: "Qual é o assunto da coluna, tem história da bola ou da música?" Verdade, eu sempre tenho algumas cartas nas mangas, como disse acima, e a música é outra opção bem válida quando está escasso o assunto no espaço.
E então vou buscar no meu arquivo "Polaca" o papo de hoje, é rapidinho e não é sobre futebol e sim sobre música, como dizem meus filhos, sempre um bom papo quando falta assunto. E é o seguinte, falo sobre o Conjunto do Zé Viana, meu professor e amigo, que abrilhantou durante longos anos os bailes do Salão do Polaca, tanto na Fábrica de Sabão, ali na Rua do Biongo, ou lá em frente a Rodoviária, o Jair sempre trocava o lugar de suas sedes e girava pela cidade em busca de um salão para faturar a grana para manter a sua Escola de Samba.
Quantos bailes tocamos por lá, né mesmo professor José Viana? Embalados pela bateria do Waldemar, a guitarra do Francisco, o baixo do Lula e a voz deste que vos escreve, as noites de sábados e domingos eram gostosas demais e, pelo menos me parece assim, eu e a turma agradávamos um pouco já que nunca ouvi reclamações a respeito da qualidade da música que nós oferecíamos, dizem as más línguas que a turma nem sequer ouvia a música, eles queriam mesmo é diversão e festa.
E esta formação deu origem a outro grupo, liderado pelo Bebeto Alvim, que não tocava nada mas amava Beatles e Roling Stones, e montou, junto com o Hélio, sobrinho do Polaca, um conjunto que tinha também o José Viana mas já com o Brenus Perissé na guitarra, o meu xará Adilson, o Cagiano, na bateria, e o sopro ficava por minha conta e do Zé Viana, e, nos carnavais, na Associação Atlética Miracema, tinha reforço de outros grandes músicos da cidade, como o José Orçay, grande trombonista e músico de alto nível.
Viram só, você leu, não sei se gostou, levou até o fim nossa conversa, e conheceu mais uma faceta deste "artista" frustrado e cheio de vontade de ser uma estrela brilhando em algum lugar, mas se assim não fui eu pelo menos tentei no mundo da bola e da música e estou aqui, no mundo das letrinhas, tentando passar tudo aquilo que vivi para meus amigos e leitores.
Canal do Dutra: Uma conversa de bola, viagens e do cotidiano. Aqui posto vídeos, crônicas e converso com vocês.
domingo, 23 de julho de 2017
terça-feira, 18 de julho de 2017
As músicas que nos levam aos grandes momentos
De vez em quando pego uma mania, as vezes me vejo completamente envolvido com as séries da tevê, outras vezes com leitura de clássicos da literatura mundial e atualmente meu vício, ou mania como queiram, é ouvir música no celular, no tal de bluetooth, que me leva a cinquenta anos atrás em minhas caminhadas através de um aplicativo, Spotify, sensacional, e viajo centenas de milhas distantes com meus fones no ouvido.
Ouço Trini Lopez e me vejo nas varandas das residências da minha Miracema, como a dos senhores Nenem Braga, Noqueta Mercante, Juquinha Dono e na grande varanda da minha casa, em frente a Prefeitura, onde os bailinhos eram organizados pelas meninas e meninos de Miracema com um som saído de uma Sonata ou de uma Eletrola Stereo.
Busco, no aplicativo, Waldir Calmom e encontro o som de seu piano e de sua orquestra, assim como encontro a Tabajara, de Severino Araújo, ou o trompete de Booker Pitman. E o que me lembro? Dos bailes do Aéro Clube e do improvisado salão do Grupo Escolar Dr. Ferreira da Luz, onde a sociedade miracemense bailava ao som destas maravilhosas orquestras brasileiras.
Paro na calçada do centro, converso um pouco com alguns amigos, falo da minha descoberta e Amaro me diz: "Aí você acha de tudo até as músicas do tempo das discotecas". Bingo!! Lá vou eu movimentar o aplicativo e descobrir o som tocado na Cabana do Clube XV, nos anos 70, onde o som de Glória Gaynor, Abba, Bee Gees, Koll and Gang e tantos outros que marcaram aquele lugar de encontro da nossa juventude.
Ah! Não podem faltar as músicas dos tempos do Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira, onde a garotada se reunia duas vezes por semana para bailes, prosas afiadas e, claro, para encontrar as (os) namoradas (os) e dançar os sucessos da época, e lá vem Simonal, Incríveis, Mamma And Pappas, Classic IV, James Taylor, Beatles e tantos outros que se ficasse aqui nomeando um a um o espaço acabaria. Tempo de relembrar grandes nomes da música e que fizeram uma geração gostar de coisas boas.
O Spotify também me faz lembrar das boas serestas, dos violões do Lula, do Fernando, do Luiz Matos e do Romildo, que um dia tentaram me acompanhar nas noites insones e de bebedeiras cantando aquilo que Nélson Gonçalves, Orlando Silva, Roberto Carlos, Agnaldo Rayol e o Timóteo, cantaram e transformaram em sucesso. É gostoso andar pelo calçadão, pelo Jardim São Benedito ouvindo as belas músicas que te levam a um lugar onde você foi feliz e sabia.
Ouço Trini Lopez e me vejo nas varandas das residências da minha Miracema, como a dos senhores Nenem Braga, Noqueta Mercante, Juquinha Dono e na grande varanda da minha casa, em frente a Prefeitura, onde os bailinhos eram organizados pelas meninas e meninos de Miracema com um som saído de uma Sonata ou de uma Eletrola Stereo.
Busco, no aplicativo, Waldir Calmom e encontro o som de seu piano e de sua orquestra, assim como encontro a Tabajara, de Severino Araújo, ou o trompete de Booker Pitman. E o que me lembro? Dos bailes do Aéro Clube e do improvisado salão do Grupo Escolar Dr. Ferreira da Luz, onde a sociedade miracemense bailava ao som destas maravilhosas orquestras brasileiras.
Paro na calçada do centro, converso um pouco com alguns amigos, falo da minha descoberta e Amaro me diz: "Aí você acha de tudo até as músicas do tempo das discotecas". Bingo!! Lá vou eu movimentar o aplicativo e descobrir o som tocado na Cabana do Clube XV, nos anos 70, onde o som de Glória Gaynor, Abba, Bee Gees, Koll and Gang e tantos outros que marcaram aquele lugar de encontro da nossa juventude.
Ah! Não podem faltar as músicas dos tempos do Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira, onde a garotada se reunia duas vezes por semana para bailes, prosas afiadas e, claro, para encontrar as (os) namoradas (os) e dançar os sucessos da época, e lá vem Simonal, Incríveis, Mamma And Pappas, Classic IV, James Taylor, Beatles e tantos outros que se ficasse aqui nomeando um a um o espaço acabaria. Tempo de relembrar grandes nomes da música e que fizeram uma geração gostar de coisas boas.
O Spotify também me faz lembrar das boas serestas, dos violões do Lula, do Fernando, do Luiz Matos e do Romildo, que um dia tentaram me acompanhar nas noites insones e de bebedeiras cantando aquilo que Nélson Gonçalves, Orlando Silva, Roberto Carlos, Agnaldo Rayol e o Timóteo, cantaram e transformaram em sucesso. É gostoso andar pelo calçadão, pelo Jardim São Benedito ouvindo as belas músicas que te levam a um lugar onde você foi feliz e sabia.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Histórias do rádio, do Ferradurão e do futebol
Eu sempre escrevo sobre futebol, fui colunista dos principais jornais de Campos por longos anos e por alguns deste anos ainda dei "canja" nos jornais capixabas e mineiros, que sempre me faziam estudar os campeonatos daqueles estados e por isto, creio eu, sempre estive bem informado no quesito bola e história do esporte por lá e por cá.
Por aqui, no blog particular e no Dois Estados, da "Santa Terrinha", com licença Zé Maria de Aquino, as vezes invado o lado que Ademir Tadeu domina com maestria e me vejo um historiador, aliás não um historiador como o citado Tadeu Miracema e o brilhante Maurício Monteiro, e sim, como diz minha mestra Jurecê, sou um contador de causos e de fatos vividos e vivenciados por Miracema e região.
E por falar no Ademir Tadeu, o historiador, que dias atrás contou, com sabedoria de sempre, as histórias do Brasil/Bandeirantes e do Miracema FC, da era do profissionalismo, relembro aqui do meu canto as belas tardes de domingo, no Ferradurão, como sempre com sua parte da sombra totalmente lotado, e o Brasil, da turma do Deputado Linhares, fazendo a torcida acreditar que o futebol da cidade estava retornando com toda gala e qualidade que jamais esperavam.
Via da parte de trás, onde o Mocinho, nosso saudoso locutor Geraldo Brandão, passava as informações dos jogos do Rio, dizia o tempo de jogo e, as vezes nos dava motivos de gargalhadas quando, propositalmente dizia: "Em Miracema, são 15 horas e 60 minutos" e a torcida, sem saber que ele provocava, morria de rir nos degraus das arquibancadas do então Estádio Ferradurão.
Mais tarde, no ano de 1982, como lembrou Tadeu na matéria, veio a Rádio Princesinha do Norte e nossa equipe de esportes, montada as pressas para atender as necessidades da emissora, que chegava com força e com desejo de ser um ponto de referência na região, e de improviso a improviso, inclusive me fazendo narrador, montamos um grupo homogêneo e cheio de vontade para trabalhar e tivemos, no Brasil, depois Bandeirantes, nosso ponto de apoio e nosso encontro do futebol com a torcida da cidade.
Do Ferradurão o Bandeirantes ganhou os estádios da Região Noroeste Fluminense e, graças ao nosso bravo Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho, presidente da LDM (Liga Desportiva de Miracema) e com a cabeça pensante do José Luis da Silva, veio a Copa Noroeste de Futebol, com apoio total da Ferj, através de Eduardo Viana, amigo pessoal de Maninho, que deu toda cobertura logística e financeira para que o evento fosse um sucesso absoluto.
A Princesinha ganhou a região, de Itaocara, onde fizemos um punhado de amigos, a Porciúncula, passando por Natividade, Aperibé e São José de Ubá, por onde andávamos o radinho estava ligado e nossa turma era recebida com carinho e quando a bola rolava dava gosto ouvir e ver a torcida segurando o radinho de pilha e dividindo o olhar para o gramado e a cabine, sempre improvisada, onde contávamos a história dos jogos.
Foi um tempo legal, fiquei pela rádio apenas três anos, quando procurei voos mais altos, mas o suficiente para dar asas a imaginação do torcedor e o Brasil/Bandeirantes, aliado a Associação Atlética Miracema, ao Miracema FC, ao Operário, ao Flores e ao Paraíso, além do Vasquinho, foram responsáveis por isto e o que ficou foram marcas maravilhosas que até hoje não se tornaram cicatrizes, isto, cicatriz só é provocada quando há um machucado forte e neste caso as marcas são de amor a arte, ao futebol e as pessoas que fizeram o futebol viver.
Quem são eles? Conto no próximo capítulo. Combinado ?
Por aqui, no blog particular e no Dois Estados, da "Santa Terrinha", com licença Zé Maria de Aquino, as vezes invado o lado que Ademir Tadeu domina com maestria e me vejo um historiador, aliás não um historiador como o citado Tadeu Miracema e o brilhante Maurício Monteiro, e sim, como diz minha mestra Jurecê, sou um contador de causos e de fatos vividos e vivenciados por Miracema e região.
E por falar no Ademir Tadeu, o historiador, que dias atrás contou, com sabedoria de sempre, as histórias do Brasil/Bandeirantes e do Miracema FC, da era do profissionalismo, relembro aqui do meu canto as belas tardes de domingo, no Ferradurão, como sempre com sua parte da sombra totalmente lotado, e o Brasil, da turma do Deputado Linhares, fazendo a torcida acreditar que o futebol da cidade estava retornando com toda gala e qualidade que jamais esperavam.
Via da parte de trás, onde o Mocinho, nosso saudoso locutor Geraldo Brandão, passava as informações dos jogos do Rio, dizia o tempo de jogo e, as vezes nos dava motivos de gargalhadas quando, propositalmente dizia: "Em Miracema, são 15 horas e 60 minutos" e a torcida, sem saber que ele provocava, morria de rir nos degraus das arquibancadas do então Estádio Ferradurão.
Mais tarde, no ano de 1982, como lembrou Tadeu na matéria, veio a Rádio Princesinha do Norte e nossa equipe de esportes, montada as pressas para atender as necessidades da emissora, que chegava com força e com desejo de ser um ponto de referência na região, e de improviso a improviso, inclusive me fazendo narrador, montamos um grupo homogêneo e cheio de vontade para trabalhar e tivemos, no Brasil, depois Bandeirantes, nosso ponto de apoio e nosso encontro do futebol com a torcida da cidade.
Do Ferradurão o Bandeirantes ganhou os estádios da Região Noroeste Fluminense e, graças ao nosso bravo Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho, presidente da LDM (Liga Desportiva de Miracema) e com a cabeça pensante do José Luis da Silva, veio a Copa Noroeste de Futebol, com apoio total da Ferj, através de Eduardo Viana, amigo pessoal de Maninho, que deu toda cobertura logística e financeira para que o evento fosse um sucesso absoluto.
A Princesinha ganhou a região, de Itaocara, onde fizemos um punhado de amigos, a Porciúncula, passando por Natividade, Aperibé e São José de Ubá, por onde andávamos o radinho estava ligado e nossa turma era recebida com carinho e quando a bola rolava dava gosto ouvir e ver a torcida segurando o radinho de pilha e dividindo o olhar para o gramado e a cabine, sempre improvisada, onde contávamos a história dos jogos.
Foi um tempo legal, fiquei pela rádio apenas três anos, quando procurei voos mais altos, mas o suficiente para dar asas a imaginação do torcedor e o Brasil/Bandeirantes, aliado a Associação Atlética Miracema, ao Miracema FC, ao Operário, ao Flores e ao Paraíso, além do Vasquinho, foram responsáveis por isto e o que ficou foram marcas maravilhosas que até hoje não se tornaram cicatrizes, isto, cicatriz só é provocada quando há um machucado forte e neste caso as marcas são de amor a arte, ao futebol e as pessoas que fizeram o futebol viver.
Quem são eles? Conto no próximo capítulo. Combinado ?
segunda-feira, 3 de julho de 2017
E o acaso levou nossa Eliane
Agora você está perto dele e aproveita para dizer que você sempre aceitou as pessoas do jeito que elas são, que você sempre soube da dor e da alegria que elas traziam no coração, coisa que você tinha de sobra, todos nós da família e seus amigos sabem disto, pergunte só a Luna, ao Felipe e ao Pedro, testemunhas oculares de sua última participação ao nosso lado, até de bruxinha má você se pintou, mas tudo em nome da alegria porque má você não foi e não será nunca.
E você, que sempre cantava "o acaso vai nos proteger" acabou sendo levada para o Oriente Eterno num acaso, justamente por subir aquelas escadas distraída, ele, o acaso, só te protegeu enquanto você andava pelo jardim que sempre amou e viveu na infância na adolescência, na juventude e nos dias em que a idade chegou e te fez andar mais devagar. O acaso te pregou uma peça e nos deixou surpresos com sua ida
O poeta, autor desta letra que você tanto gosta, Epitáfio, disse que deveria ter complicado menos, trabalhado menos, ter morrido de amor e, você Mana Eliane, trabalhou demais, complicou de menos, não morreu de amor mas por amor você deixou de viver um pouco, todos nós sabemos que trocou sua vida particular para cuidar de quem você sempre amou, não ligue não, a gente entendeu muito bem tudo isto e te deu o maior apoio.
E nós, os Picanço Dutra e agregados, queríamos ter aceitado a vida como ela é, mas a cada um cabe alegrias e a tristeza que vier. No meu caso, mana, fica um imenso vazio no peito e na alma, mas garanto que não estou doente por isto, olho para sua vida e pego para mim este exemplo de viver em família que você nos ensinou, estamos por aqui, não mais na casa 33, mas em qualquer lugar onde podemos reverenciar você e lembrar de sua alegria de viver e servir.
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