sábado, 28 de janeiro de 2017

E... ainda falando em carnaval

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Pão, pizza, bacalhau e outras delícias do mundo

Ontem, em uma conversa informal, na fila do pão, me perguntaram sobre tipos de comida que gosto e onde foi, dos lugares que passei, que provei a melhor comida e qual a culinária que mais me agrada. 

A turma estava com tempo disponível e o padeiro, parecendo estar com uma tremenda ressaca provocada pela noitada da virada do ano, resolveu demorar na entrega do pão da manhã e ficarmos por mais de meia hora a espera e por isto o papo de comida, pessoas com fome tende a tocar neste assunto. 

Eu e Belinho resolvemos trocar ideias sobre as nossas andanças, ele mais americano e eu mais europeu, e os companheiros iam perguntando e nós respondendo e analisando cada um dos pratos preferidos pelo grupo da famosa "fila do pão". 

- Na virada do ano, diz JR, minha sogra fez uma bacalhoada e me lembrei da sua viagem a portugal, meu caro amigo Dutra e, aproveitando a deixa, diga aí onde foi melhor, em Lisboa ou Porto? 
Meus amigos ficaram surpresos quando disse que o pior bacalhau que comi, em todas as minhas andanças, foi em Lisboa, no famoso restaurante João do Grão, que só tem fama e mau atendimento, a bacalhoada estava salgada e o vinho uma boa porcaria.

 O melhor bacalhau comido na Europa foi, acreditem, em Varsóvia, na Polônia, onde eu e Bandeira, ao lado das esposas, pedimos dois tipos distintos e cada um melhor do que o outro, uma delícia de verdade. 

Belinho, que é chegado a um peixe, diferente deste que vos fala que só devora um bacalhau, diz que na Noruega comeu um salmão que até hoje está no seu paladar: - Amigos, diz ele, parecia um "manjar dos deuses", como as donas de casa gostam de dizer, salmão fresco, na beira do cais, um tempero fantástico e com receita de um mestre pescador norueguês, arremata o amigo. 

Algum duvidou sobre meu comentário a respeito do bacalhau na Polônia e completei, para espanto de todos. A melhor pizza não comi na Itália e sim na França, em Nice, torradinha, fininha e sem necessidade de prato ou talheres. A melhor massa também não foi comida em Roma ou em outra cidade italiana, foi na República Tcheca, na cidade fortaleza de Cezk Kunlov, massa feita na hora e por isto com uma demora de 40 minutos, mas também denominada por nós como "manjar dos deuses". 

Perceberam que não é sempre no país de origem que a comida tradicional é encontrada? Na Alemanha se come uma boa massa, na Itália um bom defumado, no Uruguai e na Argentina uma boa carne, mas como estávamos na padaria eu puxei o assunto pão e o Belinho foi rápido ao dizer que o pão, nos Estados Unidos, é tudo de bom, mas quando eu disse que o do Uruguai é o melhor do mundo ele concordou imediatamente. 


- O pão de Montevidéu é sacanagem de tão gostoso,   completamente torrado, em igualdade, e uma massa de fazer corar de inveja este padeiro da Estrela Dalva, que por sinal deu o grito lá de dentro "pão saindo quentinho", e o papo acabou com todo mundo de água na boca e com jeito de que o café da manhã teria algo mais neste primeiro dia do ano de 2017.

Ah! Você lembrou do Uruguai e do pão, lembro que por aqui, no sul, tem uma carne que se assemelha aquela do país vizinho, mas cá prá nós, disse eu ao Belinho, carne como a que me serviram em Berna, na Suíça, jamais encontrarei outra igual e, sem medo de ser feliz, um dia voltarei lá só para voltar a comer aquele bife que um são dois e dois são quatro. Incrível. 

Chega, ficamos com nosso pão branco e feio, com nossa alcatra sem gosto e, ufa, felizmente temos bons cozinheiros por aqui e a cozinha brasileira ainda é uma das melhores do mundo, principalmente a mineira, mas o mito de que só em Portugal se como um bom bacalhau ou que só na Itália que tem a boa pizza caiu com estas minhas andanças. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Volta no tempo: Vasquinho super campeão de Miracema

Quem me lê. diariamente aqui no blog, vai logo imaginar que vou contar mais causos e histórias do, com licença saudoso amigo Aloísio Parente, "nosso alegre futebol". 

Sim, claro. Vou contar não história mas falar daquele que foi um dos mais charmosos campeonatos de todo Norte Fluminense, era assim que minha região era chamada naqueles anos 1960.

O campeonato juvenil voltou a ser disputado graças ao então presidente da Liga Desportiva de Miracema, Gerson de Alvim Coimbra, que foi um dos maiores incentivadores do esporte na Santa Terrinha e, ao lado de seus companheiros da LDM, organizaram vários campeonatos de altíssimo nivel técnico e, nos três que disputei, com o Vasquinho Esporte Clube, do amigo Edson Barros Costa, ganhamos todos. 

Nosso juvenil era terrivelmente "matador", vencemos os três campeonatos de forma invicta, com os artilheiros do torneio, com a defesa e goleiro menos vazado, e com o ataque mais positivo. 

O ataque? Bem, este era o ponto forte, no primeiro campeonato tinha Thiara, Júlio, Adilson e Pintinho. No segundo chegaram Chiquinho e Cacá e no terceiro a base se manteve e ninguém segurou a garotada comandada pelo Bizuca. 

Sim, me lembro de todo o time, que era mutável e ano a ano se reforçava, todos os garotos queriam jogar no Vasquinho, que no terceiro ano já havia sido incorporado pelo Clube Esportivo Miracemense. A defesa tinha Zé Navalha no gol, no outro ano "importamos" Paulinho, que veio do Paduano. Luiz era o lateral direito no primeiro ano e David chegou para os segundo título. Teco e Gilson formavam a zaga, que depois teve Eduardo Piaza e Gilson  foi para lateral e no segundo voltou para a zaga entrando Vilmar na lateral esquerda. 

No meio campo o primeiro trio era formado por Geraldinho, Tininho e Júlio, e na segunda conquista Romário (Herança) entrou na vaga de Tininho, que foi estudar odontologia, e Chiquinho ocupou o posto de Geraldinho, chamado para os titulares e o time ganhou mais força de ataque, que teve a chegada de Cacá Moura e a saída de Pintinho para o time principal, mas no primeiro ano um outro reforço "importado", para a ponta esquerda, deu um toque de classe a este ataque, Marquinho, um velho amigo meu de Pirapetinga que chegou e compôs muito bem o grupo. 

Os adversários? Eram também ótimos times, como o do DER, de onde saiu Cacá Moura, Operário, de onde veio Herança, o Tupan e o Miracema, tradicionais times da cidade, não assustavam e quem dava trabalho era o tricolor Operário Esporte Clube, que além de Toninho Garrinchinha, um craque, tinha Sebastiãozinho, o goleiro Zil e outros garotos muito bons de bola. 

Os dois times dos distritos, Paraíso e Flores, sempre assustaram e chegavam para os jogos no Estádio Plínio Bastos de Barros motivados e com uma grande torcida e dificilmente levavam goleadas. Grandes "anos dourados" do nosso futebol, o estádio lotava todos os domingos pela manhã e não havia um só garoto na cidade, que jogasse futebol, que não fosse inscrito em um destes times da Liga Desportiva de Miracema. 

Contei tudo ou esqueci de alguma coisa? Volto ao assunto em breve. 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Personagens de uma cidade: Um pouco de Neca Solão e Adão Paroquena

Da série personagens de nossa infância. Eu vou dar um pulo até o Coreto da Praça da Matriz e rever o Neca Solão, um cara do bem, que vivia por ali e rondava a praça chegando até assustar as crianças, e eu, ainda bem guri, não tinha medo porque ele frequentava o bar do meu avô e me chamava pelo nome dele, Vicente.

Não tenho muita lembranças dele fora dali, não o conheci muito bem, afinal eu era um menino apenas, mas me lembro bem do Adão Paroquena, figura doce quando sóbrio e agressiva quando os garotos implicavam com ele, tinha um problema psiquiátrico sério mas os meninos da cidade pouco se importavam com o problema do moço e os pais diziam que ele ela alcoólatra,  o que não correspondia a verdade vivida por ele. 

Me lembro muito bem do Paroquena, que tinha um coração de ouro, educado e que também frequentou o nosso bar para "filar" um pão com manteiga e um café com leite que minha vó Maria sempre lhe oferecia. Certo carnaval, não me cobrem o ano, eu me vesti de mascarado e caí na asneira de enfrentar o sol das duas da tarde, que naquele tempo já era tão quente quando ao que hoje a turma vive a reclamar no Facebook e vou contar abaixo o que o Adão fez comigo.

Na Rua Direita o Vavate construía sua casa e as pedras (britas) estavam todas na calçada e o artista aqui, todo vestido de palhaço e com os pés queimando, tropeçou e caiu sobre as britas e por lá ficou, machucado e chorando de dor. Quem me socorreu? Ele, Adão Paraoquena, que tirou a minha máscara e viu quem eu era e me tratou com um carinho que só os caras do bem fazem. 

- Você é neto do seu Vicente? Perguntou-me Adão, que ao receber a resposta positiva me pegou pelo colo, o cara era forte como um touro, e me levou até a farmácia do Josias, a poucos metros dali, e explicou o que aconteceu, ele viu toda a cena. 

A turma, me lembro muito bem da cena, se espantou e o Nini, que trabalhava por ali, agradeceu e me perguntou se era mesmo o que ele falava, claro que achando que eu poderia ter sido agredido pelo Adão Paroquena, e com o curativo feito, o sangramento estancado, ele, o Adão, me deu a mão e me levou até a minha casa onde, claro, foi agraciado com um belo prato de almoço oferecido pela minha mãe, Dona Lili. 

Quando eu ouço a frase "Os brutos também amam" eu me lembro do Adão Paroquena, um diamante não lapidado e que a cidade transformou, através dos garotos inocentes, em um vilão e quase bandido. 

Braizinho e Juarez Beiçola craques da geração de ouro

E chega o ano de 2017 e o Brasil e o mundo esperam dias melhores, dias de paz, dias de prosperidade, aí só no resto do mundo, e que não falte nunca uma conversa nossa aqui na coluna, que entra em seu 25 ano no Dois Estados e no décimo ano no meu blog e sempre contando causos, revivendo momentos maravilhosos da bola e expondo o passado bonito dos amigos e dos personagens da nossa terra. 

Hoje, por exemplo, começando bem o ano, vou lembrar de um amigo que foi um dos meus primeiros ídolos, o Braizinho, que sem medo de errar eu digo que foi um dos maiores, apesar do seu tamanho, atacantes que vi jogar e incluo nesta lista nomes como o de Tostão e Romário, baixinhos como ele e cujo estilo se assemelhava ao do filho do Seu Braz. 

Um talento nato e só não foi longe demais porque naquele tempo, anos 60, a bola não era uma ambição como hoje, era simplesmente jogo e prazer porque ganhar dinheiro nem mesmos os grandes medalhões como Dida e Vavá, ídolos de Flamengo e Vasco da Gama naquele período fértil de craques no Brasil e em Miracema. 

Braizinho jogou no famoso Rink, um dos, senão o o melhor, times formados na cidade e que já contei sua trajetória por aqui e o craque nascido e criado na Rua do Biombo, brilhou intensamente com gols espetaculares, jogadas incríveis e com sua arte encantou plateias em todo Norte Fluminense fazendo corar de raiva os grandalhões zagueiros que tentavam para-lo. 

Outro cara que me encantava quando jogava, o Júlio Cascardi me lembrou na semana passada, através do Facebook .foi o Juarez Beiçola, cujo futebol se assemelhava ao do Ademir da Guia, só para lembrar aos mais antenados no mundo da bola, alegrava os torcedores do Glorioso Alvinegro do Jair Polaca e quem frequentava as arquibancadas do Estádio Municipal. 

Júlio, em sua postagem, fazia menção a semelhança do Juarez com o Sammy Davis Jr, ator negro americano dos tempos de Frank Sinatra e Dean Martin, mas que parecia eu concordo e que a bola que ele jogava e a elegância que mostrava em campo também me fazia lembrar do Mengálvio, meia gaúcho do grande Santos FC de Pelé e cia. 

Viram como o ano começa bem? Dois craques, dois ídolos de todos nós da geração 60 e que fizeram história no Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros, que hoje só vê peladas de baixo nível ou nem isto e que deixaram saudades em todos nós pela elegância, inteligência e jeito gostoso de jogar futebol.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...