quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Quero o gol cinco mil

Esta semana, assistindo a uma matéria antiga em destes canais esportivos, por assinatura, revi as festas do Gol Mil de Pelé, em novembro de 1969, por sinal eu estava nas arquibancadas do Maracanã, a de Romário, que ainda não achou a lista completa dos seus mil gols, e da tentativa frustrada de Túlio em completar a sua agenda para o seu  provável milésimo gol, me senti no direito de reivindicar aos amigos e autoridades da terrinha uma festa para comemorar o meu gol número cinco mil.

Isto mesmo, se Romário e Túlio contaram gols de peladas, joguinhos caça-níqueis, amistosos de final de ano, casados x solteiros, eu também vou comemorar mil, dois mil, três mil ou até cinco mil gols assinalados em minha carreira de atacante goleador.

Vou registrar os gols no gramado da Prefeitura, quando seu Anézio deixava, na Pracinha das Mães, até Cabo Atleta impedir nossa pelada, no salão do Jardim de Infância, enquanto o detetive Tinoco não chegava para acabar a pelada, na Rua José da Silva Bastos, quase uma ladeira, na Praça Ary Parreiras, onde os dedos eram roídos no paralelepípedo ou nos bate bola com Paulinho Leitão ou com Júlio e Gutinho, na calçada do seu Amaro ou do Vovô Vicente.

Ah! Tem os quase quinhentos gols na quadra do Rink, ou seriam mil? Tem oitocentos no campo de pelada do Ginásio, uns duzentos no Buraco da Égua, outros duzentos na quadra do Nossa Senhora das Graças, quando ainda funcionava no Ferreira da Luz, e uns cem ou pouco mais no campo  Prudente de Moraes.

Exagerando? Nada disto, ainda não contei os mais de mil marcados e comemorados com minha turma no soçayte da Piscina, os quinhentos no sítio do João Moreno, mais uns cem no sítio do Gutemberg e outros tantos no campo do João Leitão, nas peladas do Banerj, que eram semanais. Se vou contar os cinquenta do campo da AABB? Claro, se Romário contou os gols que fez no dente de leite do Olaria eu também vou contar os duzentos que fiz no time do Bitico, certo?

Engraçado é que quando sentei aqui, para escrever este texto, disse a Marina que falaria dos meus gols ela perguntou se eu lembrava de todos eles. Quanta ilusão, eu não tenho a boa memória do Alvinho Gonçalves, não tenho anotações como tem Túlio, que conta até gol marcado em treino lá na Suíça, quando por lá passou. 

Claro que me lembro de alguns, principalmente os oficiais, jogando pelo Vasquinho, Esportivo, Tupã, Miracema, Seleção e até vou contar os gols marcados no Flamenguinho, de Cantagalo, com o Laje EC, o Olímpico, e até no Ribeiro Junqueira de breve passagem, mas cá prá nós, se eles podem somar todos aqueles gols, sem documento ou provas, porque não este simples mortal, artilheiro das peladas, não pode comemorar seu feito?

Tá legal, faltam alguns para o de número cinco mil e não tenho mais condições físicas para entrar em campo e faze-los de forma correta e em ótimo nível técnico, mas vou arrumar uma defesa bem na minha medida, a turma da terceira idade, combinar com eles um churrasco e cervejada e, quem sabe, consigo fazer os dez gols que faltam para chegar ao GOL CINCO MIL?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O pior Natal de minha vida

As vezes me lembro dos natais, passados no balcão do bar do meu avô, que era o dia, como já cansei de falar aqui, de grande faturamento para a família Dutra, e não penso que foram natais ruins ou para serem esquecidos, mas hoje, ainda faltando alguns dias para comemorarmos a data máxima da cristandade, me pego procurando na memória o pior natal que vivi na vida e estes, no trampo do bar, não entram no contexto.

O pior Natal de minha vida foi o de 1971, ano da pior enchente na minha Miracema e, por sorte, não  houve vítima fatal e, por ser Natal e ser uma cidade eminentemente religiosa, o Aniversariante poupou as famílias de um desastre maior por elas estarem unidas e fraternalmente reunidas para comemorarem a data.

Eu não estava na terrinha, trabalhava o Hotel Regente, em Copacabana/Rio de Janeiro, e cumpria meu plantão na véspera do feriado, saí do trabalho por volta das oito da noite, rumando para a casa de minha tia, onde morava no apartamento dos fundos, para curtir o dia com a família, porém, tem sempre um porém, festa natalina foi transferida para a casa de um primo e fiquei sozinho no meu canto sem um vinho, sem uma rabanada, sem uma ceia decente. 

Não conhecia pessoas para eu me convidar para a ceia, a cidade grande nos prega esta peça, e não tive coragem de procurar os parentes mais próximos, deveria dormir cedo porque no dia de Natal, às cinco da matina, eu teria que pegar o ônibus Usina x Leblon e seguir para a Avenida Atlântica para mais um plantão de feriado.

Meu companheiro foi o rádio, a Mundial era a rádio do momento e Big Boy fazia um programa especial de Natal e mais tarde, no Good Times, botei o coração mais doído com as músicas apaixonadas e aí, Ave Maria, a saudade de Marina, de Dona Lili, das manas e do Pai Zebinho e os velhos Vicente e Maria, bateu mais forte e minha companhia foi uma garrafa de Campari sorvida sem gelo ou limão.

Até aí tudo bem, dava para levar com tranquilidade, o porre me fez dormir e esquecer a saudade da terrinha, da família, da namorada e da Missa do Galo na nossa Igreja Matriz. Mas pela manhã, com um gosto de guarda chuva velho na boca, a pior notícia veio dentro do ônibus que me levaria ao trabalho: Um radinho, de um passageiro, anunciava a enchente em Miracema e entrei em pânico com o que ouvi naquele momento.

Foi um trajeto duro de ser completado, ansiedade e medo já tomavam conta de mim e via que meu Dia de Natal seria daqueles terríveis mesmo sabendo que era impossível a água chegar até minha casa, em frente a Prefeitura, mas e os amigos? E o restante da família? Como está minha cidade? Tudo isto vinha a minha cabeça e não conseguia contato telefônico em hipótese alguma. 

Foram horas e horas de aflição até que dona Emma, uma experiente telefonista, de plantão no Hotel Regente, resolveu meu problema e consegui falar com meu pai, através do telefone do Armazém do Jorge Gonçalves, na minha casa não havia telefone, e ficar sabendo que não houve vítimas, que a água já tinha baixado e que houve apenas prejuízo material, o que já me deixou aliviado.

Se passei o dia dedicado ao aniversário Dele na boa? Não. Não vi clima algum para subir ao segundo andar, onde fica o restaurante do Hotel Regente, para o almoço com os companheiros de trabalho, fui procurar uma capela, na Av Nossa Senhora de Copacabana, para fazer minhas orações e agradecer pela ausência de vítimas na minha Miracema na noite anterior. 

Foi assim, meus amigos e seguidores, que passei o pior Natal de minha vida. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...