quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Jardim de Miracema


Andar pelo jardim de Miracema é dar uma volta ao passado. Sentar em um daqueles bancos, patrocinados por empresas que desapareceram e que algum dia fizeram o progresso chegar à cidade, é a certeza de lágrimas nos olhos. 


Ver o Rink, mesmo vazio e sem as crianças para iluminarem o ambiente, é como se ali estivéssemos eu, Júlio e Gutinho, correndo atrás de  uma bola de borracha a espera dos amigos para um racha, rápido, antes que um de nossos pais viessem correndo nos chamar para estudar ou coisa parecida.


Ver minha neta, Luna, brincando no Parque Infantil é recordar do seu Waldemar, zeloso guardador do local e que com sua simpatia e paciência, nos enchia de alegria e energia para correr um a um daqueles brinquedos instalados naquele espaço que leva o nome do seu Marcílio Poly.


Naquele coreto, que hoje está refeito e praticamente igual ao original, ainda não subi ou entrei para ver como é que ficou. Não tive coragem, minhas pernas tremeram nas duas oportunidades que tive para visitar a clonagem feita pelo prefeito Carlos Roberto, confesso que em ambas temi por minha pressão, pensei em encontrar por ali o Neca Solão ou ouvir a voz do Mocinho ou os acordes da Banda Sete, com a regência do Maestro Zeca Garcia.


No Jardim de Infância eu passo e já não sinto mais calafrios ou arrepios, vejo as crianças e suas professoras, agora chamadas de “tias” e revejo os dias em que por ali fiquei, brincando de aprender e fazendo arruaças e arrumando “casamento” com minha inesquecível e adorada amiga Marista Felix, e, olhando a foto do evento eu fico com uma vergonha danada, Marista tinha quase dez centímetros a mais que este seu “marido”.


Ah! Lá vem eu falando de saudades e de coisas agradáveis que vem a minha mente. Ah! Lá vem o escriba te dar motivos para sentar, pensar e refletir sobre sua vida maravilhosamente vivida nos anos em que o Jardim de Miracema era praticamente o quintal de sua casa.






Certo dia, ao ver uma antiga foto da Fonte Luminosa, tive a impressão de que o vulto do Capitão Altivo Linhares estivesse pelo outro lado da fonte, impressão apenas ou o velho caudilho estava mesmo a me observar, como se quisesse agradecer por levar para a posteridade aquele lugar bonito que ele criou?


Aquela velha piada do “ignorinho” já correu o mundo, a levei para diversos lugares, mas juro que foi apenas para ter um motivo para falar que na minha Miracema tem um viveiro espetacular e que já concentrou grande quantidade de aves exóticas ou nativas e que José de Carvalho foi um grande prefeito para a comunidade carente da cidade e deixou marcas positivas neste que vos fala neste momento.


Hoje, passando pelo Jardim de Miracema, encontro logo na entrada, quando venho da rua Direita, o Tarcisio Pipoqueiro, que já entrou no folclore da praça e já faz parte do inventário do lugar. É sempre bom ter um dedo de prosa com o Tarcísio, totalmente de bem com a vida e com um sorriso largo no rosto demonstrando que é um cara feliz e de bem com a vida e com a família.


Um dos meus programas preferidos na cidade é sentar em um banco, de preferência sob alguma árvore, que um dia tirei uma folha para fazer um assobio, para ler o jornal do dia ou, como prefiro hoje, digitar alguma coisa no twitter ou Facebook, programas de rede social oferecidos em meu celular.






Se o Jardim de Miracema não é mais como antigamente? Sei não, pergunte as crianças que por lá estão se o lugar trazem ou não felicidade? Daqui a quinze ou vinte anos mude a pergunta: O Jardim de Miracema marcou a sua vida? Garanto que todos me acompanharão nesta resposta. Que felicidade foi ter um jardim como este na minha vida. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Estes fizeram a alegria da galera


Tempos atrás fui contestado pelos amigos por citar meu antigo jogador, da Escolinha da AAM, Chico Felicíssimo, como um grande atacante e um dos craques que não vingaram aí na terrinha. Um pouco depois contei, aqui neste mesmo espaço, algumas de minhas jornadas inesquecíveis e, pimba, lá veio de novo o bombardeio de contestações. 

Contei histórias, causos, passagens curiosas como as do Jucão, do Genuíno e do Belisca, falei de bons goleiros, como Zil, Navalha, Geneci, Zé Geraldo, Bizuca e Rubinho Camelo, falei de ótimos atacantes, como Thiara, Pedrinho (os dois), Cacá, Chiquinho, de fabulosos meias, Ademir, Alvinho, Dequinha, Paulo Lolita, Manoel Lima, Zé Augusto Provinciale, e outros que vingaram ou não aí na nossa terrinha.

E agora, quem serão os homenageados do espaço? Os zagueiros ou os laterais? Podemos fazer um apanhado geral  e contar por aqui que Dilsinho, hoje morando em Venda das Flores, foi um dos mais completos de sua geração, concorda comigo? Que David Resende foi perfeito e, sem medo de errar, se joga hoje desbancava Daniel Alves ou seus concorrentes. 

Do Edil, outro baita goleador lá de Flores, eu já falei por aqui, dos irmão Ari e Ariel, o primeiro um craque e o segundo um ótimo lateral,  ao lado do Renato fizeram o Flores EC entrar na história do nosso futebol. 

Já contei aqui que os irmãos Utrine, Clóvis e Clênio, do nosso querido Paraíso do Tobias, fazem parte de todas as seleções que tentarem escrever lá na terra do José Chacourt e que Totonho, Chiquinho, olha ele aí outra vez, Toninho Barão, Bóia e seu mano Zeínha, como os rapazes do Flores, também incluíram o Paraíso na história do nosso futebol.

Minha gente como é difícil contar prá vocês quem brilhou, quem fez sucesso e quem eram os craques da cidade. Nem adianta voltar a escolher os melhores, estes terão espaço reservado no meu time a qualquer dia ou hora, como o Júlio Barros e o Lauro Carvalho, dois talentos que jamais serão esquecidos como amigos ou jogadores de bola. Indiscutíveis nos dois sentidos.

Algum de vocês, que deve estar me contestando agora, viu o Tachinha jogar na zaga? Viu o Biluzinho partir para o ataque, descambado pelo lado esquerdo, levando a loucura qualquer defesa? Lembra que o Beto fazia o mesmo pelo lado direito? E que Ronzê deitava e rolava no meio deste ataque?

Já entenderam, né mesmo, que estou subindo as gerações e lembrando de outros baitas jogadores. Aproveito para dar um toque na lembrança e encontrar Fernando Monteiro, eita lateral raçudo e competente, do Luis Carlos, que completava a zaga do Bandeirantes com qualidade.

Todas as vezes que me vejo na terrinha, sentado em algum lugar, seja no bar ou no jardim, sinto a necessidade de prosear com velhos companheiros e relembrar estes moços bons de bola e de coração. Meu amigo José Souto, que passou a gostar de futebol bem tarde, não teve este prazer e, mesmo sendo de uma geração maravilhosa, jamais teve gosto pela bola ou de freqüentar as arquibancadas do Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros ou o Estádio Luiz Fernando Linhares, o Ferradurão. Ele, e muitos outros, me convidam para um dedo de prosa só para conhecerem o passado do nosso alegre futebol.

Aqui, no meu convívio quase que diário com os amigos blogueiros, ou no Dois Estados, nosso jornal da terrinha, procuro sempre destacar quem mereceu um dia ser chamado de zagueiraço, goleador, rompedor ou carregador de piano, e sempre peço perdão pelo esquecimento de um ou de outro, mas hoje rendo homenagens ao produtivo Zé Paulo e o artilheiro Ronzê, que um dia fizeram a alegria das torcidas da cidade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Na cadeira do babeiro


No início do ano, creio que ainda estava curtindo Guarapari com a família, li sobre o cinquentenário do primeiro título mundial de Éder Jofre, nosso maior pugilista de todos os tempos, e no exato momento em que a manchete chegou no meu laptop a minha mente me transportou para Miracema, Rua Direita, salão de barbearia do Seu Gérson Coimbra, onde fui encontrar Eloi Natividade, um dos mais tranqüilos e competentes profissionais do ramo que conheci.

O que teria Eloi Barbeiro com Éder Jofre, por acaso ele lutava boxe ou era bravo ou violento? Nem pensar. Eloi, já disse acima, sempre foi um pacato cidadão, tranquilo e com uma paciência de Jó, basta você saber que sempre fui irriquieto e agitado e ele, com sua calma, tratava de minha cabeleira com categoria dos grandes profissionais.


- E então, conta aí? Dirão os apressados e eu atendo. Um dos adversários de Éder Jofre foi o mexicano Elói Mendes, batido por nocaute pelo nosso ‘Galo de Ouro” em decisão nos anos 60 e, de lá prá cá, passei a chamar o meu primeiro barbeiro favorito de Eloi “Sanches” Natividade, e como troco o amigo respondia: “Chegou o Adilson Ramos”, em referência ao cantor que fazia sucesso naqueles anos com “Sonhar Contigo”.


E lembrar do Eloi me faz voltar um pouco mais o tempo e encontrar um outro tranquilo e sereno profissional da tesoura, Oziel Guimarães, cujo salão ficava quase ao lado de minha casa e foi lá que vi o Thiara perder a vasta cabeleira, raspada por exigência do Exército Brasileiro, em 1968, fizeram fila na porta do Oziel para ver o barbeiro tirar algumas das cabeleiras mais famosas da cidade.


Rapaz, você já parou para pensar que barbeiro é sinônimo de tranquilidade e calma? Citei dois profissionais da velha guarda com o mesmo temperamento e com o mesmo nível de conhecimento da profissão e, para completar o time poderia colocar o Ailton Babeirão, que não perdia a tranquilidade jamais, e, mais recentemente, o Camilo e o Celso, ambos ainda em atividade na terrinha e que formam no mesmo grupo dos citados acima, tranqüilos, serenos e ótimos profissionais.


Oziel e Ailton já não estão entre nós, devem estar lá trabalhando lá no andar de cima com o Netinho, o Jeová, o Gérson e tantos outros, que nos meus tempos de criança eu chamava de “seu”, mas aqui, nesta homenagem singela aos homens da tesoura, deixo o senhorio de lado e faço minhas recordações com aqueles que um dia foram fregueses destes eternos barbeiros da terrinha.


Geraldo Lasqueta, lembram dele? Até hoje faz sucesso em Itaperuna, onde também se encontra outro cara tranquilo e sereno, que joga no time de Oziel e Eloi, e por algum tempo também botou a mão nos meus belos cabelos, o José Francisco, que ao lado do Lasqueta curte a fama na vizinha Itaperuna.


Já que não pode faltar o assunto futebol vamos render nossas homenagens ao Toti, um misto de goleiro e barbeiro, mas cá prá nós, bem baixinho, era ótimo com a tesoura e a navalha mas no gol do Miracema ou do Operário fez muita raiva aos torcedores.


Estou por aqui, botando o chip da memória para funcionar, disposto a homenagear outros profissionais do ramo, mas não encontro e por isto encerro o papo de hoje com lágrimas nos olhos, sabe quem deixei para o final: Francisco Damasceno Franco, meu eterno amigo e barbeiro dos últimos tempos na terrinha, Nenenzinho, um cara fantástico, alegre e grande profissional, mas deixou a nossa companhia muito cedo e hoje está lá em cima na Barbearia do Netinho e jogando no time do Gérson.


Saudações a todos e me perdoem se esqueci de um ou outro barbeiro do meu, do seu ou do nosso tempo. 


Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...