quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Revendo colunas de O Diário - 2005

 O futebol do Rio, que tristeza, mais parece uma coletânea de músicas da dupla Ivan Lins e Vitor Martins. Na quarta-feira, após mais um fracasso dos outrora poderosos cariocas, os torcedores poderiam cantar os versos de “Somos Todos Iguais Esta Noite”, em que o poeta Vitor Martins definiria assim a vergonha de Flamengo, Fluminense e Vasco: “Somos todos iguais esta noite, na frieza de um rosto pintado, na certeza de um sonho acabado, é o circo de novo”.

 Enquanto isto, lá na Cidade do Aço, os torcedores Ouro/Negro do Voltaço ensaiam a canção “Vitoriosa”, prevendo que com a derrota para o Ipatinga, pela Copa do Brasil, Americano fique cabisbaixo. “Quero a sua risada mais gostosa, este seu jeito de achar, que a vida pode ser maravilhosa”, cantam para o veterano Túlio Maravilha, que empolgado com o novo sucesso, diz até em voltar ao picadeiro.

 

Mas a dupla Ivan Lins e Vitor Martins ainda oferece um verso para os torcedores cariocas: “Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço, perdoem a falta de espaço, os dias eram assim”. Mas, pensando bem, nem tudo está perdido e em Cartomante vem um recado final para estes torcedores: “Não ande nos bares, esqueça os amigos, não pare nas praças, não corra perigo”. Só assim estes apaixonados flamenguistas, vascaínos e tricolores irão esquecer um pouco a amarga sensação do desprezo e da péssima campanha de seus times nestes dois primeiros meses de 2005.

 

A coluna, com seu astral otimista e certa de que nem tudo é baixo astral, dá o último recado da dupla em questão: “Desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos, afinal de conta não tem cabimento, entregar o jogo no primeiro tempo. 


Nada de correr da raia, nada de morrer na praia, nada, nada, nada de esquecer”. Neste balanço de perdas e danos a gente lembra que se não melhorar um pouco mais na Taça Rio o barco vai afundar e nem mesmo a Bandeira do Divino poderá ser erguida para a salvação destes timecos.

 


 

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Um dia de "celebridade" em Guarapari

 No domingo, ainda de ressaca dos festejos do último dia do ano, fui surpreendido por uma repórter de tevê, de Guarapari, que talvez indicada por um amigo comum, que me abordou no calçadão enquanto fazia minha caminhada para tirar o excesso da noite anterior.

 “Senhor Adilson Dutra?”  Pergunta ela, já de microfone em punho. “Sim. O que deseja?”, respondi com outra pergunta. “Estamos entrevistando celebridades que visitam a nossa região e gostaríamos de fazer algumas perguntas; Posso?” “Celebridade? Eu?” Me assustei. Mas o que fazer. Lá vamos nós, se não for uma pegadinha estamos aí, prontos para colaborar.

Então lá fomos nós caminhando e conversando sob o signo do belo sol da manhã do primeiro dia do ano. A repórter queria levar o papo para a conversa banal, tipo do que eu acho da Fernanda Montenegro, que brilha na novela das oito. Eu, cabreiro com o papo, desvirtuei a prosa e pedi para falar de esportes ou do dia a dia da política e economia. A garota, acho que é uma destas surfistas capixabas, pelo menos tem porte atlético e muito bonita, além de bem articulada, topou a virada de assunto imediatamente.


E veio com algumas perguntas sobre o mundo da bola. “Qual foi o pior momento de sua vida esportiva?” Eu, sem medo de errar, contei que foi em 1982, Copa da Espanha, quando fiquei triste pela última vez com uma derrota, e, a partir daquele dia não torci mais pela nossa Seleção. Claro que expliquei que quero ver o time campeão, sempre, e torço pelo sexto título mundial, na Alemanha. 


Outras perguntas vieram. Qual foi o seu craque favorito? Qual o jogo que mais o emocionou? Qual o melhor estádio do mundo? E outras perguntas chavões, que foram tiradas daquelas convencionais, aquelas que estão nos jornais e nas revistas encartadas em todos os jornais dominicais.


Mas tudo isto que conto acima tem um toque especial. Que celebridade sou eu para ser parado em Guarapari, em pleno domingo, o primeiro do ano, para ser entrevistado pelo canal local? Quem foi que me indicou para este programa? Duas coisas devem ter acontecido. A repórter e a produção do programa estavam sem assunto ou sem personalidades disponíveis naquele momento e pimba! 


A moça da banca deve ter dito que eu trabalhava em jornal, pois todos os dias procuro o nosso O Diário por lá, e a garota, sem opções em mãos, utilizou este velho escriba para contar histórias no primeiro programa do ano. Foi legal. Falei do nosso jornal e do nosso futebol campista.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Revendo textos - O Carnaval do Nenezinho

Na sexta-feira, logo após o treino do Operário, ele vestiu sua fantasia surrada, calçava os sapatos velhos, e acertava os apetrechos da “mulinha” junto ao pequeno corpo. Estava pronto para cinco dias de folia e brincadeiras, que começava naquele momento, dezoito horas de uma sexta-feira, e só terminava por volta das dez da manhã da quarta-feira de cinzas.Este é o Nenenzinho, ponta direita habilidoso, goleador e apesar do tamanho, pelo apelido vocês devem perceber que era mignon e por isso atuava pelas laterais do gramado. Neném era uma figura folclórica, jamais fez mal a alguém e só brincava sozinho, no verdadeiro bloco da solidão. 

Futebol de botão uma paixão antiga

 Meu time tinha Delém, tinha Zagalo, naquela época com um L só, Pampolini, achava bonito este nome e havia o conhecido na Tijuca, e um zagueiro lateral direito, Cacá, que tinha lugar no meu escrete porque era casado com uma miracemense. 

Meus craques eram tratados com carinho, tinham luz própria, estavam sempre na caixa protegida por algodão, feltro, flanela e bastante talco, que era para não estragar o polimento dado todos os dias pela manhã e à tarde.

 Quem, em sua infância ou juventude, não jogou botão? Até meus filhos, criados em época diferente, o Leandro ainda guarda até hoje o seu primeiro time, montado na Rua Pereira Nunes, pertinho da Av. Pelinca. Por falar nesse time e na rua, por lá tinha o Andral, um militar que hoje deve estar aposentado, que incentivava a garotada a participar de campeonatos, por ele promovidos, e era bacana ver aqueles guris o acompanhando por todos os cantos levando as suas caixas com seus times de botões bem protegidos.

 Por aqui, além do Andral, só vi o Fernando Antônio, o esperto repórter da Continental, falar sobre a paixão pelo Futebol de Botão, acho que é por isto que não continuei com esta mania, gostosa por sinal, de ficar horas e horas narrando um jogo entre os meus times preferidos, que nunca, diga-se de passagem, levaram a camisa rubro negra para dentro de um campo de jogo.

 E por falar em campo de jogo, o meu preferido era mesmo o chão de cimento, as mesas sempre eram empenadas e um pouco desconfortáveis, no meu tempo era muito difícil ter uma mesa apropriada para este tipo de brincadeiras, sempre os pais improvisam e nunca dá certo. 

O Estádio Scilio Faver, uma varanda espetacular, com piso de cerâmica vermelha, era o que havia de melhor em Miracema, o nome homenageia o dono da casa, cujo filho, Scilinho, tinha um timaço, bem melhor do que o meu, mas sempre me convidava para os torneios porque eu narrava os jogos e ele fazia a ponta, coisa de radialistas mirins.

 Naquele tempo, bota tempo nisso, tinham alguns craques do futebol de botão que nos faziam chorar, o Maurício Mercante, por exemplo, além de nos fazer raiva com o seu bom time de botão, nos intimidava quando a partida era realizada na varanda da Dona Lídia, ele se achava o tal e se ganhássemos era certo levar uns “coques” na moleira. 

O Moacir José, o Fumaça, neto do grande Dr. Moacir Junqueira, era um ótimo parceiro. Seu pai, Neném Mercante, nos ajudava a escolher nossos “craques” e incentivava a turma que ia jogar na sua varanda.

 A gente passava um bom tempo ajoelhado naqueles pisos encerados, foi ali que comecei a ter gosto pela narração esportiva e a ficar metido a repórter de campo. Meus botões davam entrevistas antes, durante e depois das partidas, o melhor em campo recebe prêmio, tal qual as emissoras de rádio. 

Hoje, após mais de trinta e cinco anos de microfone esportivo, tenho saudades daquele romântico jogo de botões, claro que também da nossa infância pura e cheia de atividades. Não me conformo com esta mesmice de agora, ver futebol na tevê, jogar sinuca, pião, botão e qualquer outra atividade, que outrora eram praticados na rua, na varanda ou até mesmo em uma mesa de bar, ser hoje desenvolvida na tela do computador.

Revendo textos - O nosso invicto Rink E.C.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Obrigado amigos e Miracema

 Tem certos dias, não direi que penso em minha gente, mas tem certos dias em que me vejo pensando na gente de Miracema, aqueles que viveram comigo as alegrias e as tristezas do mundo da bola, da música, dos festivais e dos estudos, isto nunca foi o meu forte, e que marcaram minha vida de uma forma incrivel, fantástica e  extraordináriamente, e que estão guardados em algum lugar deste velho coração feliz e abençoado por Deus. 

Eu não queria citar nomes, a falta de alguns deles provocariam lamentações pelos esquecidos, o que não gostaria de ver, mas alguns, como os dois irmãos da vida, Júlio e Gutinho, Júlio é o Barros, filho de Dona Yolanda e Seu Zé Barros, e o Gutinho é o Thiara, o filho de Dona Antônia e Seu Botelho, meus vizinhos e amigos desde sempre, o Thiara nos deixou este ano e o trio, Eu, Júlio e Gutinho, se transforma em dupla e, apesar de não ver o Júlio há um bom tempo, guardo sua amizade, que sei que será eterna, naquele mesmo lugar que citei aqui acima, em um pedaço qualquer deste meu velho coração.

Agora sim, é complicado citar nomes já que entro naquela de juventude, da música entrando firme na minha vida, aulas de violão com o Farofinha, não deu certo, as cordas não são meu forte, mas as aulas de música, para sair da corneta, sempre tocada desde a infância, e entrar no piston, não posso deixar de me recordar do Maestro José Garcia, o Seu Zeca, que teve uma paciência de Jó com este músico, que sabia tocar de ouvido e se recusava a ler partituras, mas ele insistiu e eu li alguns dobrados em partituras da Banda Sete de Setembro. 

Os amigos das serestas, que era normal na minha Miracema, sempre levado pelo Fernando Nascimento, meu eterno professor e amigo, pelo Zé Felicíssimo,uma das mais belas vozes da cidade, com quem aprendi "Cadeira Vazia" e até hoje ainda solto a voz, não perfeita como a dele, mas saia bem legal quando acomlpanhado pelo Romildo ou pelo já citado Farofinha. A música também me deu um grande amigo, o Zé Viana, um baita pistonista e dono do primeiro conjunto que toquei, era bem legal, e, como o Viana, muitos já são saudades, como o Lula, no violão, Valdemar, na bateria, e o Breninho, na guitarra. Eu? Era o crooner e tentava ser o segundo piston do conjunto. 

Ah! E tem o assunto mais proibido ainda citar nomes, delas e deles, no primário, ginásio, cursos Comércio e Normal, aí amigo, tem uma tremenda "caixa de marimbondo" se comentar aqui, por exemplo, de Dona Jurecê, minha tão amada mestra como foi Dona Crisolina Moura, e esquecer de tantas outras que tiveram paciência com este menino levado. Perdão a todas (os) que não foram citados justamente para não ter uma enxurrada de pedido de desculpas individuais. 

E abro o parágrafo final para falar daqueles que me deram incentivo para ser o Adilson Dutra, não o de hoje, aposentado e feliz pelo que fiz pela vida, mas para ter coragem de sair da tranquilidade de Miracema, com emprego garantido no Banerj, casa própria, esposa com duas matrículas etc e tal, mas Jofre Geraldo Salim, Michel Salim e Orlando Mercante, fizeram minha cabeça e saí para uma nova aventura e creio que conquistei tudo aquilo que buscava e eles sabiam que eu poderia. 

Encerro sem dar nomes, novamente é perigoso, mas a turma do futebol, da música, e da Rádio Princesinha, veleu Renato Mercante, que me deu grandes momentos e o meu melhor amigo José Luiz da Silva, o nosso Categoria, é o grande trunfo daquela equipe maravilhosa que me deu a chance de ser o que sou hoje. Grato a Chico David, Welington Ronsè, Paulo Joel, Fernando Nascimento, meus operadores Jadinho, André, Evandro e Patrícia, que fizeram comigo o melhor futebol do Noroeste Fluminense. Saudade das carrapetas do Chiquinho Titonelli.

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...