segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Maninho e Bizuca: Seriam eles precursores de Guardiola?

Uma entrevista do treinador espanhol, Pepe Guardiola, agora no Manchester City, me fez lembrar novamente do mestre Maninho, que no seu tempo já pensava como o catalão de maior sucesso no futebol mundial. Dizia Guardiola: "Com Aguero jogando minha opção é guardar Gabriel Jesus para o segundo tempo e usar dois velozes atacantes pelos lados, a defesa adversária se concentra na velocidade de ambos e ficará mais exposta nos ataques velozes". 

Pois é, Maninho já fazia como ele, Guardiola, nos anos 60/70, gostava de ver seu time tocando a bola, ganhando tempo com a bola nos pés, usava dois atacantes velozes pelos flancos e um mais arisco ou mais decisivo no centro, e armava sua defesa de acordo com o adversário, ora jogava com um zagueiro-zagueiro outros momentos com volantes ou meias improvisados por alí, como fez diversas vezes com Alvinho jogando de quarto-zagueiro. 

Bizuca, o querido Adailton Pimenta, também armou o Vasquinho/Esportivo desta maneira, usou todos os atacantes velozes no time e chegou a ousar, como Guardiola hoje faz e é moderno, e jogar sem um volante brucutu, coisa que na nossa época não era muito comum, exceto o excelente Geraldinho, craque de bola e requintado volante, mas que usava da força em excesso em certas ocasiões. 

Me lembro bem de um jogo, contra o DER, pelo campeonato da cidade, que Bizuca pensava em jogar com um ataque pesado, com Zé Paulo e Otavinho para enfrentar Pula N'Agua, Capela e um outro zagueiro, cujo nome me foge no momento, e quando entramos em campo, Thiara na direita, Cacá pelo meio e este que vos escreve pela esquerda, Fernando Nascimento, meu eterno professor, dizia que "a vaca foi para o brejo". 

Foi velocidade em cima da força bruta, e Bizuca dizia para o Thiara e para mim, "não entrem em dividida, coloque a bola para correr e deixe os grandalhões cansados. E foi assim, uma correria louca em cima dos pesados zagueiro e um... dois.... três... quatro e finalmente cinco a zero para nós. 
Coisas de quem vê futebol com olhos diferenciados, Maninho era treinador para ter chance nos clubes cariocas, não sei se nos grandes da capital, mas certamente faria sucesso nos menores e chamaria a atenção dos grandes por seu trabalho competente e dinâmico, muito além do nosso tempo e que somente agora, com Pepe Guardiola, é tido como genial. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Personagens da terrinha: Tarcisio, o pipoqueiro


Foto do arquivo de Adrienne Junqueira. 

Certa vez eu comentei aqui sobre minhas aventuras de "vendedor" pelas ruas da minha Miracema e pelos parques e circos que chegavam à cidade e, principalmente, nas filas do Cine Sete e do Cine XV para angariar grana para os matinês de sábado. 

Comentei também sobre o tempo de engraxate, falei dos amigos que dividiam as calçadas comigo, e o tempo passou e, felizmente, tudo deu certo no meu caminho e cá estou hoje, já grandinho e quase um setentão miracemense, falando e escrevendo sobre os personagens e os fatos da nossa terrinha. 

Um abre alas para um personagem quase cinquentenário do nosso jardim, sempre alegre, educado e com um carinho especial para as crianças que frequentam o Parque e pedem aos pais "quero pipoca do seu Tarcísio", e ele, sempre com um belo e baita sorriso, atende contando um causo ou falando sobre o pai ou o avô da criança que está a sua frente, sabe muito de todos os amigos que viu crescer e quando chego por aí é sempre um abraço afetuoso e uma lembrança dos tempos do bar do meu avô ou dos meus filhos em volta do seu carrinho. 

Um papo que o deixa feliz é falar de seu filho, que está em Santa Catarina, e ajustou sua vida profissional com segurança e mantem contato quase diário com o pai, principalmente agora, na onda do celular, Tarciso se diverte quando conta as aventuras do filho nas terras da terra vermelha. 

Tarciso pode não ganhar um busto no jardim, mas aquele lugar, onde ele faz a alegria das crianças da cidade, jamais será esquecido e sempre que um homem ou uma mulher, bem sucedido na vida, passar por ali se lembrará do grande personagem do lugar, Tarcísio Pipoqueiro, mas eu queria ouvir dele a resposta que sempre dá quando falo em sua alegria: "Devo tudo isto a minha Maria". Um amor de longos anos e que eu admiro profundamente. 

TG 217 Bodas de Ouro da turma 1968

No ano que vem, 2018, nossa turma do TG 217 completa cinquenta anos e gostaria de fazer uma festa com todos os cinquenta e três, mas creio que não será possível, alguns já moram no Oriente Eterno e não confirmarão presença física, mas se houver o reencontro garanto que todos estes que nos deixaram estarão presentes, espiritualmente, bem no meio de nós.

Um dos que serão lembrados será o Soldado 42, Magalhães, para quem não viveu o nosso tempo de TG fique sabendo que este é o Olegarinho, grande amigo e baita companheiro dos plantões divertidos da turma comanda por mim, Cabo Picanço, ele ontem foi lembrado por mim e pelo Gilson Coimbra, não sei se propositalmente ou sem querer, ao dizer, na sua rede social, que o brasileiro não sabe sequer cantar o "virundum" quando mais votar.

Olegarinho, ou o soldado Magalhães, era um dos que irritavam o Sargento Couto, nosso comandante, quando da execução do Hino Nacional Brasileiro ao dizer: "Tá na hora do virundum, turma". Grande Olegarinho, saudade de ti meu velho amigo, mas no ano que vem, se fizermos um encontro da turma de 1968, eu garanto que vou levar uma faixa te homenageando.

Um outro a ser lembrado com saudade é o soldado Tostes, nosso já saudoso Rogério do Mariano, ou o José Rogério Lopes Tostes, duro na queda, não reclamava de nada e com um defeito apenas, queria ser goleiro do nosso time no lugar do grande Zé Navalha, qual era mesmo o nome de guerra do Navalha? Deu branco, mas era nosso goleiro do Vasquinho e do TG, tem que confirmar presença, hem Navalha? Ele mora em São Roque, interior de São Paulo, e nunca mais o vi.

Nosso comandante, o grande João Onildo do Couto, sargento de alto nível, também não estará presente, lá de cima olhará para sua turma e dará a ordem unida para todos os outros amigos e companheiros, como o Aloisio Márcio Tostes Macedo, ou simplesmente Soldado Macedo, também falecido precocemente e é uma estrela brilhando lá no céu.

Minha turma era das boas, na ordem unida, nos exercícios físicos, na bola redonda, na bola laranja, na bola branca e na bola pesada, vencemos grandes jogos e grandes desafios militares, temos histórias para contar e quem sabe no ano que vem, na nossa Bodas de Ouro, poderemos relembrar grandes amigos, grandes momentos, matar grandes saudades e reverenciar grandes saudades, como a nossa bateria, certo Cagiano? 

Queria me lembrar do número um, que era o Adilson Cagiano, ao número 53,que era o Silveira, mas minha memória não me ajuda mais e se eu esquecer de algum amigo soldado serei punido por mim mesmo, se eu esquecer, ou não souber, de um dos que nos deixaram como o Adilton, o primeiro a nos deixar, serei castigado pela minha consciência e por isto gostaria que meu companheiros do TG 217, turma de 1968, me ajudasse a lembrar dos soldados e cabos daquele grupo de rapazes que deixou saudades em todos nós.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...