sábado, 21 de outubro de 2017

As lições do mestre Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho

Não sou um estudioso convicto do futebol, mas gosto de ler, ouvir e conversar sobre táticas com os entendidos e sobre esquemas modernos, praticados pelos grandes treinadores do futebol de hoje. As vezes me pego comentando, comigo mesmo, os sistemas usados pelos técnicos brasileiros, no Brasileirão, e pelos europeus, nos Nacionais de lá e na Champions League, e escrevo no meu arquivo de computador o que penso a respeito deles. 

Gosto muito do Tite, não de suas convocações "apadrinhadas", e vejo nele um técnico moderno, estudioso e competente, o Carille, do Corinthians, aprendeu muito com ele e está subindo na carreira por ser humilde. Gosto do trabalho do Mano Menezes, só manchou sua bela carreira quando "fugiu" do Flamengo com medo de não salvar o time do rebaixamento. Gosto do Luxemburgo, que quando teve humildade e jogadores de ponta foi um baita estrategista, e de outros que não vou citar por falta de espaço porque onde quero chegar é em um passado distante. 

Quero chegar nos anos 60 e na minha Miracema, que me perdoem aqueles que acham que falo demais na minha terrinha, e, chegando lá, eu chego a Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho, um craque quando jogador, até Telê Santana elogiou o lateral do Ribeiro Junqueira, de Leopoldina, que brilhou na Zona da Mata Mineira, e um técnico talentoso e bem acima do seu tempo, eu diria até que era um visionário. 

Vejo hoje todos, eu disse TODOS, os times de ponta do mundo jogando ao estilo Maninho, quando meu técnico no Tupã e na Associação Atlética Miracema, armava seu time sem laterais de ofício, hoje José Mourinho, no Manchester United, e Antonio Conte, no Chelsea, usam atacantes velozes como alas, e Manino usava Manoel Lima por ali, e atacantes velozes, que a gente chamava de centro-avantes, pelos flancos, como fez comigo e com Ném. 

Conversava muito com o Maninho sobre táticas e sistemas de jogo, aprendi muito com ele e usei todos estes ensinamentos para fazer meus comentários no rádio. Certo dia, fazendo comentários para a Rádio Brasil, de Campinas, em um jogo aqui em Campos, Americano x Ponte Preta, o chefe da equipe de esportes da rádio campineira pediu para eu falar com ele no final da partida porque iria me fazer uma proposta. 

Conversamos por mais de vinte minutos, ele tentando me convencer a ir para São Paulo e eu respondendo que não poderia porque meu salário no Banerj era bom e eu não trocaria por nada. "Tenho vinte anos de rádio e estou acostumado a trabalhar com profissionais gabaritados, mas nunca ouvi um comentário como o seu, contou o jogo de forma clara, sem rodeios e mostrou todo o jogo em apenas quinze minutos, quero você na minha equipe", dizia ele. 

Aquilo me deixou cheio de vaidade, uma emissora que tinha Osmar Santos,  o maior narrador paulista de todos os tempo, como mentor e proprietário, querendo levar um cara do interior do Rio? Me enchi de orgulho e pensei comigo mesmo, eu sempre penso comigo, que Maninho realmente sabia das coisas e foi um baita professor. Suas análises, seus palpites em dias de jogos que assistimos juntos, foram assimilados por mim e hoje, tenho certeza absoluta, se vivo fosse ou se novo fosse, estaria em destes times de ponta do Brasil e não faria feio. 

Alcir Fernandes de Oliveira foi meu incentivador, foi um grande professor e hoje, no futebol moderno, nada é diferente daquilo que ele fazia, em Miracema, nos anos 60, e que conversava comigo nos anos 80/90, quando me transformei em comentarista, repórter e narrador, suas lições foram bem captadas e hoje lhe sou grato e o futebol ficou mais fácil para mim. 

sábado, 7 de outubro de 2017

Eu rumo a BH, Antoninho voando pra Lisboa

Há dois meses atrás meu amigo Antoninho me falou:
- Dutra, quero ir a Portugal em outubro, vamos?

Disse que não dava, mas queria combinar algo com ele. Expliquei o que pretendia.
Alguns dias depois Antoninho chega na fila do pão e me diz que irá em 6 de outubro, desce em Lisboa e no dia 12 estará em Fátima para celebrar os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora, a nossa Padroeira Aparecida, nas águas do Paraíba.

- Dutra, o que você queria combinar comigo? Pergunta Antoninho.
Já tinha me esquecido, mas rapidamente voltei a fita e me lembrei.
- Seguinte, amigo, eu quero sair para Belo Horizonte no mesmo momento, ou quase isto, que seu voo decolar do Galeão, quando sair me avise e quando chegar passe mensagem. Combinei com ele.
- Saio dia 6/10, em voo das 8:45h, da TAP. Informou Antoninho.

Ferrou, pensei eu, acreditei que fosse no voo noturno, 18;45h, mas tudo bem, dever ter um onibus por perto saindo pela manhã.
Bingo! Achei Macaé x BH saindo do 9:15h e daria certo o que imaginei.

E ontem, 6/12, Antoninho saiu de Campos as duas da madrugada e eu as seis da matina. Ele rumo ao Galeão e depois Lisboa, eu rumo a Macaé e de lá até BH.
- Dutra. Comandante da aeronave avisa "atenção tripulantes, decolagem autorizada".
Quinze minutos depois eu também decolo, no voo rasteiro, pela Útil e pelas estradas brasileiras.

Previsão de chegada do Antoninho a Lisboa era para para às 19h, hora de Brasíliae 16h, horário de Portugal, e o meu horário de chegada a capital mineira era para 21:30h, duas horas a mais porque temos, em terra,paradas para lanche e almoço.

Antoninho foi direto,  não viu nada, eu fui olhando pela janela e observando as praias de Rio das Ostras, de Saquarema. São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, onde fizemos um pit stop e seguimos, via BR 101para pegar o roteiro original.

Duas horas depois subimos a Serra de Petrópolis, o sol aberto nos ofereceu um lindo cenário e revi um lugar que sempre esteve  nos meus roteiros de passeios, Revisitei a BR-040, mais jovem e mais bonita e curti demais este novo trajeto.

Entramos em Minas e pensei: Antoninho já deve estar atravessando o deserto e se aproximando das Ilhas Canárias e eu chegando a Juiz de Fora.
O prazo de sua chegada estava se aproximando e, quando passava por Barbacena, por volta das sete da noite, recebo a ménsagem no zap.
- Dutra, aeronave em solo português.  Chegamos a Lisboa.

Enquanto isto eu continuava no voo rasteiro, e ao chegar a Conselheiro Lafaiete outra mensagem no zap.
- Dutra, fazendo check inn no hotel. Abrs.
E eu, já há quinze horas rodando, fiz um balanço da viagem do amigo e pensei comigo mesmo, tentando levar, como diz Marina, pelo lado Poliana.
Antoninho não curtiu a viagem, dormiu e  conversou  por onze horas e eu, no ônibus, vi praias belas, montanhas maravilhosas e até imaginei uma delas coberta de neve, eram nuvens, vi gente bonita e idosos procurando um bom final de semana.
E, as 22:15h, meu ônibus "pousou" no terminal da Afonso Pena.
Passo seis dias por Minas e Antoninho sete dias em Portugal.
Gostei da aventura, mas não repito...

Eita!! BRASILSÃO


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Um ônibus a serviço da juventude: Rio Ita e suas histórias



Olhando ma postagem, na página do Facebook dos conterrâneos de Miracema, colocada pelo José Rivelino Benedito Bocafoli, ilustrada por uma bela foto de um ônibus amarelo, imediatamente voltei ao tempo de "carioca" e me vi dentro dele com vários amigos estudantes e ávidos por um final de semana em Miracema. 

Sim, o ônibus da Viação Rio Ita Ltda, criada por Osvaldo Cardoso Lima, o Suísso, e por José Ferreira Lima, por volta de 1954, me confirma o amigo e padrinho Julinho Cardoso Lima em mensagem via Facebook. A empresa cresceu e ganhou status importantes na região e no interior fluminense, José Ferreira Lima vendeu sa parte para Altamiro Soares e logo em seguida outros sócios apareceram para fazer da Rio Ita tudo aquilo que a gente conheceu até seu desfecho final. 

O grande Suisso, uma das mais brilhantes mentes para negócios da cidade, ainda teve Waldemar Torres, Marcelo Tostes e Hamilton Leite como parceiros e a Rio Ita rodava  da velha capital Niterói e Rio de Janeiro fazendo a integração destas cidades com Miracema, Pádua, Itaperuna, Itaocara e praticamente servindo todo o lado do então Norte Fluminense. 

Claro que não vou aqui contar a história da empresa, não pesquisei o suficiente para falar sobre isto, mas me lembro muito bem das nossas idas e vindas do Rio, ou Niterói, principalmente nos feriados prolongados, quando era preciso colocar carros extras para atender a grande procura dos jovens paduanos e miracemenses que vinham atrás das namoradas ou das festas nas cidades. 

Quantas vezes este escriba veio deitado no chão, escondendo dos fiscais nas estradas? E quantos garotos ficaram sem final de semana na cidade natal por não encontrar passagem? Claro que você, que me lê agora, pode ser um destes e você também pode ter sido um morador das pensões da velha capital, Dona Cecília Padilha  e Dona Judite Neiva foram "mães" de muitos e cada um destes rapazes e moças até hoje garantem que se não fossem estas senhoras protetoras a vida de estudante em Niterói seria bem pior. 

Alemão, Hamilton, Zé Pretinho,  Ernesto Menega ou Antônio, não querendo citar só estes mas já citando como exemplos de grandes motoristas e leais companheiros, coo Julinho, Sebastião Lopes e muitos outros, são inesquecíveis e ficarão sempre na lembrança de todos nós, não queria esquecer ninguém, mas o espaço é pequeno e quem sabe eu faça uma ampla matéria para recordar todos estes guerreiros das estradas? 

Minhas últimas lembranças, como usuário constante da Rio Ita, foram na metade dos anos 1970, quando comecei a namorar Marina, em Santo Antônio de Pádua, e dependia do Niterói/Miracema para voltar para casa, se não tivesse carona somente este carro nos levaria de volta, porém, tem sempre um porém, nunca tinha horário certo e a previsão de passar às onze da noite sempre foi "furada". 

Apenas um caso verdade para recordar esta grande parceria minha e dos meus amigos com a Rio Ita. Festa em Pádua e uma grande turma esperava o tal Niterói/Miracema, cujo horário variava entre meia noite e uma hora da manhã, mas naquele sábado, por ser um feriado de 13 de junho, dia de Santo Antônio, o carro teve problemas com super lotação ou mais paradas do que as previstas, e nada de chegar até lá pelas duas da madrugada. 

Alguém gritou? "Vamos a pé?". Noventa por cento topou, meninos e meninas de Miracema ganharam a estrada e partimos determinados a fazer os 15 quilômetros no famoso "via canela". Andamos conversando e em ritmo normal, de quem deseja mesmo passar o tempo para pegar o ônibus em algum lugar do trecho, mas a caminhada foi ficando mais séria, até uma lanterna apareceu não sei de quem, e quando vimos já era quase quatro da manhã e nada do ônibus. 

Ali, onde hoje está o Miracema Campestre Clube, praticamente na penúltima curva para chegar a cidade, o ônibus surgiu e sabe o que aconteceu? Não parou porque ninguém fez sinal, parecia que todos haviam combinado em terminar o percurso a pé, seja lá o que Deus quiser.

Depois de longo tempo chegamos a terrinha, exaustos,  mas felizes por encerrar o trajeto na boa e sem algum problema, foi o único dia em toda nossa trajetória de estudante ou trabalhador que dispensamos o serviço da Rio Ita, mas quem fez esta caminhada garanto que agora está lembrando comigo a nossa mais dura aventura de quem foi apenas namorar ou paquerar em Santo Antônio de Pádua. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Até na Paraíba, Miracema?

Faz algum tempo que não vou a minha Miracema, 24 de junho foi o último e triste dia que por lá apareci, estive na despedida da mana Eliane, que partiu para o Oriente Eterno, e, de lá prá cá não deu para ir e fico curtindo a saudade de meu povo, de meus amigos e de minha família. Ando por aí buscando novos conhecimentos mas por onde passo a lembrança da cidade que nasci está viva e não dá para esconder o amor que tenho por ela. 

Agora a pouco, no final do mês de setembro, estivemos, eu e Marina, na capital paraibana, João Pessoa, e andando pelo Cariri não pude deixar de ver naquele pedaço de chão brasileiro um pouco da minha terra, não pela pobreza, não pela seca, mas pelo povo simples e hospitaleiro que por lá encontrei e, para minha surpresa, Miracema não era totalmente desconhecida dos moradores de Lajedo de Pai Mateus, uma dos lugares mais lindos de todos os quase trezentos que visitei por este mundo afora. 

Nosso guia local, em explanação sobre o clima, sobre de onde vinha a brisa fresca que soprava naquele sertão paraibano, para surpresa geral ele dizia que o vento frio era constante, todas as tardes a temperatura cai devido a corrente que chega da Cordilheira dos Andes. 

Aí eu brinquei com meus companheiros de ônibus: - Este vento eu queria engarrafar e levar para minha terra, lá faz um calor tremendo no verão e um frio danado no inverno. Disse eu e o guia ouviu e perguntou imediatamente: - De onde você vem? 

Respondi que moro em Campos dos Goytacazes mas sou de Miracema, ambas no interior do Rio e ficam distantes da capital. E o guia, com todo conhecimento de clima e de geografia, me surpreendeu mais uma vez com uma resposta, que desta vez não precisei procurar no Google. 

- Miracema, terra quente e formosa. Estive lá na década de 70 com o Projeto Rondon, visitei fazendas, andei pela cidade, fui a um baile no clube, que aliás não era clube e sim um grupo escolar, e dancei muito em outro colégio, me parece que era um grêmio estudantil. Disse ele e no mesmo momento lágrimas brotaram em meus olhos. 

Puxei o cara para o lado e me apresentei, claro que ele não se lembrou de mim e nem eu dele, foram tantos que passaram na terrinha neste ótimo Projeto Rondon, mas trocamos boas prosas e ele foi lembrando das fazendas e eu contando para ele como andam as propriedades hoje em dia, mas uma ele diz que ficou na lembrança dele. 

- Aquela que tem uma cachaça muito boa e cujo dono era um baixinho simpático, alegre e educado, um grande anfitrião. Disse o Rodrigo (o guia) me fazendo novamente soluçar de emoção. 

Nem foi preciso usar a memória para saber que ele falava do Homero Costa, saudoso fazendeiro da cidade, e de sua Cachaça Maravilhosa, e, ao citar estes dois nomes o Rodrigo imediatamente me acompanhou nas lágrimas, ele confirmou que era realmente Homero o do proprietário e que a pinga era mesmo uma maravilha e só poderia se chamar Maravilhosa. 

E aí subimos a montanha rochosa e lá em cima ele comentou sobre Campos e sua riqueza vinda do petróleo, e ficou triste quando eu lhe disse que o turismo na Planície Goytacá não era explorado e muito daqui poderia ser mostrado a visitantes, mas na realidade nada é usado para gerar divisas. 

Ah! Sobre o tal grêmio que Rodrigo citou vocês devem ter matado a charada, não? Sim, era o Grêmio do Colégio Nossa Senhora das Graças, o GEAO, comandado pelo Reginaldo Rizzo naqueles anos gloriosos e que fez história na turma de nossa geração e que, felizmente, até hoje é contado em verso e prosa por todo este país.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...