segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Conversa de Botequim: Papo de vizinhos

E lá se foi mais um Natal e lá se foram as prosas do final de ano, aliás, como sempre, proveitosas e cheias de novidades para o colunista, que escreve em função destas conversas de botequim e das ruas da cidade. 

Um grande presente de Natal foi a surpresa da visita do amigo José Souto Tostes, por quem nutro uma profundo respeito e amizade, e ao lado do Ló Leitão e do Abelardo do Belo (foto ao lado), me deram a alegria de passar o dia 24 de dezembro em excelente companhia e proseando sobre a terrinha e, claro, sobre passado, presente e futuro de nossa cidade. 

Relembramos nosso "Triângulo das Bermudas", que é como chamo aquele trecho onde moramos (Praça Ary Parreiras, Centro Redentor e Praça Dona Ermelinda), recordamos nossos pais, no caso Zebinho, Amaro Leitão e Belo do Táxi, lembramos de nossas infâncias, bem vividas e saudáveis passadas naquele reduto de amigos e gente do bem, sentimos a firmeza da amizade e do carinho que nutrimos uns pelos outros e pelas famílias de todos aqueles do nosso cantinho. 

E o tal de onde anda? Não para de nos atormentar, as vezes a resposta não é aquela que gostaríamos de ter, mas faz parte da vida, e este onde anda? muitas vezes é motivo para recomeçar a prosa em um ponto mais interessante, como quando o Ló Leitão perguntou sobre os filhos do Seu Adail? Onde anda o Inha? Onde anda o Pico? Onde anda o Afonso? Bacana, o Abelardo, que também não perdeu as origens, foi decifrando o destino de cada um dos irmãos e, felizmente, as notícias foram saudáveis e não tristes para nós. 

O calor, muito forte e a falta de um vento para amenizar o dito cujo, me impediu de ir até ao Tio's Nilos, o famoso bar do Amauri Cabeção, onde encontro amigos leais e dos tempos de bola e música na terrinha, e pego aquele almoço de alto nível, mas deu tempo para rever os amigos Chiquinho e Gustavo, os irmãos que tocam o Snob's, uma das melhores casas da cidade, e que em breve nos ofertará com 17 apartamentos que formarão um novo empreendimento, o Hotel Snob's, e tive o prazer de visitar as instalações e dar meu "aprovado" para o Chiquinho. 

Desprazer de saber do fechamento definitivo do Kiskina Gourmet, caso complicado e que merece maior averiguação, deram um prejuízo enorme ao meu velho e bom amigo Roney e mais um espaço se fecha na cidade. Desprazer de ver a cidade tão abandonada, o povo triste com a quebradeira financeira que assolou o Estado do Rio e deixou a população inativa sem um Natal Feliz, a certeza de que Clovinho Tostes terá um trabalho insano para recolocar Miracema nos trilhos, e, infelizmente, as previsões são sombrias para os próximos anos. 

Enfim, mais um final de semana em Miracema, mais um Natal em Miracema e mais um grande momento de reencontro com amigos e o encontro com a dura realidade, a cidade tem jeito, mas está cada dia mais distante do brilho dos anos dourados. Feliz Ano Novo. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

E por falar em Natal, por onde anda o Natal?

Cadê o Natal que estava aqui? Parece que os governos comeram. Cadê o Natal que a gente tinha? Os governos comeram. Verdade, a crise que assola o país, principalmente a crise moral dos polítcos brasileiros, deixa o Natal mais triste, menos agitado e sem aquela perspectiva de uma reunião de amigos em torno de uma mesa de bar ou uma grande reunião de família em torno de uma ceia  natalina. 

Cadê o Natal que estava aqui na Praça? Os vândalos comeram. Verdade, os bandidos e os vândalos de todo o país deixaram as ruas mais tristes, as lojas mais secas e fechadas, o povo preso dentro de casa com medo de sair às ruas para abraçar os amigos e desejar Feliz Natal aos desconhecidos que transitam pelas cidades. 

Cadê o meu Natal? A modernidade comeu. Esta é a mais dura das realidades, nossos filhos ficavam ao redor de nossas mesas e hoje cada um segue o seu rumo, suas famílias já crescidas já necessitam da presença deles muito mais do que nós, pais e tios esperançosos que eles resolvam participar de nossa festa caseira. 

O Natal do Padre Alberto não existe mais, nem mesmo do Padre André ou do Padre Antônio, muito menos do Padre Luiz, eles já  não estão mais no meio de nós e fazem suas orações lá no Oriente Eterno, ao lado do PAI, mas quando as fizeram por aqui, na Igreja de Santo Antônio, em Miracema, sabíamos que além da alegria de ser Natal era dia de muita oração e pedidos ao aniversariante do dia. 

Ainda bem que hoje o Natal da Praça Dona Ermelinda é mais bonito, o espetáculo pode não ser de um luxo como um da Broadway, pode não ser grandioso como um Natal da Globo, mas a Paróquia, através de seus orientadores e gestores garante um bom espetáculo para quem chega para ver o Natal da Igreja Santo Antônio. Muito bom, eu recomendo.

Mas cadê o Natal que estava na Rua Direita? Bem, aí a crise não é culpada, mesmo nos tempos de "vacas gordas" a nossa Rua Marechal Floriano já estava esvaziada, sem o brilho dos meus tempos de juventude, os bares sumiram, as lojas desapareceram, claro que ainda existe a Leader, mas as outras foram substituídas por butiques e lojas de 1,99 que não tem a tradição e o charme das nossas antigas lojas da Rua Direita. Ou não? 

E o Natal do Jardim, será que ainda é revivido ano a ano? Era por ali que exibíamos nossos presentes, ganhos na noite de 24 de dezembro, e no dia dedicado ao Menino Jesus os Meninos da Terrinha corriam para a Praça Dona Ermelinda ávidos por mostrarem os presentes ganhos e fazer as comparações com os dos amigos da rodinha de peladas no Rink ou das brincadeiras no Parque do Seu Ademar. 

Cadê o nosso Natal? Eu, tenho certeza, vou me reunir com a família, alguns já não se reúnem mais conosco, vou me reunir com os amigos, como sempre, nas mesas da Kiskina, na Rua Direita, onde fico a espera de um transeunte disposto a um dedo de prosa e a sorver comigo um copo de cerveja. Te espero por lá, combinado?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

De Miracema para o mundo

Sabem aquela máxima? "Penso, logo existo". Ela pode ser modificada por uma outra, que sempre gosto de colocar em um papo com amigos; "Ando, logo existo". Isto mesmo andar por aí é viver intensamente, viajar é um programa que está sempre em aberto na minha agenda e, para refrescar minha memória, estou sempre andando pelas fotografias, são quase dez mil arquivadas, relendo meus textos sobre viagens e conversando com quem gosta da andança e está sempre reinventando lugares e roteiros. 

Já contei nos blogs, já postei no Facebook e Instagram, sempre estou com novidades na cabeça para contar minhas andanças, que vão do Noroeste do Estado do Rio de Janeiro ao Leste da Europa, que vão de Laje do Muriaé, meu primeiro destino de férias, até Madrid, o nais visitado lugar nestes dez anos de andanças pelo exterior. Gosto muito de andar por aí. Gosto de narrar minhas aventuras, afinal tenho que aproveitar o dom que Deus me deu. 

Certo dia, em uma conversa sobre viagens, um companheiro do Recife me perguntou quantos lugares eu conhecia. Fiquei em dúvida e não sabia de cor, mas começamos, eu e ele, a colocar no papel todos os lugares que visitamos e, para surpresa e desencanto do companheiro, quando eu disse que conhecia mais de 70 por cento do meu Estado do Rio e ele, triste, dizia não ter andado nem dez por cento dos lugares de Pernambuco.

Andei por Minas Gerais, por Pernambuco do sósia do Amauri Fontoura, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, fui de Palma/MG até Gramado/RS, de Itu/SP até Castro/PR e de Floripa/SC a Inhotim/MG, andando sempre em companhia de Marina e de minhas máquinas fotográficas, que aos poucos estão sendo substituídas por maravilhosos smartphones, que além de clicar ótimas fotos ainda nos oferecem a oportunidade de divulgá-las do local onde estivermos no momento da pose. 

Conheci o Pantanal Mato-grossense, vi de perto as belezas da Serra Gaúcha, nadei nas praias do Nordeste e vi a chuva do Norte do Brasil. Rodei pelo Vaticano, não vi o Papa, pelo Louvre, vi a Monalisa, não andei na London Eyes, medo, em Londres, mas vi o Big Ben imponente assim como vi as muralhas famosas de Toledo, na Espanha, a Torre de Belém, em Lisboa e fui ver Paris lá no último andar da Torre Eifel.

O "Véu de Noiva", em Friburgo, foi um dos primeiros cartões postais que conheci e a colossal Basília de Nossa Senhora de Aparecida um dos últimos a ser visto por nós, que já vimos a bela Catedral de São Pedro, em Colônia, Alemanha, e a não menos famosa Catedral de Notre Dame, em Paris. 

Não fui ao Niágara, mas conheci três oceanos, o Pacífico, cujas águas geladas, em Viña Del Mar, no Chile me assustaram, o Atlântico, que até aqui pertinho, no Farol de São Tomé, as águas são quente, atravessei o Mar do Norte, entre a França e a Inglaterra, no famoso Ferry Boat do Canal da Mancha, e observei, bem da orla, a beleza do Mar Mediterrâneo, que banha Nice, na França, com seus iates de gente milionária. 

Em Lisboa eu me sentei ao lado de Fernando Pessoa, no Roscio, em Madrid fui convidado a ir ao Santiago Bernabeu ver o Real jogar, em Barcelona vi as obras de Miró e a espetacular Catedral da Sagrada família, em Valência comi a famosa paella de frango, conversei com o mago Paulo Coelho, em Santiago de Compostela, em Fátima, Portugal,  chorei copiosamente ao agradecer a proteção da Virgem, em Pisa me espantei com o tamanho da torre inclinada e em Viena me deslumbrei com o Castelo da Imperatriz. 

Andanças pelo mundo e pelo Brasil que deixam saudades, como atravessar o Rio da Prata em um vapor ou andar pelo Rio Reno, na Alemanha, a bordo de um navio de cruzeiro fluvial bebendo uma boa cerveja germânica ou andar pelo Sena, em Paris, tomando champanhe. São momentos maravilhosos e que não apagarão nunca da memória, tem dias que nem preciso olhar as fotos para reviver ótimos momentos, como os que passei em Gramado/Canela no ano passado para dizer "Que passeio maravilhoso". 

São Paulo e suas noites, suas pizzas, seus museus e seu Pacaembu, palco de grandes jogos e de grandes histórias do meu cicerone José Maria de Aquino. Belo Horizonte do Mercado Central, onde o papo é sempre bem acompanhado, da Praça da Liberdade, por onde estão minha filha, minha neta e meu genro, Porto Alegre do Beira Rio, do Internacional (Célio Silva me levou pela primeira vez) e do Guaíba, Recife, nossa Veneza, Fortaleza, Natal e Maceíó fazem com que o Nordeste deste país tenha um turismo que não fica devendo a nenhum lugar do mundo. 

O pernambucano me pergunta por um lugar inesquecível, a resposta não veio de imediato, tenho que pensar, afinal são tantos que confundem minha mente. Que tal lembrar de Praga, na República Tcheca? Um lugar que voltaria a qualquer momento, Varsóvia na neve? Do Café New York, em Budapeste? Na mesma capital húngara o lado Buda, também com neve até o calcanhar. 

Porém, tem sempre um porém, meu caro Mateus, nada se compara a travessia do Rio Danúbio, em Budapeste, olhando para o rio mais famoso do planeta água, ao lado de Marina e me deliciando com um queijos & vinhos de fazer inveja a qualquer cidadão mais abastado que conheço. É muito difícil para eu dizer um lugar inesquecível sem colocar Roma e suas fontes, como a famosa Fontana de Trevi, onde minhas moedas, jogadas no local, transformaram meus sonhos em realidade.

Mateus, tá ficando complicado, inesquecível foi a travessia dos Canais de Veneza ouvindo Al Di La executada por músicos, convidados pelo gondoleiro, em nossa gôndola. O choro foi registrado pelo meu celular e este pode ser, meu caro amigo, um momento inesquecível. Ah! Tem aquela passagem pelo Muro de Berlim, tem a visita, triste, a Alshwitz, na Polônia, onde as lágrias vertidas não eram de alegria e sim da emoção de ter visitado um lugar da grande tragédia mundial. 

Claro que há também aquele breve momento, dez minutos apenas, quando atravessamos toda a pista de Fórmula Um de Mônaco, onde um dia brilharam Ayrton Sena e Emerson Fitipaldi. Claro que subir os Alpes Suíços, atravessar o Túnel Gottardo, visitar a famosa Zurique e seu lagos congelados também entram no rol dos inesquecíveis, assim como foi muito emocionante subir os Montes Tártaros, na Eslovênia, e ver de perto a neve, que cobria toda a pousada em que almoçaríamos. 

Não dá para escolher, Santiago do Chile e o Vale Nevado valem a lembrança, La Boca, em Buenos Aires, também marcaram bastante e Montevidéu não me sai da lembrança, e conhecer a história de Colônia do Sacramento, no Uruguai, também serve como lembrança das inesquecíveis viagens. 

Eita Brasil maravilhoso, não conheço Fernando de Noronha e voltarei, em breve a Foz do Iguaçu, não me esqueço de Cuiabá, meu primeiro destino mais longe de casa, não deixo de me lembrar de todos os lugares por onde passei por estes anos em que eu e Marina estamos andando por aí sem nos preocupar com lugar mas com destino certo. 

Escrevi quase duas horas e, com certeza, ainda faltará algum lugar por onde passei, mas isto é motivo para voltar a escrever sobre o tema e contar para os amigos que sempre que me encontram dizem "Adilson Dutra, de Miracema para o mundo". 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Na Kombi do Nicanor ou do Percy

Tem coisas na vida da gente que nós não esquecemos jamais, uma destas são as aventuras de juventude, as traquinagens de crianças, as peladas na adolescência e tem outra coisa que não sai da nossa cabeça, os dias de futebol pra valer, com amigos e companheiros de um time histórico. 

Mas hoje, aqui no nosso encontro semanal, o que me faz escrever são as viagens pelo redor do Norte Fluminense, naquele tempo não era Noroeste, em  que o Vasquinho ou Esportivo ou o Tupan ou a Associação Atlética Miracema rodavam em busca de amistosos e torneios não oficiais. 

E nesta busca vem um nome na cabeça: Nicanor dos Santos, ou simplesmente o Nicador "da Kombi", um baita cara, alegre, fanático por futebol, equilibrado e um motorista responsável e consciente de que carregava jovens vidas e uma turma que só lhe dava alegria dentro e fora dos gramados como ele sempre me contou. 

E escrevendo e procurando detalhes além do Nicanor o que me vem a cabeça? Percy, que era a opção que veio depois. Quantas viagens, quantos quilômetros percorridos para correr atrás da bola em qualqur gramado da nossa região? Centenas e mais centenas de quilômetros percorridos atrás de um sonho levados por estes dois grandes profissionais do volante e dois grandes homens que infelizmente não estão mais conosco, mas estarão sempre nos nossos corações. 

Em um  domingo destes fomos jogar em Santa Maria Madalena, uma estrada sinuosa, perigosa com curvas de fazer inveja as mais montanhosas estradas do planeta, e Nicanor sabia que ficar sentado por muito tempo, rodando o corpo de um lado para outro, poderia ser prejudicial ao nosso time, que chegaria em cima da hora e não teria tempo suficiente para relaxar a musculatura ou alongar como se faz nos dias de hoje. 

Nicanor estava além do nosso tempo. Viagem marcada para às nove da manhã, com chegada prevista para antes do almoço lá em Madalena, mas nosso "motoca" antecipou, por conta própria, a saída para às oito e fez duas paradas técnicas para que andássemos um pouco e tirássemos a tensão da viagem. 
Chegamos cedo e pudemos andar pela praça, hoje tem o Memorial da Dercy Gonçalves, almoçar tranquilamente e depois repousar um pouco e entramos em campo dispostos e refeitos da viagem sinuosa que fizemos naquele dia. Se ganhamos? Claro, uma bela vitória lá na Região Serrana. 

Numa outra viagem, creio que a Cataguases, já com a Associação, chegamos mais cedo e o Manufatura ofereceu um almoço, uma peixada, e Nicanor, experiente e rodado, chamou o Jaci e falou com ele que a comida seria peixe e que ele reclamasse imediatamente. Nicanor sabia que anos antes, em São João da Barra, o time almoçou uma peixada e depois foi uma goleada no lombo, ninguém conseguia andar. 

Pra encerrar, uma comigo, claro, que tenho que arrematar nesta lembrança gostosa dos amigos do volante. Fomos jogar em São João do Paraíso,  pelo Torneio Murilo Portugal, e como tinha compromisso no horário e meu pai queria ir comigo, não fui na kombi e sim no carro da mana Eliana, dirigindo. 

Chegando ao estádio, minutos antes de começar a partida, vesti o uniforme e quando entrava em campo o Percy, que havia levado a delegação, me chamou no alambrado e falou:  - Não corra forte antes de esquentar os músculos, pode arrebentar tudo.

Percy sabia o que estava falando e eu não dei ouvidos, infelizmente, e na saída de bola dei um pique para chegar a linha de fundo e... claro, caí no chão chorando de dor, os músculos, não aquecidos e não alongados, estouraram, como previra o veterano Percy. 

Grandes companheiros, grandes profissionais e, principalmente, grandes amigos e apaixonados pelo futebol de nossa Miracema. 

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...