Canal do Dutra: Uma conversa de bola, viagens e do cotidiano. Aqui posto vídeos, crônicas e converso com vocês.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
De bar em bar a prosa continua
As vezes penso em não continuar com minhas retrospectivas futebolísticas neste nosso encontro aqui no Dois Estados. As vezes me sinto repetitivo, chato e até mesmo insistindo em um assunto que já foi tratado por aqui dezenas de vezes. Porém, tem sempre um porém, a cada viagem e a cada conversa de botequim na terrinha me trazem motivos para continuar contando nossos causos e lembrando de nossos craques.
Fernando Nascimento, meu poeta favorito, desfilava seus novos versos e soltava a voz com suas canções enquanto a gente falava da bola, dos nossos rachas no ginásio ou no “buraco da égua”, que nos colocava em forma para enfrentar os jogos com a camisa do Alvorada.
No que alguém, que passou pela mesa e falou sobre a minha coluna sobre a Família Souza, o Fernando me fez lembrar da família Nascimento, não seus parentes, mas a que reuniu craques da bola entre todos os irmãos.
Eu comentei sobre a astúcia do artilheiro Careca (Sérgio Roberto), a velocidade do Bilu, a técnica do Ney e a mistura de velocidade e técnica do Hélio, porém, tem sempre um porém, como em cada uma das famílias de craques um sempre desponta, eu e Fernando concordamos que Cleto era o craque maior e o mais completo da família.
Vi alguns jogos do Cleto, joguei com o Bilu e o Careca e muitas peladas no ginásio contra e a favor do Hélio, mas confesso que o futebol do meia, tranquilo e sereno, se destacava muito além do normal. A família sempre se destacou no esporte e o Careca, como já disse acima é o Sérgio Roberto, também foi um ótimo jogador de basquete e um saltador de qualidade.
No dia seguinte, proseando com o Dequinha e seus irmãos ali nas proximidades do Campo do América, uma pergunta ficou no ar: Quem foi o melhor da família Souza, o Ademir ou o José Augusto?
Quer saber minha resposta, meu caro Dequinha: Não darei, ficarei com a imagem do zagueiro espetacular, que foi o Zé Augusto, e do gênio que foi o Ademir no meio campo.Tá bom prá você?
Mas nem sempre estes encontros são só alegria, temos os momentos de tristeza e de recordações. O Edivaldo José, irmão do meu ponta esquerdo preferido, o Pintinho, me fez recordar grandes gols oferecidos pelo saudoso amigo pelo lado esquerdo do campo e do Nenenzinho, outro que é saudade, pelo lado direito do gramado.
Estes dois foram perfeitos nos lances pelas extremas e no meio da área tinha sempre um artilheiro para complementar. era cruzar e botar nas redes adversárias, principalmente quando a gorduchinha chegava pelo alto, bem lançada, para a cabeçada mortífera do Careca ou pela entrada raçuda do Edil.
Viu só, não adianta o cronista tentar mudar o tema ou fugir do compromisso de narrar as peripécias dos meus contemporâneos aqui no encontro semanal no Dois Estados, sempre terá um a me cobrar um pitaco a mais sobre os grandes nomes do nosso futebol
No sábado, antes, durante e depois dos jogos da rodada do Brasileirão, o papo ali no Bar do Cabeção a conversa também rendeu bons comentários sobre o tema e o Fuca me fez voltar ao tempo lembrando dos amigos Sebastião, Jorge e José Augusto, o trio de Poyes, que fazem parte da geração formada pelo Bitico e pelo pai deles, o Juvenal Parente, que um dia já foi destaque aqui no nosso Papo de Bola.
Viú só? Não dá para não comentar.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
O pior Flamengo de todos os tempo
A semana foi de comparações entre os piores elencos do Flamengo nos últimos anos e, este de hoje, entra na disputa com o de 1971, dirigido por Yustrich, para saber qual o pior de todos os tempos. Eu, cá prá nós, estou em dúvida. Vi os dois em ação e creio que o deste ano leva desvantagem porque foi criado na era da modernidade, dos empresários bem sucedidos, financeiramente falando é claro, e da mídia farta e a favor.
Yustrich daria outras instruções para o time de Joel Santana, como, por exemplo, ao Magal, lateral esquerdo que com o treinador mineiro seria um ponta direita, ao estilo de Caldeira ou Tião, protegidos do “Homão”.
- Magal, vai no fundo e faz a cavadinha para o Vagner Love! Gritaria Yustrich.
E se Joel Santana fosse treinador daquele medíocre time de 1971 o que faria o Natalino?
- Fio, meu filho, você é meu xodó e meu garoto de confiança, faça seu jogo e vá lá e arrebente, eu confio em você, meu filho! Diria Joel no vestiário antes de seu time entrar em campo.
Um mais aflito torcedor, ao saber desta minha implicância com estes dois times, repito, os piores elencos do Flamengo de todos os tempos, quer saber quem é pior, quem eu escolheria para formar um time só entre os vinte e dois que mais jogaram com Joel ou Yustrich.
Eita! Que situação! Escolher onze melhores entre estes dois elencos? Posso ficar com Vagner Love e Reys? Tá bom, bota o Ibson entre os melhores, afinal se jogasse em sua posição original, segundo volante, o rapaz renderia muito mais. Quem mais? Os garotos Adryan e Matheus? Não, estes meninos fazem parte da geração futura e não entram nesta minha lista. Calma com eles.
Quer saber quem jogava naquele time de 1971? Vamos as comparações: Ubirajara era o goleiro, não aquele ex-Bangu e sim o “Negro mais bonito do Brasil”, goleiro que ficou famoso por fazer um gol lá na Ilha do Governador, contra a Portuguesa, em bola levada pelo vento. Como goleiro ficava devendo.
Murilo, em final de carreira, era o lateral direito. O central era Washington, pai do zagueiro Bruno Alves, da Seleção de Portugal que jogou a Eurocopa/2012, o quarto zagueiro era Tinho, um baiano simpático e ruim das antecipações ou nas bolas aéreas, na lateral esquerda Tinteiro era o preferido de Yustrich e deixava Luxemburgo no banco de reservas.
Faça suas comparações e ficará sabendo que não é nem melhor, nem pior, do que o que tem hoje a disposição de Joel Santana. As duas zagas se comparam na mediocridade. Vamos mais a frente porque não acabou. O meio campo tinha o estupendo Reyes, paraguaio que chegou como volante e se firmou na zaga rubro-negra e ficou na história e só.
Ah! Você quer saber o complemento para comparar com o time de hoje? O velho Liminha era o parceiro de Reyes e Fio o terceiro homem do meio campo. Tá bom prá você? O Yustrich gostava de dois pontas bem abertos, Buião e Caldeira, dois mineiros em decadência que vieram do Atlético a pedido do treinador. De bom o centro avante, Roberto (ex-Botafogo), mas que chegou ao Flamengo totalmente fora de ação pelas contusões seguidas e sérias que sofreu no Glorioso.
Tá bom prá você? Tire suas conclusões, torcedor do Flamengo, e deixe de me incomodar com e-mails, mensagens via celular ou Twitter, quando eu digo que o time de hoje só não é pior do que este mostrado aqui nesta coluna. Ou será?
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